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Conheça equipe que revelou Ceni, Denílson, Juninho e Muricy

11 out 2012
07h23

Imagine um time de moleques que juntou o maior goleiro artilheiro do mundo, o jogador mais caro do futebol nacional até 2012, o brasileiro com melhor passagem pelo futebol inglês em todos os tempos, um zagueiro acostumado a salvar gols em cima da linha, um defensor que se tornou ídolo na Alemanha e o melhor técnico do Campeonato Brasileiro em cinco oportunidades.

Da esquerda para a direita, o expressinho do São Paulo: Mona, Rogério Ceni, Nélson, Bordon e Ronaldo Luiz; agachados: Pavão, Catê, Toninho, Pereira, Denílson e Caio
Da esquerda para a direita, o expressinho do São Paulo: Mona, Rogério Ceni, Nélson, Bordon e Ronaldo Luiz; agachados: Pavão, Catê, Toninho, Pereira, Denílson e Caio
Foto: Gazeta Press



Pois este foi o expressinho do São Paulo, que em 1994 ganhou a Copa Conmebol com talentos como Rogério Ceni, Denílson, Juninho Paulista, Ronaldo Luiz, Bordon, Catê e Caio Ribeiro, todos sob o comando de Muricy Ramalho, que dava os primeiros passos na carreira de treinador.



O ano de 1994 não estava nada promissor para o time do Morumbi. Após perder o tricampeonato da Libertadores nos pênaltis para o Vélez Sarsfield, o clube teve de voltar suas atenções para o Campeonato Brasileiro como uma tentativa de salvar a temporada. O calendário maluco do país, porém, era um obstáculo, pois no segundo semestre o São Paulo teria de disputar a Copa Conmebol, espécie de Sul-Americana da época.



Assim, o técnico Telê Santana resolveu manter o foco na competição nacional e decidiu não utilizar nenhum titular no torneio continental. Na verdade, ele nem mesmo iria dirigir a equipe. Esse papel coube ao seu auxiliar, Muricy Ramalho. Nascia assim o famoso expressinho.



"Aquela era uma época diferente, a gente tinha três jogos por semana. Então o São Paulo se viu obrigado a montar um segundo grupo, juntando revelações com jogadores experientes que não estavam sendo aproveitados entre os titulares", conta Juninho Paulista, um dos destaques daquela equipe.



O primeiro adversário do clube do Morumbi seria logo o Grêmio de Luís Felipe Scolari. Surpreendentemente, os garotos se comportaram bem em campo e voltaram do estádio Olímpico com um empate sem gols. Na partida de volta, a igualdade se repetiu, e a disputa foi para as penalidades. Brilhou, então, a estrela do novato Rogério Ceni. Além de defender uma cobrança, ele bateu o pênalti que sacramentou a classificação.



O adversário nas quartas de final seria o Sporting Cristal, do Peru. Porém, quem roubou na cena foi o calendário brasileiro, que conseguiu a proeza de marcar o duelo de ida para o mesmo dia do jogo contra o Grêmio pelo Brasileirão. Desse modo, quem foi ao Morumbi naquela noite acompanhou uma rodada dupla, e ainda pode ver Juninho atuar em ambos os jogos.



"Levei um susto quando fui escalado para as duas partidas. Isso jamais se repetiu em toda a minha carreira. Entrei no segundo tempo dos duelos e ainda marquei um gol contra o time do Peru. Ganhamos ambas por 3 a 1", recorda. A partida de volta ficou no 0 a 0, o que garantiu ao São Paulo a vaga na semifinal para enfrentar a equipe principal do Corinthians, que contava com craques como Marcelinho, Branco e Casagrande.



Garotada x Astros

O clássico começou da forma como todos imaginavam, e o time do Parque São Jorge abriu o placar com Casagrande. No entanto, a dupla Denílson e Juninho estava inspirada, e o São Paulo virou para 3 a 1 ainda no primeiro tempo. Branco descontou na volta do intervalo, mas Juninho voltou a ampliar a vantagem, marcando seu terceiro gol no duelo. Antes do apito final, Marques fecharia o marcador em 4 a 3.



"O Ronaldo não guarda boas lembranças daquele duelo", brinca Juninho. "A gente entrou sem nenhuma responsabilidade, e eles era o contrário, vinham pressionados porque estavam enfrentando uma equipe reserva", justifica.



O duelo de volta teve triunfo corintiano por 3 a 2 (gols de Daniel, Tupãzinho e Viola para o alvinegro, e de Caio e Juninho para o tricolor), e a decisão foi para os pênaltis. Mais uma vez Rogério se destacou. Acertou sua cobrança e defendeu as de Gralak e Leandro Silva, conseguindo o que poucos imaginavam: classificar o time de garotos para a decisão contra o tradicional Peñarol.



Logo aos quatro minutos da partida de ida, no Morumbi, os uruguaios inauguraram o marcador. O que se viu depois, no entanto, foi um massacre da molecada são-paulina. Com três gols de Catê, dois de Caio e um de bicicleta de Toninho, os paulistas venceram por 6 a 1, e puderam se dar ao luxo de perder por 3 a 0 no estádio Centenário que mesmo assim ficaram com a inesperada taça.



Depois da festa

Logo depois da conquista, boa parte dos atletas daquela equipe obteve grande sucesso no futebol. "A verdade é que nosso time era muito bom. Apesar da falta experiência tínhamos muito talento e gás, por isso igualamos com grandes equipes e conseguimos resultados surpreendentes, como golear o Peñarol na final", diz Juninho, que ao lado de Denílson e Rogério Ceni foi campeão mundial pela seleção brasileira em 2002.



Já Catê defendeu Flamengo, Grêmio e Cruzeiro e faleceu em um acidente de automóvel em dezembro do ano passado. Caio teve passagens pelo futebol italiano e por grandes clubes do Brasil. Atualmente é comentarista televisivo. Ronaldo Luiz e Vítor eram as exceções experientes daquele time. Eles estiveram presentes nas conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes nos anos anteriores.



O zagueiro Bordon, apesar de nunca ser unanimidade no Brasil, se tornou ídolo na Alemanha com as camisas de Stuttgart e Schalke 04. O lateral Pavão chegou a ganhar o prêmio de melhor lateral direito do Campeonato Brasileiro de 1994, mas não conseguiria repetir o sucesso ao longo da carreira. Pereira jogou por cinco anos no futebol chileno e teve uma curta passagem pelo Corinthians em 2000, quando tentou sem sucesso substituir Vampeta.



Muricy Ramalho voltou ao São Paulo em 2006 e ganhou três Campeonatos Brasileiros no comando da equipe. Faturou mais um pelo Fluminense e venceu a Libertadores de 2011 com o Santos. Outros jogadores com Nelson, Mona e Toninho haviam sido campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1993, mas acabaram não obtendo grande destaque após o expressinho.



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Fonte: PrimaPagina

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