Mais de 2.000 famílias são removidas por obras da Copa em PE

26 ago 2013
07h34 atualizado às 07h35
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<p>Moradores do Coque propõem trajeto alternativo que não prejudicaria os 58 imóveis que estão sendo desapropriados na comunidade</p>
Moradores do Coque propõem trajeto alternativo que não prejudicaria os 58 imóveis que estão sendo desapropriados na comunidade
Foto: Eduardo Amorim / Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra

Quantas famílias estão sendo desapropriadas pelas obras da Copa em Pernambuco? Essa simples pergunta pode ter mais de uma resposta. Para o Governo do Estado, sem contar as desapropriações que foram realizadas nos dois terrenos, onde já foi construída a Arena Pernambuco, existem 467 processos dos quais apenas 68 ainda estão em negociação (judicial ou administrativa). Já a Prefeitura do Recife, que executa a principal obra viária do projeto (Via Mangue), reassentou 992 famílias, indenizou outros 544 imóveis, negocia 26 e analisa se será necessário utilizar a área de outros 15, todos localizados na Zona Sul do Recife.

Ou seja, em uma soma simples, são mais de 2.000 famílias que saíram ou terão de sair de seus imóveis por conta das obras do Mundial de 2014 em Pernambuco. Mas a dúvida começa quando se tenta chegar a um número exato. A reportagem do Terra foi entrevistar o procurador geral do Estado, Thiago Arraes de Alencar Norrões, para tentar chegar a uma conclusão.

O Governo de Pernambuco admite como obras de sua responsabilidade na mobilidade da Copa do Mundo o Ramal da Copa, Corredor Leste-Oeste, Terminais Integrados de Camaragibe e Cosme e Damião e Corredor Norte- Sul (Avenida Cruz Cabugá e Transnordestina). Com isso, fica claro que a posição do poder público estadual é de encarar as obras que estão sendo realizadas para o acesso ao Terminal de Passageiros do Joana Bezerra, no Coque, como obras de mobilidade que não tem relação necessariamente com o Mundial de 2014.

O movimento Coque (R)Existe realizou um vídeo para denunciar a situação das famílias que estão tendo de deixar suas casas por conta das obras no bairro, que liga o Centro do Recife à Zona Sul e é marcado pela pobreza e resistência. “A gente não só está considerando como fomos numa reunião na Procuradoria Geral do Estado e eles afirmaram que a ampliação do acesso viário (ao TI Joana Bezerra) fazia parte do conjunto de obras para o acesso à Arena Pernambuco. Portanto é uma obra ligada à Copa sim”, diz Cleiton Barros, um dos realizadores do curta.

Um grupo de moradores do Coque fez protesto em frente ao gabinete provisório do governador Eduardo Campos, no Centro de Convenções, na última quinta-feira, e conseguiu marcar uma reunião nesta segunda-feira com representantes do poder público estadual. Eles querem mostrar um projeto alternativo, que não mexeria nas 58 casas que devem ser removidas para facilitar o acesso a um dos principais terminais de integração do metrô do Recife (Joana Bezerra).

Os números do Governo do Estado não incluem ainda as duas desapropriações realizadas em São Lourenço da Mata, que já foram efetivadas, e geraram os terrenos onde foi construída a Arena Pernambuco e no futuro será iniciado o projeto imobiliário da Cidade da Copa. As áreas eram do poder público, mas haviam famílias ocupando e foi necessário realizar o processo formal por conta do endividamento da empresa que era proprietária do terreno, além dos processos de reintegração de posse.

“O terreno era da Perpart, que é uma empresa, uma sociedade de economia mista, e na verdade a gente desapropriou da Perpart. É isso. Mas em paralelo a Cehab fez uma negociação com essas 200 e poucas famílias, tinha granja, tinha gente que tinha casa de final de semana... Tinha gente com dinheiro”, explica o procurador. A aquisição dos terrenos foi necessária, segundo o gestor, porque a Perpart é endividada. Com isso, foi preciso fazer o processo judicial para possibilitar os investimentos. Já as famílias, que o procurador não soube precisar o número, receberam indenizações para deixarem seus imóveis, a maioria aceitou as propostas administrativamente e pouquíssimos processos judiciais ainda estão em andamento.

Apesar de ter apenas uma obra, a Prefeitura do Recife teve de realizar o maior número de desapropriações. Para executar a Via Mangue, segundo a assessoria de imprensa do Governo Municipal, no total foram realizadas 1.536 desapropriações de imóveis. Neste caso, a grande maioria (992 famílias) passou a morar nos residenciais Via Mangue 1, 2 e 3 e outras 544 receberam R$25,4 milhões em dinheiro. Ainda existem 26 processos em negociação e outros 15 que a empresa responsável pelo projeto reavalia se serão necessários para a construção da via.

O Observatório das Metrópoles promove a partir do próximo dia 29, na UFPE (Auditório Dênis Bernardes, do CCSA), o I Seminário Metropolização e Megaeventos: Impactos da Copa do Mundo 2014 na Região Metropolitana do Recife. No encontro, serão apresentados estudos desenvolvidos pelo Observatório das Metrópoles, tendo como foco a Região Metropolitana do Recife e como ponto de partida a proposta da nova centralidade urbana que está sendo criada (a Cidade da Copa - 1ª Smart City da América Latina) avaliando também seus efeitos sobre o território, sobre a dinâmica da cidade e sobre a vida das pessoas.

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Fonte: Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra
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