Terra na Copa

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23 de novembro de 2012 • 21h23 • atualizado em 28 de Novembro de 2012 às 14h40

Irritação de Andrés antecede queda de Mano; conheça bastidores

Sanchez votou por permanência de Mano no cargo de técnico da Seleção Brasileira
Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press

Passava das 14h. Enquanto arrumávamos a parafernália para a transmissão da entrevista exclusiva com o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, a secretária saía da antessala de reuniões com sete bitucas de cigarro na mão direita. "O Andrés esteve aqui, ele fuma muito e deixa tudo pelo chão", comentou e sorriu com uma assessora do clube alvinegro. Mais tarde, o próprio dirigente confirmou a visita. "Conversamos sobre várias coisas (...) me emocionei. Se for para ter a presença, eu aguento os cigarros dele", brincou. Para "limpar" a sala do cheiro forte de alcatrão, foram acesas três varinhas de incenso com cheiro de flor de laranjeira.

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Andrés Navarro Sanchez, diretor de Seleções da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deixou o Parque São Jorge por volta das 13h (de Brasília), horário em que a nossa equipe subia para a entrevista. O destino era a sede da Federação Paulista de Futebol (FPF). Quem o viu passar diz que estava irritadiço. Quem falou com ele ouviu a seguinte frase quando perguntado sobre a vida no Rio de Janeiro. "Não aguento mais aquilo lá". Horas depois soubemos o motivo da irritação.

Ainda antes de irmos "para o ar", às 14h50, Gobbi foi chamado pelo assessor de imprensa do Corinthians para uma rápida conversa. Reservada e a portas fechadas. Esperamos. Gobbi voltou sorridente e deu uma agradável entrevista de quase uma hora sem que ninguém do clube nos interrompesse (marcamos apenas 30 minutos de conversa). Não se sabe se o bate-papo era sobre a saída de Mano Menezes, mas o assessor foi direto ao CT Joaquim Grava. Tite virou um dos nomes da vez e ao contrário do habitual, não deu entrevista coletiva após o treino da tarde.

Assim que encerramos, o telefone tocou. Uma fonte disse que Mano estava caindo em uma reunião na Federação Paulista. A ficha caiu de todo o processo narrado acima. A redação foi contatada, a equipe enviada ao local. Mais tarde, no caminho de volta ao quartel general, tento ligar para uma pessoa próxima a Andrés. Minutos depois a pessoa retorna a ligação com o sinal entrecortado e diz: "o Andrés vai ficar, mas só por enquanto..."

Dez minutos depois, um diretor de Seleções vendido e vermelho de raiva assume a posição contrária à demissão de Mano Menezes do comando da Seleção Brasileira. "Acho que não era a hora ainda. Foi uma decisão do presidente". Grosserias e mais grosserias com os repórteres denotavam a mesma irritação da saída do Parque São Jorge.

Depois do furacão, novamente o telefone tocou. Na conversa, elogios à postura na entrevista. "Acho que ele não vai ficar muito tempo por lá", disse o interlocutor do outro lado da linha. Agora, a próxima aparição de Andrés Sanchez será no Rio de Janeiro, na segunda-feira pela manhã, ao lado de Mustafá Contursi.

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