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Irritado, Marin nega elo com morte de Herzog e vai processar Romário

Presidente da CBF disse que não incentivou prisão de jornalista nos tempos da ditadura, e que acionará deputado na Justiça por declarações

7 mar 2013
15h28
atualizado às 16h17
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Marin se exaltou ao falar sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog
Marin se exaltou ao falar sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog
Foto: Mauro Pimentel / Terra

José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) para a Copa do Mundo de 2014, desafiou a imprensa e prometeu acionar na Justiça os que o acusam de ter participação, por meio de um discurso, na prisão e posterior morte do jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura, nos tempos da ditadura. Ele também entrará com processo contra o deputado federal Romário por suas declarações na última quarta-feira, ao assumir a presidência da Comissão de Turismo e Desportos da Câmara dos Deputados.

"Há um discurso feito na Assembleia Legislativa em 1975, e que foge totalmente essa parte ao assunto citado pelo jornalista. Nenhuma relação com o nome citado (Vladimir Herzog), e muito menos com o assunto citado", afirmou Marin, bastante exaltado na mesa de entrevistas, após a penúltima reunião de preparativos para a Copa das Confederações, no Brasil, daqui a 100 dias.

Marin era deputado estadual da Arena, partido da ditadura militar, no ano em que o jornalista foi morto nos porões da ditadura. Um discurso de 9 de outubro de 1975, divulgado pelo jornalista Juca Kfouri, mostra o hoje dirigente pedindo "providências para o que está acontecendo no canal 2" - no caso a TV Cultura, canal dirigido por Herzog. "Pois ou o jornalista está certo, ou o jornalista está errado. O que não pode é continuar essa omissão (...). É preciso mais do que nunca uma providência para que a tranquilidade volte a reinar nesta Casa e nos lares paulistanos", diz ainda o documento.

"Estou com a consciência totalmente tranquila. Isso faz parte de uma intriga lançada por um colega seu (Juca Kfouri), e que vai responder na Justiça", declarou o presidente da CBF, que incitou o repórter do evento a comprovar qualquer relação sua com o episódio, tema de documentários e que virou símbolo das torturas. Na época, Vladimir Herzog, para a ditadura, havia se suicidado enforcado com o cinto, na própria cela, mas documentos que vieram à tona recentemente comprovaram que o jornalista foi vítima de tortura, fato que já consta na nova certidão de óbito a que a família teve direito.

"Desafio que você me traga um documento em que eu tenha citado alguma vez essa pessoa na minha vida, e que eu tenha feito menção a esses acontecimentos. Se quiser mais detalhes, dou o cartão dos advogados que estão tratando do caso", completou, irônico.

Romário x Marin

Romário detona e chama presidente da CBF de ladrão

José Maria Marin foi mais sucinto, porém, ao falar sobre as acusações do deputado federal Romário (PSB-RJ), que, ao ser eleito por unanimidade para assumir a presidência da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, disse que "esse presidente tem o passado ligado à ditadura, não tem moral para criticar. Dá pena ver a CBF passando suas diretorias de um ladrão para outro. Um cara que rouba medalhas e energia de um vizinho não tem moral para falar de Romário ou de qualquer deputado".

"Não é o momento nem local apropriado, minha resposta será dada na Justiça. Não quero polêmica, principalmente em referência ao assunto que está sendo abordado", completou o dirigente, que já lançou farpas ao ex-atleta ao dizer que Romário "foi um grande jogador, mas inexpressivo como deputado".

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Fonte: Terra
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