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Balanço da era Dunga: vexames, goleadas e vitórias históricas

10 jun 2009
11h02
atualizado em 21/6/2018 às 18h01

Dunga não está na lista dos técnicos mais populares que já dirigiram a Seleção Brasileira. Mas não dá para negar que desde o segundo semestre de 2006 ele conseguiu alguns feitos com o time nacional. Tanto para bem, quanto para o mal.

A goleada por 4 a 0 sobre o Uruguai no último sábado encerrou um tabu de 33 anos sem vitórias da Seleção na casa do adversário. E durante esse tempo, técnicos populares, como Zagallo, Scolari e Parreira passaram por lá e não conseguiram vencer.

Mas a lista é mais ampla. Se vencer o Paraguai nesta quarta-feira e os resultados dos outros jogos forem favoráveis - empate do Uruguai e derrota do Equador, por exemplo - o Brasil estará muito próximo de garantir a vaga para a Copa do Mundo com três rodadas de antecedência (restam quatro para o fim da competição). Tranquilidade que, nos últimos classificatórios, só foi vista nas Eliminatórias para o Mundial de 2006. Para as Copas de 2002 e 94, por exemplo, o Brasil só garantiu a vaga na última rodada.

Além do bom desempenho nas Eliminatórias (só uma derrota), Dunga começou a colher alguns fregueses nesses três anos na comissão técnica. Foi no comando do ex-volante da Seleção que o Brasil venceu duas vezes a Argentina por goleada, sendo uma delas a final da Copa América de 2007. O desempenho do treinador só não é melhor contra os hermanos porque nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008, com a Seleção Sub-23, o Brasil perdeu a semifinal e viu os eternos rivais comemorarem o bicampeonato olímpico.

Mas a Era Dunga não viveu só de alegrias. Além de não conseguir a medalha de ouro em Pequim, o treinador colecionou alguns vexames. O maior deles foi a primeira derrota para a Venezuela. Até o amistoso do dia 6 de junho de 2008, as equipes haviam se enfrentado 16 vezes com 16 vitórias do Brasil. O período foi o pior de Dunga no comando da Seleção. Na seqüência, um apático Brasil na derrota por 2 a 0 para o Paraguai e o empate em 0 a 0 com o a Argentina no Mineirão. Com os resultados, o Brasil ficou em quinto na tabela de classificação.

A Era Dunga

Feitos positivos

Fim do tabu contra o Uruguai
Depois de 33 anos, o Brasil voltou a vencer no Uruguai. Com os 4 a 0 sobre o time celeste, a Seleção alcançou a liderança das Eliminatórias. Foi o pior resultados dos uruguaios em casa.

Freguesia dos rivais sul-americanos
Chile, Argentina, Uruguai e Equador foram os times que o Brasil mais enfrentou nesta Era Dunga. E contra todos eles o retrospecto é positivo. E com direito a goleadas.
Chile: 4 jogos, 4 vitórias e 4 goleadas
Equador: 4 jogos, 3 vitórias e 1 empate
Argentina: 3 jogos, 2 vitórias, 2 goleadas e 1 empate (1 derrota com o time Sub-23 na Olimpíada)
Uruguai: 3 jogos, 2 vitórias, 1 empate e 1 goleada

Bem contra seleções de ponta
O Brasil de Dunga fez amistosos contra seleções inexpressíveis. Mas ao mesmo tempo, quando enfrentou seleções de ponta, não deu vexames. Em jogos contra Portugal (perdeu no primeiro amistoso por 2 a 0 mas goleou no segundo por 6 a 2) e Itália (vitória por 2 a 0) as vitórias foram convincentes.

Visitante folgado
O Brasil com Dunga se tornou um visitante bem chato nas Eliminatórias. Foram 12 pontos conquistados em três vitórias, três empates e apenas uma derrota. Nas últimas três eliminatórias, o máximo que o Brasil conquistou foram duas vitórias.
Eliminatórias para a Copa de 2006
Campanha fora de casa: 2 vitórias, 5 empates e 2 derrotas
Eliminatórias para a Copa de 2002
Campanha fora de casa: 2 vitórias, 1 empate e 6 derrotas
Eliminatórias para a Copa de 1994
Campanha fora de casa: 1 vitória, 2 empates e 1 derrota

Vaga com antecedência
De 1993 para cá, só nas Eliminatórias para a Copa de 2006 o Brasil conseguiu uma folga e se garantiu na competição com dois jogos de antecedência. Mas nos classificatórios para 1994 e 2002 o sufoco foi grande. O Brasil só confirmou a presença na última rodada. Para 2010 a Seleção pode bater o recorde e se classificar a três jogos para o término da competição.

Feitos negativos

Convocações
Dunga disse que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pediu para ele garimpar jogadores. A região preferida para o garimpeiro Dunga foi o Leste Europeu.Invariavelmente as convocações eram recheadas de surpresas do futebol brasileiro (alguém se lembra do lateral do Santos Carlinhos, presente na quarta convocação e que disputou o último Paulista pelo Mirassol?) , de jogadores que estavam na Rússia ou Ucrânia (Elano, segundo jogador com mais convocações era do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, antes de mudar para o inglês Manchester City) e outros em clubes menores dos grandes centros do futebol europeu (o volante Fernando, do Bordeaux, e o atacante Bobô, do Besiktas, são exemplos).

O jogador símbolo do Dunga garimpeiro é o atacante Afonso Alves. Convocado pela primeira vez para os amistosos contra Turquia e Inglaterra, em junho de 2007, Afonso era a sensação do Campeonato Holandês jogando pelo Heereveen. Disputou a Copa América mas nunca caiu nas graças do torcedor. Conseguiu transferência para o Middlesbrough, da Inglaterra, mas desapareceu da Seleçã. E ainda teve de conviver com o rebaixamento no futebol inglês.

Primeira derrota para a Venezuela
Sob o comando de Dunga, o Brasil perdeu pela primeira vez, nos 39 anos de confronto, para a Venezuela. Em amistoso realizado nos Estados Unidos, a Seleção foi derrotada por 2 a 0. Até então, o confronto só tinha vitórias brasileiras. Foi o pior período do treinador. Na seqüência deste vexame, o Brasil foi apático e perdeu para o Paraguai fora de casa além de empatar sem gols com a Argentina nas Eliminatórias, resultados que deixaram a Seleção na repescagem para a Copa.

O confronto atualizado entre Brasil e Venezuela
Em 18 jogos, 17 vitórias do Brasil e 1 vitória para a Venezuela.

Anfitrião bonzinho
Se é um visitante chato e arranca ponto de seus adversários, quando joga em casa a Seleção parece decidida a retribuir. Mesmo ainda restando três jogos para fazer em casa, o Brasil ficará abaixo dos últimos classificatório mesmo se vencer todos os jogos que ainda restam.

Nos seis jogos que fez até aqui como mandante, A Seleção conquistou apenas 12 pontos com três vitórias e três empates. Apesar de invicto, é apenas a quarta melhor campanha.

Eliminatórias para a Copa de 2006
Campanha em casa: 7 vitórias e 2 empates.
Eliminatórias para a Copa de 2002
Campanha em casa: 7 vitórias, 2 empates
Eliminatórias para a Copa de 1994
Campanha em casa: 4 vitórias

Seca caseira
Foram três jogos seguidos sem marcar gols em jogos realizados no Brasil. Contra Argentina, Bolívia e Colômbia, a Seleção Brasileira deixou muito torcedor com raiva pelos empates em 0 a 0. A Seleção só voltou a marcar no Brasil em amistoso contra Portugal, em Brasília. E aí gastou tudo: seis gols. Nas Eliminatórias, os gols da Seleção voltaram na vitória por 3 a 0 sobre o Peru no dia 1º de abril. Pela competição foram longos 1 ano e quatro meses.

 

Fonte: Especial para Terra

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