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Técnico do Uruguai diz que Suárez foi 'bode expiatório'

27 jun 2014
20h11
atualizado às 21h48

A decisão da Fifa de suspender Luis Suárez por nove partidas com a seleção do Uruguai, o que tirou o atacante da Copa do Mundo no Brasil, foi de "uma severidade excessiva" porque a instituição procurava um "bode expiatório", disse nesta sexta-feira o técnico uruguaio Óscar Tabárez.

"Com esta decisão, quem ganha? Quem perde? Quem se beneficia? Quem sai prejudicado? Não vou responder isto mas quero saber: a partir deste tipo de decisão tão severa vão conseguir evitar todos os excessos? Duvido muito!" - alfinetou Tabárez na entrevista coletiva concedida no Maracanã na véspera do jogo entre Uruguai e Colômbia pelas oitavas de final.

A Fifa suspendeu Suárez por nove partidas oficiais com a seleção por morder o zagueiro italiano Giorgio Chiellini durante o jogo entre Uruguai e Itália (1-0), pelo Grupo D do Mundial. A pena inclui ainda um afastamento de quatro meses de atividades ligadas ao futebol, além de uma multa de 112 mil dólares.

"É uma decisão que, evidentemente, está muito mais voltada para o bombardeio da mídia, que explorou isto imediatamente após o final da partida".

"Assim como está de acordo com a pressão da mídia, está distante de um tratamento objetivo do que apresentam as imagens" sobre o incidente. "Todos sabem que (Suárez) já foi punido antes e que cumpriu as sanções. Mas isto, parece que é um assédio eterno".

Suárez já havia sido suspenso por 10 partidas em abril do ano passado, quando mordeu o sérvio Branislav Ivanovic durante uma partida entre Liverpool e Chelsea. Em 2010, quando era jogador do Ajax de Amsterdã, foi punido com sete partidas após uma mordida no jogador Otman Bakkal, do PSV Eindhoven.

"Todos sabem onde está o poder. Isto não se discute, o poder está com o organizador, mas isto não significa aceitar o uso indiscriminado deste poder, especialmente por parte de um órgão que deve fazer justiça. Como treinador, como professor que fui, acredito na teoria do bode expiatório".

Tabárez reconheceu que Suárez cometeu um erro e merecia ser castigado, mas destacou que "há o perigo de se esquecer que o bode expiatório é uma pessoa, que tem direitos e que pode errar, e que já fez muito dentro de campo".

Na mesma entrevista, Tabárez anunciou que abandonará seu cargo na comissão estratégica da Fifa devido à decisão da entidade de suspender Suárez.

"Nos próximos dias apresentarei a renúncia. Sinto que devo me afastar deste cargo. Não é prudente conviver com pessoas que pressionaram para promover esta decisão (de suspender Suárez) e que têm critérios e valores muito diferentes dos meus".

A comissão estratégica é integrada por diversas personalidades do futebol, como o técnico espanhol Vicente del Bosque, o alemão Karl-Heinz Rummenige e o uruguaio Eugenio Figueredo, atual presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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