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Diretor acusado de venda de ingresso é considerado foragido

Prisão preventiva de Ray Whelan foi decretada; Ligado à Fifa, ele é acusado de participar de esquema ilegal e considerado foragido

10 jul 2014
16h12
atualizado às 19h49
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A Justiça do Rio de Janeiro decretou, na tarde desta quinta-feira, a prisão preventiva de Raymond Whelan, diretor de empresa ligada à Fifa acusado da venda de ilegal de ingressos da Copa do Mundo. A decisão foi tomada pela juíza Joana Jardim Cortes, do Primeiro Juizado do Torcedor, que também converteu em prisão preventiva as prisões temporárias de outros 10 acusados. Whelan, no entanto, não foi encontrado pelos policiais e é considerado foragido da Justiça.

<p>Marcelo Pavão foi um dos presos por integrar esquema de venda ilegal de ingressos da Copa</p>
Marcelo Pavão foi um dos presos por integrar esquema de venda ilegal de ingressos da Copa
Foto: Mauro Pimentel / Terra

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Os policiais saíram em busca de Whelan, que estava hospedado no hotel Copacabana Palace e estiveram também na casa dos filhos dele, no condomínio Ocean Front, na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, mas também não encontraram o diretor da Match. Segundo a Polícia, ele deixou o hotel por uma porta lateral acompanhado de seu advogado minutos antes da chegada dos policiais, deixando para trás dois celulares e roupas.  A polícia emitiu alertas para os aeroportos do Rio, para evita que Whelan fuja.

O advogado de diretor da Match, Fernando Fernandes, disse, em nota, que considera ilegal a decisão de decretar prisão preventiva. Segundo ele, a medida vai contra liminar concedida na madrugada de terça-feira, quando o plantão judiciário determinou a libertação de Whelan através de habeas corpus, por entender suficiente a entrega do passaporte, o pagamento de fiança e o comparecimento a todos os atos processuais.

Para Fernandes, a ordem descumpre a liminar da Justiça, que apreciou a prisão temporária e a impossibilidade de ser decretada a preventiva. “Logo, não há como ser decretada a prisão preventiva de Raymond Whelan”, disse Fernandes. Por isso, entrou com recurso no Tribunal de Justiça do Rio para fazer valer a liminar e anular a prisão preventiva.

O Ministério Público ofereceu nesta quinta-feira denúncia contra os 12 suspeitos pelos crimes de cambismo e associação criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, depois de ter recebido na quarta-feira inquérito que indiciou 12 pessoas  Das 12 pessoas que foram denunciadas, o MP pediu a prisão preventiva de 11, pois não entendeu ser necessária a prisão preventiva do advogado José Massih, que colaborou com as investigações. A Justiça só recebeu a denúncia contra 11 suspeitos e decretou a prisão preventiva dessas 11.

O advogado José Massih, que está preso na 18ª DP por força de prisão temporária, será solto à meia-noite, pois ele não teve a prisão temporária, que vence hoje, convertida em preventiva. A Justiça não aceitou denúncia contra ele, que ajudou na apuração do caso.

De acordo com a polícia do Rio, escutas telefônicas apontam o envolvimento do diretor da Match Services com o franco-argelino Lamine Fofana, detido por ser um dos chefes do esquema ilegal de venda de bilhetes. Whelan chegou a ser preso na segunda-feira e passou cerca de 12 horas detido, mas foi solto depois de ser beneficiado por um habeas corpus.

Marcelo Pavão da Costa Carvalho, um dos acusados de participar da quadrilha que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça nesta quinta, se entregou nesta tarde na 18ª DP, com seu advogado, Rafael Kulmann, que disse que deve entrar com pedido de habeas corpus no plantão judiciário para que ele seja solto. Questionado sobre se seu cliente diz ser inocente das acusações, Kulmann afirmou que ainda não conversou com ele sobre “o mérito da acusação”, apesar de já ter conseguido um habeas corpus para livrá-lo da prisão temporária na madrugada de terça-feira. O advogado disse que ainda está lendo a denúncia e que Pavão é taxista no Rio de Janeiro.

Além de Raymond Whelan, José Massih e Marcelo Pavão da Costa Carvalho, também foram denunciados Mohamadou Lamine Fofana, conhecido como “Lamine”; Alexandre Marino Vieira; Antonio Henrique de Paula Jorge, o “Henrique”; Sergio Antonio de Lima, o “Serginho”; Julio Soares da Costa Filho; Fernanda Carrione Paulucci; Ernani Alves da Rocha Junior, o “Junior”;  Alexandre da Silva Borges, vulgo “Xandy”; e Ozeas do Nascimento.

Nesta quinta-feira, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu a autonomia da Polícia e da Justiça brasileira ao comentar sobre as críticas da Match Services às autoridades brasileiras, que classificou como “abitrária e ilegal” a prisão de Whelan. 

Entenda o caso

De acordo com investigações da polícia reveladas nessa segunda, Raymond Whelan será indiciado como fornecedor de ingressos para o argelino Lamine Fofana, preso no Rio de Janeiro e apontado como o responsável por administrar o esquema da venda ilegal de bilhetes. Desde 20 de junho, houve cerca de 900 ligações de Whelan a Fofana. Nas gravações, ingressos para a final eram negociados por US$ 14 mil.

Junto ao argelino, outras 11 pessoas foram presas com auxílio de interceptação de conversas telefônicas. Isso teria levado os policiais a Ray Whelan.

Ele seria, portanto, o responsável por conseguir as entradas para revenda, muitas delas em locais muito visados como camarotes. Whelan não é funcionário da Fifa, mas tem atuação ligada à entidade, já que a Match negocia pacotes e credenciou hotéis para a Copa do Mundo. Phillip Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, é um dos acionistas.

“Esse era o nome que aparecia nas conversas”, disse uma fonte na Polícia Civil na condição de anonimato. O diretor da Match, a agência de viagens oficial da Fifa, teve a prisão temporária decretada pela Justiça a pedido da polícia, que temia que ele poderia tentar deixar o País. Whelan foi levado à 18ª Delegacia de Polícia para ser interrogado.

Em conversa informal com o delegado Fábio Baruck, Raymond diz que tem um contrato de compra de ingressos com Lamine Fofana, registrado em maio de 2013, e que não possui nenhuma irregularidade. Apesar das mais de 900 ligações interceptadas pela polícia entre eles, o inglês negou que estaria negociando ingressos para a Copa que está sendo realizada no País.

O inspetor Vicente Barros, da 18ª DP, afirmou que Whelan estava na área comum do hotel quando foi abordado pelo promotor Marcos Kac. Foram, então, juntos ao 5° andar, onde estava hospedado. Foi encontrado com ele cerca de cem ingressos para a Copa do Mundo, além de mil dólares em dinheiro. Ele não reagiu à prisão e afirmou ser inocente. Whelan está morando no Brasil há dois anos, embora não saiba falar português.

Na semana passada, a polícia havia informado que as investigações apontavam que ele tinha acesso ao quartel-general da entidade no hotel de luxo na zona sul do Rio de Janeiro, usava um cartão de estacionamento da Fifa para ter acesso a estádios e áreas reservadas. Teria ainda contatos dentro da entidade que lhe permitiam obter ingressos para serem negociados.

Após a execução da Operação Jules Rimet, com a prisão dos envolvidos no escândalo, a Fifa prometeu contribuir com as investigações e declarou ser improvável a participação de alguém ligado à entidade. O esquema de cambismo envolvia cifras milionárias e era planejado e executado há muitos meses. De acordo com a polícia, há possibilidade de que a operação tenha uma segunda etapa.

Após a prisão, a Fifa divulgou uma nota de esclarecimento, afirmando que continua colaborando plenamente com as autoridades locais e fornecerá todos os detalhes solicitados para auxiliar nesta investigação em andamento.

Fonte: Terra

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