Terra na Copa

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23 de novembro de 2012 • 19h22 • atualizado em 28 de Novembro de 2012 às 14h41

Índios da Aldeia Maracanã prometem resistir à desapropriação

Índios temem que sejam obrigados a deixar o prédio, apesar dos protestos
Foto: Mauro Pimentel / Terra
  • DIRETO DO RIO DE JANEIRO
 

Os índios da Aldeia Maracanã, localizada no interior do antigo Museu do Índio, ao lado do Estádio Jornalista Mário Filho, temem a desocupação iminente do prédio. As suspeitas se agravaram depois que viaturas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar rondaram o local no fim da tarde desta quinta-feira (22) fazendo imagens, movimentação filmada pelos índios que vivem no espaço.

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Com a decisão da presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), desembargadora Maria Helena Cisne, no último dia 13 de cassar as duas liminares que impediam a demolição do prédio e a retirada dos índios que ocupam o local é apenas uma questão de tempo até que o Estado retome o espaço.

“A polícia pode entrar a qualquer momento, e a Defensoria já foi oficialmente intimado da cassação das liminares”, afirma o defensor público responsável pelo caso, Daniel Macedo. A Defensoria Pública aguarda a agora a avaliação de um embargo de declaração que questiona a decisão de Cisne por desconsiderar o valor histórico do prédio e o Decreto Municipal 2.048 que considera tombada qualquer construção que tenha sido edificada até 1937 – o prédio é de 1910.

O cacique Carlos Tukano promete uma resistência pacífica, apesar de temer a ação da polícia. “Vamos resistir até o final, mas não estamos armados. Nossa resistência será pacífica, se houver violência vai partir deles (polícia)”, afirmou. “Esse prédio tem mais de um século de história, o Maracanã só 62 anos. Por que não derrubam o estádio e nos deixam em paz?”

O casarão ao lado do estádio abrigou, durante décadas, o extinto Serviço de Proteção ao Índio, criado pelo marechal Cândido Rondon, que mais tarde deu origem à Fundação Nacional do Índio (Funai), e também já foi sede do Museu do Índio. Atualmente, o prédio pertence ao governo do Estado que o negociou no fim de outubro com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a fim de que o local seja transformado em área de estacionamento e dispersão de público durante os eventos no Maracanã.

Em 2006, o prédio abandonado foi ocupado por cerca de 20 índios das de diversas etnias e passou a ser chamado de Aldeia Maracanã. Eles reivindicam que o local seja transformado em um polo de cultura para exibir tradições, comercializar artesanato e servir de hospedagem aos índios. No começo de novembro uma audiência pública para discutir o destino da área acabou em tumulto.

O secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, foi atacado pelos manifestantes com ovos e copos plásticos. O governo fluminense alega que a demolição do prédio é necessária para garantir a circulação dos torcedores durante a Copa do Mundo de 2014. A Federação Internacional de Futebol (Fifa), no entanto, negou que tenha pedido a demolição do espaço dentro das exigências internacionais para os jogos da Copa do Mundo de 2014.

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