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Brasil teve seu 'harlemglobetrotter' do futebol nos anos 70

8 ago 2012
07h22

Criado nos anos 70, o Trem da Alegria inovou o conceito de futebol espetáculo no Brasil. Criado por Afonsinho, jogador que ganhou notoriedade por ser o primeiro a ganhar o "passe livre" em uma época em que os jogadores eram literalmente presos aos seus clubes, o time viajou o Brasil com o conceito de levar artistas da bola e da música a locais que pouco viam seus ídolos fora da TV.

Jogadores do Trem da Alegria perfilados
Jogadores do Trem da Alegria perfilados
Foto: Arquivo Pessoal / PrimaPagina



"Era uma alternativa para os que não estavam jogando em outras equipes. Era uma fase difícil, mas a ideia era boa. Era algo como o circo, itinerante, que ia para muitas cidades. A ideia era levar o espírito do futebol às pessoas", explica Afonsinho, hoje aos 64 anos.



O Trem da Alegria era uma espécie de Harlem Globetrotter brasileiro e do futebol. As partidas eram levadas a sério, mas a amizade entre os jogadores e a extrema habilidade do grupo chegou a trazer propostas para que o time se tornasse de fato profissional. Além de jogadores como Djalma Dias, Brito, Nilton Santos participavam das partidas artistas como o músico Paulinho da Viola.



"Tivemos uma proposta para jogar o Campeonato Carioca pelo São Cristóvão. A ideia quase saiu do papel, mas na última hora o presidente optou por um convênio com uma universidade", explica Afonsinho, que já jogou por clubes como Santos, Flamengo e Fluminense, mas fez história no Botafogo.



O principal jogador do time, no entanto, não foi seu criador. Mané Garrincha, craque da seleção brasileira atuou na estreia, em 1976, na cidade de Sertãozinho, contra um combinado local e levou a torcida ao delírio.



"O Garrincha ilustrava tudo aquilo que o Trem queria. Ele era a alegria do povo, dono do futebol espetáculo", explica Afonsinho, que chegou a fazer uma viagem internacional com o time. "Fomos para Angola", lembra.



Com o tempo, a oportunidade de jogos diminuiu, mas o Trem da Alegria continua vivo. Aos 35 anos de idade, ao menos duas datas são reservadas para os jogos. "Meu sonho é que a gente passe a jogar todo ano na cidade onde o Garrincha nasceu, para celebrar seu aniversário", completa Afonsinho.

Fonte: PrimaPagina

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