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Brasil faz 8 na frágil China, empolga torcida e bate recorde com Mano

10 set 2012
23h54
atualizado em 11/9/2012 às 03h08
Eduardo Amorim
Fábio de Mello Castanho
Direto de Recife

A Seleção Brasileira soube se aproveitar da fragilidade da China nesta segunda-feira. Em amistoso disputado no Estádio do Arruda, em Recife, a equipe nacional goleou por 8 a 0 a seleção asiática, que é a 78ª colocada no ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol). Se não serviu como teste real, a partida pelo menos empolgou os 29.653 pernambucanos presentes e quebrou um recorde: foi a maior goleada da equipe sob o comando de Mano Menezes, marca que antes era da vitória por 4 a 1 sobre os Estados Unidos.

Disposta a afastar o ambiente de críticas criado pela vitória magra contra a África do Sul, em São Paulo, a Seleção Brasileira teve uma atitude que chamou atenção antes de a bola rolar: os jogadores cantaram o hino nacional abraçados, possivelmente para demonstrar união diante do momento de crise. Atitude esta que lembrou outro momento da Seleção: em 1993, quando a equipe tinha dificuldades nas Eliminatórias, enfrentou a Bolívia exatamente em Recife e entrou de mãos dadas. Naquela oportunidade a vitória também foi de goleada, por 6 a 0, e marcou a mudança de rumo no trabalho que culminou com o tetracampeonato.

O Brasil chegou à terceira vitória consecutiva, é verdade, mas ainda pesam sobre o trabalho de Mano a decepção pela medalha de prata olímpica, o fracasso na Copa América e as derrotas para os grandes do futebol Argentina, França e Alemanha. Por isso, sem ter espaço para novos tropeços, Mano tem mais três jogos com a Seleção principal. Um contra o Japão, na Polônia, no dia 16 de agosto, e mais dois sem adversário definido. Antes, apenas com jogadores locais, o Brasil enfrenta a Argentina pelo Superclássico das Américas nos dia 19 de setembro, em Goiânia, e 3 de outubro, em Resistencia.

Quando a bola rolou nesta segunda, logo o Brasil viu que tinha um adversário frágil pela frente. Se Mano Menezes queria dar mais movimentação ao time com a entrada de Hulk, então certamente ficou feliz com a primeira chance criada pelo Brasil, já aos 6min. Afinal, Hulk saiu da área, fez um bom passe para Oscar, que se infiltrou e conseguiu cruzar na cabeça de Neymar. Mas o atacante do Santos não acertou a bola em cheio e jogou para fora.

E de fato o Brasil estava diferente em comparação com o duelo contra a África do Sul: Hulk ficou mais pela direita, Lucas foi para a esquerda, enquanto Neymar jogou na área durante a maior parte do tempo. Tudo isso para fugir da retranca da China, que pouco jogou - a posse de bola chegou a ser de 80% para o Brasil.

O Brasil até começou com dificuldades para entrar na área, mas aos 22min a China não resistiu: Ramires tabelou com Lucas, disparou em velocidade e tocou por cobertura para superar o goleiro. E não demorou para que a vantagem brasileira aumentasse: aos 25min, Oscar foi lançado na área e tocou para Neymar, que estava sozinho e só empurrou a bola para o gol. Nas duas comemorações todos os dez jogadores de linha se abraçaram, o que pode ser mais uma demonstração de união, após duras críticas recebidas em São Paulo.

A festa poderia ter aumentado aos 32min, mas Oscar errou de maneira inacreditável: após drible de Neymar na esquerda, o meia do Chelsea recebeu a bola embaixo do gol, sem nenhuma marcação, mas conseguiu chutar a bola no travessão. Neymar ainda fez outro belo lance aos 40min, quando driblou o mesmo chinês duas vezes e chutou pro gol, mas a bola foi afastada quase em cima da linha.

Aos 3min da segunda etapa o Brasil já continuou seu massacre: Hulk entrou na diagonal pela direita e encontrou Lucas sozinho, que só tocou na saída do goleiro. Apenas três minutos depois, Neymar chutou de longe na travessão, mas o rebote ficou com Hulk, que teve mais sorte e acertou seu chute rasteiro no fundo do gol.

Aos 8min, o Brasil chegou ao seu terceiro gol em apenas cinco minutos: Marcelo avançou pela esquerda até a linha de fundo e tocou rasteiro para Neymar, que estava sozinho na pequena área e fez mais um. O gol seguinte foi praticamente um replay, mas do outro lado: Oscar foi quem tocou para Neymar, que estava livre de novo e marcou mais uma vez. Não perca a contagem: nesse momento o Brasil já vencia por 6 a 0.

Mas a China ainda conseguiu uma improvável chance de gol: pouco exigido, o goleiro Diego Alves teve que se esticar para fazer difícil defesa aos 35min, após cabeceio em cobrança de escanteio. Mas tudo voltou ao normal na sequência: o chinês Jianye Lin tentou cortar um passe na área e acabou marcando contra, deixando ainda mais fácil uma vitória que era nada difícil para o Brasil.

Tanto que o placar ainda foi aumentado aos 28min, quando o juiz viu pênalti em Marcelo. Oscar foi para a cobrança e fez o oitavo gol do Brasil. Mano abusou das substituições na sequência e, com um time totalmente modificado, a Seleção quis apenas administrar a vitória até o final. Ainda houve um inesperado susto, com o chute cruzado de Yuan aos 44min, mas o gol de honra da China não saiu.

Ficha técnica

BRASIL 8 x 0 CHINA

Gols
BRASIL:
Ramires, aos 22min do 1º tempo; Neymar, aos 25min do 1º tempo, e aos 8min e 14min do 2º tempo; Lucas, aos 3min do 2º tempo; Hulk, aos 6min do 2º tempo; Jianye Lin (contra), aos 25min do 2º tempo; e Oscar, aos 28min do 2º tempo

BRASIL: Diego Alves; Daniel Alves (Adriano), David Luiz (Réver), Dedé e Marcelo; Rômulo (Sandro), Ramires (Arouca) e Oscar (Leandro Damião); Lucas, Hulk e Neymar (Jonas)
Treinador: Mano Menezes

CHINA:Zeng; Peng, Yang, Jianye Lin e Tang Miao; Zhao Xuri Zhao (Feng), Hao Junmin (Zhang), Lu Peng, Liu Jian e Zhu Ting; Gao Lin (Yang)
Treinador: José Camacho

Cartões amarelos
BRASIL: Hulk

Árbitro
Roberto Silvera

Público
29.653 torcedores

Local
Estádio do Arruda, em Recife (PE)




Após críticas em São Paulo, jogadores comemoraram gols abraçados para demonstrar união
Após críticas em São Paulo, jogadores comemoraram gols abraçados para demonstrar união
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
Fonte: Terra

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