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Líder do governo despreza Valcke: "Senado convidou Blatter"

4 abr 2012
20h25
atualizado em 5/4/2012 às 00h17
Elaine Lina
Direto de Brasília

Líder do governo, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) informou nesta quarta-feira que Joseph Blatter, presidente da Fifa, não consultou o Senado se poderia repassar o convite a Jérôme Valcke para participar de audiência pública sobre a Copa do Mundo.

» Quem está envolvido na Copa de 2014 merece levar um chute no traseiro?

"O convite era pra o Blatter. Caberia a ele ter consultado o Senado se poderia declinar e estabelecer outra pessoa", disse Braga, negando que a presença de Valcke tenha sido vetada. "Não foi recusado. Nosso convite não era para ele. O Senado não convidou o Antônio, a Maria ou o José. Convidou o Blatter. O Blatter, sem consultar o Senado, disse 'eu não posso ir... e vai o Antônio'", explicou.

Secretário-geral da Fifa, Valcke faria a sua primeira visita ao Brasil depois da polêmica declaração de que o País precisava de um "chute no traseiro" para acelerar a organização da Copa de 2014. Entretanto, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte rejeitou na terça a presença do francês.

Valcke já havia confirmado presença no evento. Um novo convite será encaminhado a Blatter para que o presidente da Fifa compareça. "Ele vem se quiser, é convidado. Se quiser vir em 2015, depois da Copa, também pode vir, não tem problema", minimizou o líder do governo no Senado Federal.

A senadora Ana Amélia, uma dos três relatores da Lei Geral da Copa - que agora tramita no Senado -, disse que as declarações do "sujeito" (referindo-se a Valcke) foram desrespeitosas com o povo brasileiro e que não gostaria de estender um tapete vermelho para "essa figura".

"Foram declarações intempestivas que desrespeitaram não apenas o governo, mas também a todo o povo brasileiro. Então, estender um tapete vermelho para essa figura não seria conveniente neste momento", disse a senadora que, assim com o líder Eduardo Braga, não citou o nome de Valcke.

A senadora reiterou ainda que era preciso garantir a decisão do ministro do Esporte, Aldo Rebelo."O ministro Aldo já declarou que ele não seria interlocutor para temas da Copa, e se o aceitássemos aqui estaríamos todos avalizando esse personagem como o interlocutor", concluiu.

Senador da oposição e líder tucano, Alvaro Dias (PSDB) voltou a repetir que concorda com as críticas do secretário da Fifa e que tem razão em denunciar atrasos em obras e demonstrar preocupação.

"Eu não participei da reunião, não me cabe julgar. Mas isso de usar como justificativa que ele seria uma figura secundária na Fifa e que a casa quer ouvir o presidente não se justifica. Se o governo já conversou com ele, já se reuniu com ele na Bélgica, qual motivo de uma comissão do Senado não poder se reunir?", questionou o tucano, mas não sem antes brincar com a polêmica. "Ele tem nosso aval, a questão é se ele usa chuteira ou não usa".

Entenda a polêmica

Em entrevista concedida em 2 de março, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que os organizadores do Mundial de 2014 precisavam de um "pontapé na bunda" para as obras da Copa do Mundo andarem no País, e afirmou que os preparativos brasileiros estão em "estado crítico".

As palavras não foram bem recebidas pelo governo brasileiro, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou em 3 de março que não quer mais Valcke como interlocutor da Fifa para os assuntos relacionados à Copa de 2014. "As declarações são inaceitáveis, inadequadas para o governo brasileiro", disse Rebelo.

Não é de hoje que Valcke enfrenta rusgas com as autoridades brasileiras. Em comunicado publicado no site da Fifa, o secretário pediu rapidez com a aprovação da Lei Geral da Copa: "o texto deveria ter sido aprovado em 2007 e já estamos em 2012", declarou.

No dia 5 de março, Aldo Rebelo enviou à Suíça uma carta solicitando um novo interlocutor entre o governo brasileiro e a entidade máxima do futebol mundial. De acordo com o ministro do Esporte, "a forma e o conteúdo das declarações escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmônica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a Fifa".

No mesmo dia, Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, também atacou as palavras de Valcke, chamando o secretário-geral da Fifa de "deselegante". "Foi uma declaração que merece na verdade é que a gente dê um chute daqui para lá de volta e que se repudie qualquer declaração desse nível", opinou Maia.

Posteriormente, Valcke publicou carta em que se desculpava pelo incidente que classificou como um mal entendido. Segundo o dirigente da Fifa, o que houve não passou de um erro de tradução, e o Brasil segue seguro como "única opção para sediar a Copa do Mundo".

Aldo Rebelo aceitou o pedido de desculpas, mas disse que "este tipo de episódio não pode se repetir". Ficou ainda acertada uma renião de Blatter com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ocorrida na sexta-feira dia 16 de março. Nela, as diferenças foram discutidas e o mandatário da Fifa pediu tempo para resolver o problema Valcke.

Em 3 de abril, porém, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado vetou a presença de Valcke em uma audiência publicada para a qual o presidente da Fifa, Joseph Blatter, havia sido convidado. Valcke substituiria Blatter na reunião que trataria dos preparativos para a Copa de 2014 e da Lei Geral da Copa. O secretário da Comissão, Júlio Linhares, afirmou que a audiência acontecerá em outra data para possibilitar a presença de Blatter. Já a Fifa declarou apenas que não comenta sobre o assunto.

Eduardo Braga se recusou a mencionar o nome de Jérôme Valcke
Eduardo Braga se recusou a mencionar o nome de Jérôme Valcke
Foto: Eduardo Lopes / Especial para Terra
Fonte: Terra

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