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RJ: demolição da cobertura do estádio do Maracanã é iniciada

17 mai 2011
03h09
atualizado às 03h14

Começou na segunda-feira a demolição da cobertura do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. No último dia 6, a Secretaria Estadual de Obras afirmou que a derrubada da marquise só começaria na primeira semana de junho. Em entrevista a O DIA, a espanhola María del Carmen Andrade, uma das maiores especialistas do mundo em estruturas, que em janeiro fez avaliação técnica do Maracanã por encomenda do Estado, confirmou ontem problemas estruturais nas marquises, mas afirmou que demolir não era a única opção.

"Apresentavam certo nível de deterioração na estrutura, que precisava ser reparada. Algo tinha que ser feito. Mas demolir não era imprescindível, também poderiam ser feitos reparos", afirmou a especialista que, antes do parecer, analisou resultados de estudos feitos pelos engenheiros brasileiros responsáveis pela obra.

Ao tomar a decisão de pôr a cobertura abaixo, o governo argumentou que a estrutura estaria condenada. No início da tarde de ontem, operários já haviam retirado partes do teto do estádio.

O procurador Maurício Andreiuolo, do Ministério Público Federal (MPF), se disse perplexo com a antecipação dos trabalhos e prometeu ir à Justiça para averiguar o caso. A destruição da marquise começou dois dias depois de o Informe do DIA noticiar que o MPF havia tomado medidas para tentar impedir a descaracterização do estádio. Em ofícios enviados na sexta-feira a vários órgãos e autoridades - entre elas, o Iphan e o governador Sérgio Cabral -, Andreiuolo recomendou "o estrito cumprimento da legislação" em relação às obras, "em especial aos limites impostos pelo tombamento" do estádio, ocorrido há 11 anos.

Na segunda, o procurador Andreiuolo, à frente de inquérito civil público para apurar irregularidades na reforma, afirmou estudar medidas judiciais para suspender a demolição e averiguar responsabilidades. Nos ofícios, ressaltou que a legislação proíbe demolir, destruir ou mutilar bens tombados.

Mudança de Planos
O projeto original da reforma do Maracanã previa complementação da cobertura original. Mas, em março, o estado anunciou que toda a estrutura seria demolida. Afirmou que, de acordo com laudos encomendados a empresas especializadas, o teto do estádio estava condenado. Em abril, o superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Carlos Fernando Andrade, autorizou, sem consulta ao corpo técnico do órgão, a substituição da marquise por cobertura de lonas tensionadas.

Prestação de contas hoje
Presidente da Empresa de Obras Públicas do estado (Emop), Ícaro Moreno Júnior, que coordena os trabalhos no Maracanã, foi intimado a prestar esclarecimentos ao MP. Procurado por O DIA, ele não concedeu entrevista por estar se preparando para apresentar, nesta terça, em Brasília, o projeto das obras ao Tribunal de Contas da União (TCU), que questiona o orçamento.

Em março, o TCU e a Controladoria Geral da União criticaram as informações sobre a reforma no estádio. É necessário o aval do TCU para que o BNDES libere R$ 400 milhões para a empreitada. A obra inicialmente em R$ 705 milhões deverá passar de R$ 1 bilhão devido às mudanças no projeto.

Estado diz que recuperação ficaria cara
Vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão negou, ontem, que o início da derrubada da marquise do Maracanã tenha sido antecipada em função das ações do MPF. Segundo ele, a demolição havia começado há vários dias, com escavação externa da sustentação da cobertura. Ressaltou que o ritmo das obras foi acelerado nos últimos dias e reafirmou que laudos detectaram problemas graves da estrutura. Segundo ele, seria muito cara e demorada a recuperação do teto.

Ontem, o MP ajuizou processo contra o ex-ministro dos Esporte Agnelo Queiroz, o vice-presidente do COB, o ex-presidente da Caixa Jorge Eduardo Mattoso, o Comitê Organizador do Pan 2007 e a construtora Agenco, por fraude no aluguel dos apartamentos da Vila do Pan 2007. O valor pago foi 62% maior.

Fonte: O Dia
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