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Governo rebate grito contra Copa: aqui não é paraíso da Fifa

24 abr 2014
16h06
atualizado às 16h47
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Governo promove série de debates em sedes da Copa para amenizar críticas
Governo promove série de debates em sedes da Copa para amenizar críticas
Foto: Bruno Santos / Terra

Em debate promovido em São Paulo nesta quinta-feira pelo governo federal para diminuir a quantidade de manifestações populares na Copa do Mundo, o secretário-geral da presidência Gilberto Carvalho rebateu a afirmação de que o Mundial tem sido um “paraíso para ladrões” no Brasil. Em meio a gritos contra o evento de junho, o secretário amenizou as críticas em torno da Copa.

"Quero alertar aos que dizem que o Brasil era incapaz de receber a Copa que há obras de infraestrutura espalhadas por todo o País. As obras são para o povo brasileiro. Estamos muito determinados a romper a desinformação ou a meia-informação que se formou na população com a ideia de que a Copa foi um paraíso para os ladrões, um paraíso da Fifa. Isso não é verdade”, afirmou Carvalho.

A declaração de Gilberto Carvalho ocorreu em evento na Casa de Portugal, que contava com a presença de Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo, e também de Júlio Semeghini, secretário estadual de planejamento.  A intenção do secretário da presidência  é ir em todas as sedes do Mundial promover debates com movimentos sociais para tentar explicar benefícios da Copa – em São Paulo, inúmeros movimentos marcaram presença e protestaram contra o Mundial, com gritos e faixas.

O representante do governo pedia a todo momento para que os reclamações – contra os gastos, contra a violência policial, além de gritos de “não vai ter Copa” – cessassem para que o debate ocorresse com troca de ideias de ambos os lados. Gilberto Carvalho, contudo, concordou que talvez seja tarde demais para explicar os benefícios do Mundial de 2014.

“Temos uma autocrítica. Demoramos sim para fazer esse diálogo. Sonegamos algumas informações e nem sempre a cobertura jornalística consegue dar esse conjunto de informações. Esses dados sobre o que se investiu na Copa, infraestrutura, saúde e educação, as pessoas não têm. Lamentamos isso. Concordo que demoramos, mas antes tarde do que nunca”, disse o secretário.

Presença de Forças Armadas para combater protestos violentos é estudada

Caso ocorram protestos violentos na Copa do Mundo, o governo deve utilizar as Forças Armadas. Gilberto Carvalho afirmou que espera manifestações pacíficas, mas lembrou que as “forças de apoio” estão na reserva e preparadas para qualquer eventualidade.

“Esperamos que as forças estaduais deem conta, mas devemos saber que as forças de apoio estão na reserva. Até porque na nossa avaliação não teremos atos de violência na Copa. Entendemos que a índole do povo brasileiro é uma índole de luta pacífica, democrática. Eles (manifestantes) podem protestar porque é uma democracia. Os estrangeiros que chegarem aqui vão ver que aqui é uma democracia pulsante e isso não é nenhum problema, muito pelo contrário”, explicou o secretário.

No evento em São Paulo, Gilberto Carvalho ainda pediu para que seja separado o que é protesto contra a Copa e o que é "oportunista" durante o Mundial. 

"Precisamos tomar cuidado em separar o que é típico da Copa e o que não é. As pessoas passaram a ir à rua e reinvindicaram os direitos. Essa gente tem consciência dos seus direitos e a Copa oportuniza esse aflorar de movimentos, mas nem tudo o que as pessoas exigem tem a ver com a Copa. São fatos e eventos da democracia brasileira. É bem provável que ocorram essas manfiestações. O turista não deve estranhar, mas sim ver que essa é a nossa democracia. É um ato louvável", comentou. 

Movimentos sociais protestaram contra a Copa durante debate
Movimentos sociais protestaram contra a Copa durante debate
Foto: Bruno Santos / Terra
Lei contra protestos é refutada

Em meio a movimentos sociais, Gilberto Carvalho confirmou que tem ouvido boatos no Congresso sobre a possibilidade da criação de uma lei para que as autoridades possam agir com maior rigidez contra as manifestações. No entanto, o secretário da presidência se mostrou contra tal atitude. 

"Estamos dialogando para que não haja nenhum tipo de mudança na legislação que venha a endurecer contra as manifestações. A presidente deixou claríssima essa preopcupação. Ela não acha que se deva tomar qualquer mudança legal, legislativa, que implique no endurecimento ou qualquer via autoritária. É a posição dela. E vamos apelar sempre para que o clima gerado na Copa, de festa, acolhimento e conforto, iniba esse tipo de manifestação que apele para a violência", disse Carvalho.  

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Fonte: Terra
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