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"Bronca" de Pelé, futebol irregular e ironia inglesa pressionam Neymar

No último amistoso contra a Inglaterra, atacante ficou abaixo do esperado e foi chamado de superestimado por Joey Barton. Desde então, seu futebol pouco apareceu no Santos e até Pelé fez críticas. Em busca de redenção, Neymar se apresenta a Felipão nesta 2ª para jogos contra Itália e Rússia

18 mar 2013
07h00
atualizado às 07h00
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O peso está em seus ombros. A pouco mais de um ano do início da Copa do Mundo, Neymar sabe que, quando a bola rolar na abertura em São Paulo, será dos seus pés que o torcedor brasileiro vai esperar uma jogada decisiva, o toque de classe, o lance que vai surpreender o adversário e desequilibrar uma partida. O problema é que até agora, por mais consistentes que sejam seus números, ainda falta ao camisa 11 um grande jogo com a camisa verde-amarela em uma decisão ou diante de uma potência do futebol. A próxima oportunidade de mudar este retrospecto será nesta quinta-feira, contra a Itália, em Genebra.

<p>Neymar tem bons números contra seleções médias e fracas. Mas ficou devendo em grandes competições e amistosos contra grandes</p>
Neymar tem bons números contra seleções médias e fracas. Mas ficou devendo em grandes competições e amistosos contra grandes
Foto: Getty Images

A pressão por grandes atuações na Seleção coincide com um momento de baixa no futebol de Neymar também no Santos. Neste ano, o jogador tem ganhado mais destaque por sua vida extra-campo, exemplificada pelo namoro público com a atriz Bruna Marquezine, e pelas críticas ao momento instável, com palavras duras até mesmo de Pelé. "Nós do Santos falamos que ele é o melhor do mundo, claro. Mas ele já se preocupa mais em aparecer na mídia do que em jogar para o time. O Neymar tem muita responsabilidade. E sua preocupação é mudar o estilo, mudar o corte de cabelo", disse o Rei do Futebol em entrevista ao O Estado de S. Paulo.

Mas quais são os motivos que levam Neymar a não ter conseguido até agora mostrar seu melhor futebol em competições oficiais com a camisa da Seleção e em duelos contra os gigantes mundiais? Teorias e explicações não faltam. Mas, por mais pertinentes que possam ser, elas pouco importarão em caso de fracasso do jogador até 2014. Para o bem e para o mal, Neymar não sairá da vitrine. Se sairá consagrado ou apedrejado, seu futebol irá definir.

Frieza dos números x "Sumiços" - Histórico de Neymar na Seleção 

A marca de 21 gols, 13 assistências e 23 vitórias em 35 jogos pela Seleção Brasileira está longe de ser considerada ruim. O problema é que Neymar não tem conseguido manter a média em jogos decisivos e de maior dificuldade. A derrota para o México na final olímpica, o fraco futebol na Copa América e os sumiços nos amistosos contra Alemanha e Argentina ficaram mais gravados na cabeça do torcedor do que os três gols contra a China, por exemplo.

Neymar na Seleção
35 Jogos em 2 anos e meio                     
Vitórias 23
Derrotas 6
Empates 6
Gols 21
Assistências 13

O último amistoso do Brasil, contra a Inglaterra em fevereiro, é um exemplo do que espera Neymar a cada jogo. O atacante esteve longe de ser o pior jogador em campo, mas saiu de campo como o mais cobrado. Perdeu um gol feito e foi satirizado no Twitter pelo jogador inglês Joey Barton: "superestimado". Acabou personagem principal da derrota mesmo com a volta tímida de Ronaldinho à Seleção.

Contra a Itália, Neymar tem o desafio de conseguir a sua primeira vitória contra um campeão mundial. Até agora, com a Seleção principal, soma derrotas para a Argentina (2 vezes), Inglaterra e Alemanha. Conquistou dois títulos do Superclássico das Américas contra os argentinos, é verdade. Mas apenas jogadores dos campeonatos locais participaram das partidas, o que enfraqueceu demais os adversários.

Para ex-atacante da Seleção, faltam mais jogadores experientes

<p>Careca vê presença de jogadores experientes como fundamental para Neymar crescer na Seleção </p>
Careca vê presença de jogadores experientes como fundamental para Neymar crescer na Seleção
Foto: Getty Images

Centroavante da Seleção nas Copas de 1986 e 1990, o atacante Careca conhece bem a pressão de defender o país em um Mundial. Mas quando começou sua jornada com a camisa verde e amarela, o badalado camisa nove tinha com quem dividir os holofotes. Júnior, Zico, Sócrates não só tinham mais vivência no futebol como garantiam uma passagem mais tranquila aos jovens que surgiam.

O título mundial não veio, mas o atacante destaca que em nenhum momento passou por uma pressão parecida com a que Neymar vive atualmente. Em sua opinião, a instabilidade de jogadores que serviriam de referência na atual Seleção acabou forçando o camisa 11 a assumir um papel para o qual não estava preparado.

"Para uma Copa do Mundo é preciso jogadores mais experientes, com história já dentro da Seleção. Acho que essa Copa seria a hora do Ronaldinho, do Kaká. Isso faria com que ele jogasse com mais liberdade", disse Careca, lembrando que no ciclo que começou após a Copa de 2010 os dois jogadores citados alternaram presenças esporádicas com longos tempos afastados da Seleção. Kaká voltou a ser chamado para o jogo contra a Itália, justamente no lugar de Neymar.

"Eu comecei mais tarde que o Neymar na Seleção (Careca tinha 22, Neymar 18). E mesmo assim, quando eu estava começando, todos eles me ajudaram. O Zico sempre acreditou, sempre estava torcendo. Seleção é aquele negocio, às vezes joga melhor no clube do que nela. Existem jogadores que demoram mais para amadurecer na Seleção. Mas a hora dele vai chegar e já na Copa das Confederações ele estará pronto", completou Careca.

Vida de celebridade e futebol doméstico: outras explicações

<p>Bruna Marquezine e Neymar assumiram namoro no começo de 2013; atacante é visto como celebridade</p>
Bruna Marquezine e Neymar assumiram namoro no começo de 2013; atacante é visto como celebridade
Foto: Gabriel Rangel / AgNews

A queda de rendimento do futebol de Neymar nos últimos jogos suscitou uma série de discussões sobre os motivos por trás da instabilidade. Pelé insinuou que a preocupação com a sua vida fora de campo tenha afetado seu desempenho. Na última semana, por exemplo, Neymar foi até o Rio de Janeiro participar do Prêmio Laureus, emendou em uma festa do amigo e cantor Thiaguinho em São Paulo e cinco horas depois estava treinando em Santos.

Careca acredita que esta vida agitada pode ter influência nesta queda. "Não dá para avaliar de longo. Mas pode acabar desgastando mentalmente", avaliou o ex-atacante, que preferiu não entrar em outra polêmica que tem dividido opiniões: é melhor para o desenvolvimento de Neymar jogar no exterior?

Quando ainda era técnico da Seleção, Mano Menezes disse que seria importante que seu principal astro do time ganhasse vivência na Europa, mas depois alegou ter sido mal-interpretado. Com a camisa do Santos, Neymar desequilibrou partidas importantes e levou o clube ao título da Libertadores. Mas quando enfrentou o Barcelona, sumiu na derrota por 4 a 0 no Mundial de Clubes. Foi o bastante para aumentar o coro de que o atacante precisa se aventurar na Europa para não estagnar. O contrato com o Santos vence apenas em 2014, mas o interesse de grandes clubes como o Barcelona pode até antecipar sua saída.

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Fonte: Terra
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