Copa das Confederações

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10 de março de 2013 • 09h58 • atualizado às 12h00

Ex-inimigo da CBF, ministro se impõe protocolos e evita ofensiva a Marin

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Ministro elogia Romário mas se esquiva de polêmica com Marin

"Na condição de ministro do Governo, tenho limitações para opinar sobre aspectos da vida da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)". Em meio a uma longa resposta, esse é o extrato do discurso de Aldo Rebelo, o ministro do Esporte, em visita ao Terra na última sexta. A declaração replica uma pergunta sobre as sequentes controvérsias em torno de José Maria Marin, presidente "tampão" da CBF até 2014. Rebelo, um ex-inimigo da entidade, hoje prefere limitar publicamente seu poder de análise.

Não foi sempre assim. Se hoje é esperança para especialmente estruturar melhor o esporte brasileiro, Aldo também já foi esperança para uma faxina no futebol do País. Entre 2000 e 2001, presidiu a CPI CBF/Nike e se posicionou como um inimigo de Ricardo Teixeira, o que também não durou muito.

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O processo investigatório foi arquivado sem votação final, fruto do trabalho de bastidor de dirigentes de futebol junto aos deputados da "Bancada da bola". A bancada, de integrantes que ainda batem cartão no congresso nacional, permitiu que Ricardo Teixeira, em maior momento de pressão, arremetesse de volta ao poder que só perderia em 2012, mas com a herança da Copa de 2014 para o Brasil. O ex-presidente palmeirense Mustafá Contursi teria sido o elo entre Aldo e Teixeira para que a CPI esfriasse.

É justamente por conta do Mundial, e da própria Copa das Confederações, que Aldo resguarda opiniões sobre Marin, por mais que o presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, seu tutor, vice e provável sucessor para as eleições de 2014, não causem sorrisos em Brasília. Declarações fortes como o "chute no traseiro" sugerido por Jérome Valcke não estão nos planos de Aldo.

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"Tenho uma responsabilidade de trabalhar em uma esfera com a organização da Copa com a participação do presidente José Maria Marin. Acho que vocês poderiam convidá-lo aqui e ele poderia esclarecer e responder sobre essas questões que preocupam os jornalistas e vocês naturalmente querem que eu opine. Em tese, defendo a relação do Governo com essas entidades", disse o ministro. É uma pena que, por limitações de tempo, ele não tenha tido acesso às dezenas de perguntas enviadas por leitores do Terra.

Seria possível verificar que as preocupações com Marin não se restringem aos jornalistas, como sugere o ministro. Há inquietação, como há em Brasília, quanto a participação do presidente da CBF em episódios surreais. O roubo de uma medalha na final da Copa São Paulo ou a energia elétrica utilizada do vizinho. Esta, informação do jornalista Juca Kfouri no jornal Folha de S. Paulo.

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Clima esquenta entre repórter e presidente da CBF

Marin, por sua vez, já recebeu o convite para explicar sobre possível envolvimento com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura. Na época da ditadura, era deputado da Arena e fazia discursos com caráter de intimidação contra o trabalho da imprensa. Nestes dias em que a Lei de Acesso à Informação funciona sob elogios, arquivos sobre aquele período da história são revirados sob o especial apreço da presidente Dilma Rousseff.

Em meio a isso, Aldo Rebelo joga como um volante que dá muitos passes laterais e corre de uma área a outra. Questionado sobre a CBF, volta a 1930 para explicar sobre um período em que o País não conseguia criar uma Seleção e continua a fazer a bola circular. Postura muito diferente de quem já foi um camisa 9 com sede de marcar naqueles tempos em que a CPI não decolou.

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