Irritação de Andrés antecede queda de Mano; conheça bastidores

Marcelo do Ó
Direto de São Paulo
atualizado em 28/11/2012 às 14h40
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Passava das 14h. Enquanto arrumávamos a parafernália para a transmissão da entrevista exclusiva com o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, a secretária saía da antessala de reuniões com sete bitucas de cigarro na mão direita. "O Andrés esteve aqui, ele fuma muito e deixa tudo pelo chão", comentou e sorriu com uma assessora do clube alvinegro. Mais tarde, o próprio dirigente confirmou a visita. "Conversamos sobre várias coisas (...) me emocionei. Se for para ter a presença, eu aguento os cigarros dele", brincou. Para "limpar" a sala do cheiro forte de alcatrão, foram acesas três varinhas de incenso com cheiro de flor de laranjeira.

Sanchez votou por permanência de Mano no cargo de técnico da Seleção Brasileira
Sanchez votou por permanência de Mano no cargo de técnico da Seleção Brasileira
Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press

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Andrés Navarro Sanchez, diretor de Seleções da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deixou o Parque São Jorge por volta das 13h (de Brasília), horário em que a nossa equipe subia para a entrevista. O destino era a sede da Federação Paulista de Futebol (FPF). Quem o viu passar diz que estava irritadiço. Quem falou com ele ouviu a seguinte frase quando perguntado sobre a vida no Rio de Janeiro. "Não aguento mais aquilo lá". Horas depois soubemos o motivo da irritação.

Ainda antes de irmos "para o ar", às 14h50, Gobbi foi chamado pelo assessor de imprensa do Corinthians para uma rápida conversa. Reservada e a portas fechadas. Esperamos. Gobbi voltou sorridente e deu uma agradável entrevista de quase uma hora sem que ninguém do clube nos interrompesse (marcamos apenas 30 minutos de conversa). Não se sabe se o bate-papo era sobre a saída de Mano Menezes, mas o assessor foi direto ao CT Joaquim Grava. Tite virou um dos nomes da vez e ao contrário do habitual, não deu entrevista coletiva após o treino da tarde.

Assim que encerramos, o telefone tocou. Uma fonte disse que Mano estava caindo em uma reunião na Federação Paulista. A ficha caiu de todo o processo narrado acima. A redação foi contatada, a equipe enviada ao local. Mais tarde, no caminho de volta ao quartel general, tento ligar para uma pessoa próxima a Andrés. Minutos depois a pessoa retorna a ligação com o sinal entrecortado e diz: "o Andrés vai ficar, mas só por enquanto..."

Dez minutos depois, um diretor de Seleções vendido e vermelho de raiva assume a posição contrária à demissão de Mano Menezes do comando da Seleção Brasileira. "Acho que não era a hora ainda. Foi uma decisão do presidente". Grosserias e mais grosserias com os repórteres denotavam a mesma irritação da saída do Parque São Jorge.

Depois do furacão, novamente o telefone tocou. Na conversa, elogios à postura na entrevista. "Acho que ele não vai ficar muito tempo por lá", disse o interlocutor do outro lado da linha. Agora, a próxima aparição de Andrés Sanchez será no Rio de Janeiro, na segunda-feira pela manhã, ao lado de Mustafá Contursi.

Terra

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