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Senadores retiram assinaturas e derrubam CPI da CBF

Senador pretendia também investigar desonerações para a Copa do Mundo

5 nov 2013 17h57
| atualizado às 18h29
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Senadores derrubaram nesta terça-feira o requerimento que pedia a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar abusos de poder econômico nas eleições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e gastos de obras da Copa do Mundo de 2014. O pedido foi rejeitado porque nove senadores retiraram assinaturas para a abertura da CPI, ficando abaixo do exigido pelo Senado.

O pedido de abertura da CPI foi protocolado pelo senador Mário Couto (PSDB-PA) e contava, na semana passada, com a assinatura de 33 parlamentares – acima das 27 necessárias. A leitura do requerimento que criava a comissão estava marcada para hoje.

Apesar de ter sido chamada de CPI da CBF, o requerimento incluía a previsão de investigar desonerações fiscais do governo federal para obras da Copa do Mundo, o que não era de interesse dos governistas em um ano também com eleições presidenciais. 

Retiraram as assinaturas os senadores Ivo Cassol (PP-RO), Lobão Filho (PMDB-MA), João Alberto (PMDB-MA), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Cícero Lucena (PSDB-PB), Wilder Morais (DEM-GO), Clésio Andrade (PMDB-MG), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Paulo Davim (PV-AC).

A derrubada da CPI gerou uma discussão acalorada entre o autor do requerimento e o senador Zezé Perrella (PDT-MG), que já foi presidente do Cruzeiro. “Sei eu que o Senador Perrela procurou alguns Senadores para retirarem as assinaturas dos requerimentos que continham uma formalidade legal sobre o que o povo brasileiro gostaria de saber, que eram as corrupções que existem dentro das federações estaduais e dentro da Confederação”, disse Couto. “Seja homem e não se envergonhe. Vossa Excelência é amigo do cara (o presidente da CBF, José Maria Marin) e não quer CPI aqui!”, gritou o senador tucano, apontando para Perrella, que estava a seu lado.

Perrella, por sua vez, disse que Mário Couto queria abrir a CPI por ter tido um problema “pontual” no seu Estado, o Pará. “Obviamente, ele não conseguiu fazer uma CPI na Federação Paraense de Futebol e resolveu fazer uma CPI na Confederação Brasileira de Futebol, obviamente, para tentar arrastar a Federação Paraense de Futebol nesta CPI”, disse.

Para o ex-dirigente, não seria bom abrir uma CPI às vésperas da Copa do Mundo. “É preciso que o povo brasileiro entenda que, para se fazer uma CPI, são necessárias 27 assinaturas. O Mário Couto conseguiu 33, mas oito ou nove Senadores retiraram as assinaturas (...). Então, há 66 que não querem CPI nesta Casa; há 66 que não querem CPI. Segundo o Senador Mário Couto, 66 não são sérios porque não querem CPI”, disse.

O requerimento pedia para que a comissão fosse criada para apurar denúncias como "a compra de votos dos presidentes de federações à reeleição de presidente da CPI; transferências irregulares de recursos às Federações e demais desvios de verbas que culminam com a perpetuação de vários dirigentes nos cargos; renúncias fiscais favorecendo a entidade e sistemas de infraestrutura de cidades-sede da Copa do Mundo", entre outras.

O pedido também afirmava ser importante apurar denúncias de irregularidades sobre critério de divisão dos lucros do Mundial em 2014 e acordos firmados entre a CBF e redes de TV.

Fonte: Terra
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