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Zinho lembra homenagem a mãe em 94 e mágoa por "enceradeira"

4 jun 2014
13h43
atualizado às 13h44
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Zinho jamais foi um meia badalado na Seleção Brasileira. Não foi elogiado como Gérson, Didi ou Rivaldo, mas comandou o meio de campo do Brasil em uma conquista de Copa do Mundo, assim como o trio citado. Em 1994, o jogador revelado pelo Flamengo era uma das peças de confiança de Carlos Alberto Parreira e contribuiu na base que permitia a Bebeto e Romário decidir na frente.

Zinho festeja conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994
Zinho festeja conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994
Foto: AP

Zinho festeja conquista do tetracampeonato nos Estados Unidos em 1994 (Foto: AP)

Mesmo assim, o trabalho de Zinho não era sempre apreciado, e o atleta chegou a receber o apelido de "enceradeira" por conta de seu estilo de jogo. Em entrevista ao Terra, o ex-meio-campista, que atualmente é gerente de futebol do Santos, conversou sobre a conquista do tetracampeonato e admitiu mágoa pela maldosa alcunha.

"Acho que isso não é humor, é humor negro que você faz os outros rirem tripudiando de alguém. Humor legal é o humor criativo, o que o cara cria um personagem. Quando cria um personagem em cima de uma pessoa, que faz com que a pessoa sofra, ou a família dessa pessoa sofra, aí não acho legal", disse Zinho.

O ex-jogador ainda lembrou sobre os momentos difíceis que enfrentou nos meses antes da Copa dos Estados Unidos. Zinho perdeu a mãe no mesmo dia em que o Brasil garantiu presença no Mundial, com a vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, no Maracanã, em 1993, e revelou em quem pensou quando o tetra foi consolidado.

"Teve aquela coisa de dedicar ao Ayrton Senna, mas eu nem participei muito ali de levantar a bandeira porque estava mentalizando outra coisa, de homenagear a minha mãe. Estou falando agora isso, nunca comentei antes, mas no campo o meu pensamento, para não destoar pelo grande ídolo que era o Senna, preferi homenagear a minha mãe ocultamente comigo mesmo, além dos meus familiares que sabiam o que representava aquela conquista já que a minha mãe foi fundamental para que me tornasse um jogador profissional", contou o ex-meio-campista.

Confira a seguir na íntegra a entrevista com Zinho:

Terra - O quanto que a conquista da Copa de 1994 marcou sua carreira? Foi o título mais importante?
Zinho -

Zinho foi titular em todos os jogos da conquista do tetra
Zinho foi titular em todos os jogos da conquista do tetra
Foto: Getty Images
Eu valorizo todos os títulos, foram vários, mas a Copa do Mundo é o ápice, é o momento especial do atleta profissional. O sonho de todo mundo é jogar por seu País e participar de uma Copa do Mundo, conquistar é para poucos. A conquista, posso dizer, que não foi a que saboreei mais ou que me diverti mais, mas em grau de importância, para o currículo, para a minha história, a Copa do Mundo, sem dúvida, é a maior.

Terra - Você já atuou em grandes times em sua carreira, mas a Seleção de 1994 foi o mais bem preparado taticamente?
Zinho -
Em termos de obediência tática, sim. De todos os grupos que participei e até mesmo na Seleção, porque trabalhei com outros treinadores. Para aquela competição específica foi traçado um esquema tático de jogo e todos os jogadores cumpriam suas funções. Então, a obediência tática foi a que mais tive que me empenhar, mais até do que o início de carreira, quando você é garoto e cumpre à risca taticamente o que o treinador fala porque você quer um espaço no time. E essa Seleção Brasileira, sem dúvida, foi isso.

Terra - Como era sua conversa com o Parreira? Qual a função que ele pedia para você desempenhar? Tinham muitas conversas em campo? O que ele lhe pedia?
Zinho -
Sem dúvida, a minha característica de jogo nos clubes era bem diferente do que eu executava na Seleção. Não que eu não tivesse função tática nos clubes, tinha sim, mas com a bola existia uma liberdade maior de movimentação, de criatividade. Naquela Seleção tínhamos, pelo pedido do Zagallo e do Parreira, uma função mais específica mesmo com a bola de movimentação mais restrita em prol de uma filosofia que a comissão técnica tinha, e que acreditava, e que todos abraçando a coisa poderia acontecer positivamente, como aconteceu. O objetivo ali era conquistar, vencer, e depois de 24 anos voltamos a conquistar e ocupar um lugar de destaque no cenário mundial. Tudo recomeçou ali, em 1994. Não digo que foi um sacrifício, pois representar o seu País, jogar pela Seleção em uma Copa é um privilégio, uma honra, mas houve uma obediência maior, uma mudança de estilo em prol de um conjunto. Para criar uma liberdade maior ao Bebeto e ao Romário precisaríamos de uma dedicação maior minha e do Raí, depois com o Mazinho, junto com o Dunga e o Mauro Silva, porque tínhamos dois laterais ofensivos, apesar do Jorginho marcar melhor que o Leonardo. Depois, entrou o Branco, que se posicionava melhor defensivamente. Mas o início da Copa, com o Leonardo que tinha o potencial mais alto de ataque e não de defesa, precisaram de uma contribuição ainda maior minha.

Terra - O que mudou para você depois da suspensão do Leonardo e a entrada do Branco no time titular? Você precisou contribuir ainda mais para a marcação, já que o Branco não vivia o auge da forma física?
Zinho -
A experiência do Branco e a liderança dele no grupo (ajudaram). No início da nossa trajetória, era o titular, mas depois, com a contusão, houve a entrada do Leonardo, que foi muito bem com um poderio ofensivo maior e acabou conquistando o seu espaço. Mas são coisas do destino, o Leonardo era um jogador altamente disciplinado, com uma cultura diferenciada no futebol, e se envolveu naquele lance da expulsão contra os Estados Unidos. Qualquer outro jogador questionariam: 'pô, esse cara sempre dá essas entradas', mas o Leonardo surpreendeu todo mundo. São coisas do destino dentro de uma Copa do Mundo, de um objetivo de conquista. O Branco se recuperou, entrou na equipe, e com a liderança, a experiência e a vivência de Copa foi fundamental para a conquista, visto que o gol que fez ele mesmo cava a falta, pede para bater e chuta. O Romário ainda sai da bola. São coisas inexplicáveis, por isso o futebol é apaixonante.

Zinho admite mágoa por rótulo de "enceradeira" na Copa 1994
Terra - Lembra como e quando foi a primeira conversa com o Parreira? Assustou?
Zinho -
Foi durante a Eliminatória. Dentro da Eliminatória comecei jogando, depois saí do time, e voltei contra o Uruguai, no Centenário, um jogo fundamental para nós, que não poderíamos perder porque a disputa da Eliminatória era (em formato) diferente, em grupos. Então, era fundamental não perdermos o jogo lá e, para isso, o Parreira levou um time mais disciplinado taticamente. Ele escalou, praticamente, o meio que jogou a Copa do Mundo e fomos muito bem, acabou 1 a 1 o jogo. Dali em diante teve convicção dessa forma de jogo, com um quadrado no meio de campo, especificando os dois meias cada um do seu lado, sem uma troca de posição, ou seja, eu era limitado pela esquerda e o Raí pela direita a partir daquele jogo pela Eliminatória. Eu tinha liberdade para atacar, só que mais pelo lado esquerdo, com o setor do campo mais limitado. Por eu ter feito isso no começo da minha carreira, e o Parreira acompanhou, lá trás, entre 1987, 1988 e 1989, com o Zico no time eu fechava muito o meio, e ele quis repetir isso em 1994, pois Romário e Bebeto tinham dificuldade de recompor na marcação, até pelos biotipos, pelos testes feitos. Me utilizou muito dessa forma e conversou comigo. Por várias vezes conversei com o Parreira de ter uma liberdade maior de movimentação e criatividade no meio, mas ele tinha a palavra de convencimento para mim, que precisava de um esquema tático com oito atrás da linha da bola, no mínimo, sem a bola, pois acreditava que em 90 minutos Romário e Bebeto não passariam em branco e se não levássemos, sem a bola igualássemos a Itália, Alemanha, dos times europeus, quando pegássemos a bola teríamos jogadores para decidir o jogo.

Zinho vê "atmosfera favorável" para hexa do Brasil em 2014
Terra - Você precisava lidar com o apelido de "enceradeira" naquela época. O quanto que aquilo te magoava?
Zinho -
Estava na preparação, totalmente voltado para a Seleção Brasileira, então essas notícias não entravam, não ficavam me perguntando e meus familiares, inteligentemente, também não me passaram, mas quando cheguei no Brasil, mesmo campeão do mundo, senti que meu pai e a minha esposa não estavam felizes por completo. Eles ficaram magoados porque saíam nas ruas e isso foi algo mais de um programa humorístico, não foi nem a imprensa esportiva, os que cobrem mesmo a Seleção reconheceram o meu valor. Até hoje muitos comentaristas dizem da minha importância ao grupo, naquela função. De repente se não faço a função a Seleção poderia nem ter conquistado. Claro que a valorização maior foi do Romário, que fez os gols e uma Copa brilhante ofensivamente, mas quem entende de futebol, quem é do meio do futebol, a imprensa que cobre futebol, depois analisou e viu a minha importância. Agora ficou aquele rótulo do humor do Casseta e Planeta que estava lá na Copa para isso, para brincar, os caras não entendem de futebol, é normal. E se no ano de Copa do Mundo não falarem de futebol, mesmo em um programa humorístico, cai a audiência, pois é um mês que todos só falam de futebol e cada programa tem o seu perfil. Realmente, para mim, não é um humor agradável, pois um humor que alguém chora não é legal. Humor bom é quando todos riem, mas aí é a qualidade. Eu, particularmente, acho um programa de baixo nível, não gostava, e não porque brincaram comigo, também não gostava das brincadeiras com o Rubinho Barrichello porque é sempre denegrindo a imagem de alguém. Acho que isso não é humor, é humor negro que você faz os outros rirem tripudiando de alguém. Humor legal é o humor criativo, o que o cara cria um personagem. Quando cria um personagem em cima de uma pessoa, que faz com que a pessoa sofra, ou a família dessa pessoa sofra, aí não acho legal.

Branco foi fundamental para tetra do Brasil, diz Zinho
Terra - É verdade que sua mãe previu sua presença na Seleção do tetra?
Zinho -
Ocorreu que em 1970. Eu então com três anos de idade, quando o Brasil foi campeão do mundo. Nós estávamos em Petrópolis porque um tio meu tinha uma casa lá. Os meus primos maiores saíram para comemoração às ruas, não me viram, porque eu pequenininho saí atrás deles, mas no tumulto todo me perdi. A minha mãe era muito religiosa. Eu saí só com um pé calçado e ela pegou aquele sapatinho, é a história que me contam, e ela começou a pedir a Deus para que eu aparecesse, que ela ainda me veria jogando na Seleção Brasileira, mas não que seria campeão do mundo. Então fez aquela coisa de mãe, teve fé, disse que um dia aquele pé esquerdo ainda ia me fazer jogador. Porque eu já brincava, mesmo com três anos alguns falavam que chutava direitinho, aquela coisa, então a minha mãe com a fé falou que eu apareceria e que jogaria na Seleção Brasileira. Ela não me viu porque faleceu, justamente, no Brasil e Uruguai em 1993, que ganhamos por 2 a 0 e consolidamos a nossa ida para a Copa do Mundo. Saí do campo direto para o hospital, a minha mãe faleceu naquele dia. Foi uma alegria de ir para a Copa do Mundo, mas quando fui para o hospital a alegria saiu porque eu perdi a minha mãe, foi duro. No outro dia todas as manchetes eram do Brasil na Copa, mas estava no cemitério enterrando a minha mãe. Aquilo ali me motivou, sem dúvida, para a Copa do Mundo. Aí veio a fala dos meus pais e tios que disseram que eu venceria e dedicaria a minha mãe. Teve aquela coisa de dedicar ao Ayrton Senna, mas eu nem participei muito ali de levantar a bandeira porque estava mentalizando outra coisa, de homenagear a minha mãe. Estou falando agora isso, nunca comentei antes, mas no campo o meu pensamento, para não destoar pelo grande ídolo que era o Senna, preferi homenagear a minha mãe ocultamente comigo mesmo, além dos meus familiares que sabiam o que representava aquela conquista já que a minha mãe foi fundamental para que me tornasse um jogador profissional.

Terra - Teve um sabor especial, a Copa foi um desfecho perfeito depois da classificação suada e tudo o que ocorreu?
Zinho -
A Eliminatória para mim foi muito difícil, com a minha mãe mal. Passávamos a semana toda treinando na Granja (Comary), pois naquela época ficávamos direto na Seleção, não eram os jogos como hoje, parava um tempo o futebol e era só Eliminatória. Aquele mês todo, na minha folga, ia para o hospital acompanhar a minha mãe. Primeiro foi uma isquemia, depois se juntou a uma depressão, então eram idas e vindas do hospital. Montei um quarto de hospital dentro da minha casa, com enfermeiras de manhã e de noite, para que ficasse mais em casa, mas, infelizmente, na concentração para o último jogo ela teve uma recaída e precisou voltar ao hospital. Mesmo assim fui para o jogo, que era decisivo, pois não sou médico, não ajudaria muito. Mas aí veio a notícia, só soube após o jogo, quando fui para casa meu pai me levou ao hospital. Até a minha chegada a Nova Iguaçu, a minha cidade, não sabia que estava em coma, nas últimas. Mas isso, como falei, peguei para o lado de motivação, são coisas da vida perder um ente querido. Dói, mas é a única certeza que temos na vida, foi duro, não foi fácil. Hoje falando assim parece fácil e tranquilo. Não foi, mas o meu profissionalismo e a minha dedicação foram grandes, a minha mãe sempre sonhou para que eu fosse jogador de futebol, então peguei isso. Ela sempre falou que eu jogaria na Seleção Brasileira, então não vou ficar para baixo, peguei de motivação para mim. A Copa do Mundo, por mais que tenha esses problemas todos de críticas, cobranças, injustiças do programa humorístico, para mim foi uma Copa especial e maravilhosa. Primeiro por representar o meu País e depois de vencer para homenagear a minha mãe.

Zinho atualmente é gerente de futebol do Santos
Zinho atualmente é gerente de futebol do Santos
Foto: Ricardo Saibun/Santos / Divulgação

Terra - A Seleção de 1994 recebe até hoje algumas críticas por não ter um futebol tão vistoso quanto outras. Isso incomoda você e os outros jogadores do grupo?
Zinho -
Acho um pouco injusto, pois uma seleção que conquista uma Copa do Mundo é impossível falar que jogou feio. Então, imagine as outras seleções que disputaram? Uma seleção que tem Romário, Bebeto, Jorginho, Cafu, Zinho, Raí, Mauro Silva, Dunga, Márcio Santos, Aldair, Leonardo é ruim? Todos esses jogadores estariam na Seleção Brasileira hoje, novamente. Agora, era um esquema tático que gerou uma mudança de concepção. A partir de 1994, hoje, você joga com um esquema de dois jogadores abertos marcando lá trás, todos começaram a dar uma importância a marcação sem bola. A Seleção de 1982 foi um espetáculo, mas não ganhou porque não teve essa disciplina tática. Então, o Parreira conseguiu demonstrar isso. Em 2002, ganhamos a Copa com três zagueiros, algo inadmissível no Brasil. Por isso acho que 1994 foi um marco, poderia ser lembrada como a Seleção que mudou a concepção de jogar o futebol bonito com a bola e sem ela ser disciplinada. Seria mais justo, mais coerente, e uma forma de premiar o esforço de todo aquele grupo. Uma seleção campeã do mundo nunca pode ser rotulada por um futebol feio. Jogamos um futebol, sem a bola, de muita disciplina e aplicação, o que é louvável, e com a bola terminamos invictos, não perdemos para ninguém.

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Terra - Então 2002 veio para ser a confirmação de 1994 e para derrubar a tese do futebol mal jogado?
Zinho -
Os apaixonados mais antigos, que lembram da época do Pelé e depois da geração do Zico, Sócrates, Cerezo e Falcão, têm essa cultura de ficar comparando, mas o futebol vai mudando, evoluindo e ganhou mudanças táticas no campo de posicionamento. Lembro que há um tempo atrás jogavam com quatro na frente e dois volantes, mas as coisas vão mudando, o preparo físico foi introduzido, a ciência, a tecnologia, todos passam a ver mais, as dimensões do campo mudaram, o profissionalismo aumentou, tudo foi mudando. Claro que o futebol de técnica, habilidade, passe e drible é o que todos querem ver, mas os profissionais que vivem disso sabem que se não ganhar, de nada adiantará. O que vale é a bola dentro da rede no final para manter o emprego, para se manter em um cenário, para ter a profissão e o seu sustento. O cara que não ganha perde espaço no clube, vai ser negociado. O treinador que não faz o time vencer, por mais que mande o time para frente, ninguém vai defendê-lo se não conquistar, se não vencer. Gostaria muito de, independentemente de vencer ou não, do futebol arte e bonito que se mantivesse os jogadores, seria o ideal, mas a cobrança pela conquista que vem da arquibancada, da diretoria, dos conselheiros e da própria imprensa. E ela é em cima do resultado, um segundo lugar não basta, não vale. Os profissionais jogam para vencer, então abdicam até de um jogo mais alegre, mais para frente. Jogar ganhando faz com que você tenha mais tranquilidade e confiança para exercer um passe e um drible, mas às vezes há pressão, sofremos muito isso em 1994 pela mudança profissional dentro da CBF de comunicação com a imprensa e a torcida, e isso causou constrangimento, contribuiu para que as pessoas tivessem uma má disposição para analisar. No meio do futebol há isso. Os privilégios de entrevistas e de entradas de empresários foram cortados, adotou-se um profissionalismo muito forte e isso, também, fez com que algumas pessoas começassem a ter má vontade em cima de comentários da Seleção.

Terra - O Parreira comentou em entrevista ao Terra que você seria um dos cobradores da final se não tivesse sido substituído pelo Viola. Você já parou para pensar como seria cobrar um dos pênaltis contra a Itália?
Zinho -
Dentro dos treinamentos eu era o segundo jogador com o melhor aproveitamento. Na sequência foi o Márcio Santos, depois eu. Claro que a adrenalina ia ser absurda, porque é uma responsabilidade grande, e toda do batedor. Se o goleiro tomar gol não é frango e se pegar, salvou, é um herói. Então imagine em uma final de Copa do Mundo? É um peso grande. O Zico até hoje é marcado. Foi brilhante, um dos maiores de todos os tempos do futebol brasileiro, mas apontado por alguns como um jogador que não era de Seleção. Isso por conta de um pênalti e olha que vi vários jogos do Zico brilhantes, de encher os olhos, mas vem aquela parte de que não conquistou uma Copa do Mundo, perdeu um pênalti, e acabou rotulado como um jogador que não era vencedor na Seleção Brasileira. O Zico, meu ídolo, um cara fora do comum, um gênio. Aí vem o que falei, o futebol no Brasil, se você não vence, vai ser cobrado e rotulado negativamente. Naquele jogo tinha saído, então a adrenalina era diferente, de torcer pelos meus companheiros de saber o peso que era, de orar para Deus abençoar porque merecíamos ganhar aquela Copa. E merecíamos ganhar pelo jogo, porque no jogo tivemos várias chances, eu mesmo tive uma, o Romário que terminou como artilheiro, mas perdeu gols incríveis na decisão. Poderíamos terminar com um 3 a 2, 2 a 1 para nós. O nosso time foi superior ao da Itália, apesar deles também terem tido chances, mas quis o destino da disputa ser nos pênalti pelo equilíbrio das seleções. A seleção da Itália era belíssima: Baresi, Massaro, Costacurta, Maldini, Albertini, Donadoni, era brincadeira o time, de altíssimo nível, mas premiou a seleção mais regular durante a Copa do Mundo toda, a que venceu e com méritos chegou a final e conquistou.

Zinho era peça importante da Seleção na Copa de 1994
Zinho era peça importante da Seleção na Copa de 1994
Foto: Getty Images

Terra - Qual a sua análise da Seleção atual? O que o Brasil tem a melhorar? Você que conhece bem pelo modo como foi a campanha das Eliminatórias para a Copa de 1994, a pressão da torcida pode favorecer?
Zinho -
Acho muito bom jogar em casa. Esses jogadores, com certeza, devem estar numa alegria e motivação enormes. O astral é muito bom, principalmente pós-Copa das Confederações. O povo está confiando e abraçou a Seleção, a comissão técnica tem o domínio, os jogadores estão felizes de estar na Seleção, por mais que sejam ídolos e joguem no Europa, mas você vê uma satisfação de vestir a camisa, o que é fundamental. A atmosfera é a melhor possível: nossa casa, torcida junto, comissão técnica competente, jogadores motivados, o ambiente bom. Agora, sabemos que vem seleções de alto nível e no futebol o momento é que vai dizer. Tudo isso é maravilhoso, mas quando a bola rolar aqueles 90 minutos é que vão decidir. Estou confiante, torcendo muito porque tenho amigos lá dentro e sou brasileiro. Então, é bom para nós que trabalhamos no futebol, a mídia que cobre futebol, eu que trabalho com futebol, que o Brasil vença porque melhora para todo mundo ter a Seleção campeã do mundo. Torço muito porque será bom para todos nós.

Zinho admite futebol de resultado, mas vê "marco" em 1994
Terra - O Neymar é Romário da atual Seleção? Tem algum favorito para a Copa?
Zinho -
Os adversários que o Brasil tem pela frente no grupo tornam o Brasil favorito, pois é o melhor, mas é Copa do Mundo, então todos os jogos são difíceis. Então é paciência, torcida, imprensa, pois início de Copa gera uma ansiedade, a responsabilidade de jogar em casa e ser o favorito, a obrigação de ter que ganhar de Croácia, México e Camarões. Eles sabem disso e vão vir fechadinhos, vão querer explorar erro. Então é importante darmos essa tranquilidade aos jogadores. Ganhou? Mesmo sem espetáculo isso vai dando a tranquilidade e a confiança para o futebol bonito, também. Isso é fundamental. Seleções que fizeram outras ótimas campanhas: Holanda, Alemanha, Argentina, a Espanha, atual campeã e que está em um momento de descida pela idade mais avançada, mas é a Espanha. Todas as seleções vão ter um mês para treinar para esquecer os seus campeonatos, clubes e se concentrar só em suas seleções. Em uma Eliminatória é outro ambiente, amistoso também não é a mesma coisa. Copa do Mundo é diferente, outra competição. Acho que as seleções vão se fortalecer muito, acho que a Argentina se o Messi estiver em um estágio bom é forte candidatada. Mas não podemos descartar a tradição da Itália, da Bélgica que fez boa campanha, mas acho que não foge das grandes potências.

Fonte: K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME K.R.C.DE MELO & CIA. LTDA – ME

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