Ex-inimigo da CBF, ministro se impõe protocolos e evita ofensiva a Marin

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Direto de São Paulo
atualizado às 12h00
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"Na condição de ministro do Governo, tenho limitações para opinar sobre aspectos da vida da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)". Em meio a uma longa resposta, esse é o extrato do discurso de Aldo Rebelo, o ministro do Esporte, em visita ao Terra na última sexta. A declaração replica uma pergunta sobre as sequentes controvérsias em torno de José Maria Marin, presidente "tampão" da CBF até 2014. Rebelo, um ex-inimigo da entidade, hoje prefere limitar publicamente seu poder de análise.

Não foi sempre assim. Se hoje é esperança para especialmente estruturar melhor o esporte brasileiro, Aldo também já foi esperança para uma faxina no futebol do País. Entre 2000 e 2001, presidiu a CPI CBF/Nike e se posicionou como um inimigo de Ricardo Teixeira, o que também não durou muito.

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O processo investigatório foi arquivado sem votação final, fruto do trabalho de bastidor de dirigentes de futebol junto aos deputados da "Bancada da bola". A bancada, de integrantes que ainda batem cartão no congresso nacional, permitiu que Ricardo Teixeira, em maior momento de pressão, arremetesse de volta ao poder que só perderia em 2012, mas com a herança da Copa de 2014 para o Brasil. O ex-presidente palmeirense Mustafá Contursi teria sido o elo entre Aldo e Teixeira para que a CPI esfriasse.

É justamente por conta do Mundial, e da própria Copa das Confederações, que Aldo resguarda opiniões sobre Marin, por mais que o presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, seu tutor, vice e provável sucessor para as eleições de 2014, não causem sorrisos em Brasília. Declarações fortes como o "chute no traseiro" sugerido por Jérome Valcke não estão nos planos de Aldo.

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"Tenho uma responsabilidade de trabalhar em uma esfera com a organização da Copa com a participação do presidente José Maria Marin. Acho que vocês poderiam convidá-lo aqui e ele poderia esclarecer e responder sobre essas questões que preocupam os jornalistas e vocês naturalmente querem que eu opine. Em tese, defendo a relação do Governo com essas entidades", disse o ministro. É uma pena que, por limitações de tempo, ele não tenha tido acesso às dezenas de perguntas enviadas por leitores do Terra .

Seria possível verificar que as preocupações com Marin não se restringem aos jornalistas, como sugere o ministro. Há inquietação, como há em Brasília, quanto a participação do presidente da CBF em episódios surreais. O roubo de uma medalha na final da Copa São Paulo ou a energia elétrica utilizada do vizinho. Esta, informação do jornalista Juca Kfouri no jornal Folha de S. Paulo .

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Marin, por sua vez, já recebeu o convite para explicar sobre possível envolvimento com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura . Na época da ditadura, era deputado da Arena e fazia discursos com caráter de intimidação contra o trabalho da imprensa. Nestes dias em que a Lei de Acesso à Informação funciona sob elogios, arquivos sobre aquele período da história são revirados sob o especial apreço da presidente Dilma Rousseff.

Em meio a isso, Aldo Rebelo joga como um volante que dá muitos passes laterais e corre de uma área a outra. Questionado sobre a CBF, volta a 1930 para explicar sobre um período em que o País não conseguia criar uma Seleção e continua a fazer a bola circular. Postura muito diferente de quem já foi um camisa 9 com sede de marcar naqueles tempos em que a CPI não decolou.

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Terra

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