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Torcedores se aventuram de bicicleta em rota Recife-Arena Pernambuco

Grupo fez trajeto de ida e volta pedalando mais de 30 quilômetros entre Recife e a Arena Pernambuco, no município de São Lourenço da Mata

17 jun 2013
10h46
atualizado às 21h48
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Chuva, ladeira, piso de paralelepípedo, lama, escuridão e a falta de informação dos organizadores da Copa das Confederações dificultaram a ida de torcedores que decidiram fugir de engarrafamentos, filas nos metrôs e ônibus e adotar um jeito divertido de ir a um jogo de futebol.

<p>Torcedores enfrentaram escuridão e má sinalização para chegar ao estádio</p>
Torcedores enfrentaram escuridão e má sinalização para chegar ao estádio
Foto: Eduardo Amorim / Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra

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Pela televisão deve ser difícil entender porque as pessoas começaram a deixar o estádio faltando 15 minutos para a partida em que a Espanha venceu o Uruguai por 2 a 1 terminar. Milhares de torcedores pagaram ingressos caros e perderam o golaço de falta de Suárez a favor do time sul-americano. Mas quem viveu a experiência de ir à Arena Pernambuco no transporte público, como foi indicado pelo Governo do Estado, sofreu com situações inimagináveis para uma obra que irá consumir ao final mais de R$ 600 milhões garantidos pelo Governo do Estado, sem incluir os investimentos em obras de mobilidade.

Muitos torcedores ao final do jogo diziam que havia sido a pior experiência em um jogo de futebol. No entanto, com espírito de aventura e imaginando que a chegada e saída da sede pernambucana seria caótica, um pequeno grupo de ciclistas fez o trajeto de ida e volta pedalando mais de 30 quilômetros entre Recife e a Arena Pernambuco, no município de São Lourenço da Mata.

Eles preferiram enfrentar ladeiras, escuridão, paralelepípedos e até a falta de informação de quem deveria orientar a circulação nos arredores da Arena Pernambuco do que pagarem R$ 40 para estacionar um carro e ainda ter que enfrentar engarrafamentos ou correr o risco de gastar até três horas para ir ou voltar a uma partida de 90 minutos.

Um dos coordenadores da Associação Metropolitana dos Ciclistas do Grande Recife, Daniel Valença começou a organizar o passeio já com os ingressos comprados. Ele criou um evento no Facebook, convenceu a mulher, Ligia Lima, de ir também, procurou tirar dúvidas com conhecidos e autoridades nos órgãos de trânsito (Companhia de Trânsito e Transporte Urbanos, Grande Recife) e na Secretaria Extraordinária da Copa do Governo do Estado (Secopa) e convidou a reportagem do Terra para participar da aventura.

O primeiro desafio surgiu quando a gerente da Secopa, Maria Eduarda Campos, informou que não poderia ter entrada de bicicleta nos dias de jogos da Copa das Confederações. Informação confirmada pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), depois de muita pesquisa e da própria assessoria do metrô no Recife afirmar que não tinha conhecimento da medida (na sexta, dois dias antes de um dos jogos mais importante já realizados em Pernambuco).

<p>Paralelepípedo nas ruas também foi outro problema enfrentado pelos ciclistas</p>
Paralelepípedo nas ruas também foi outro problema enfrentado pelos ciclistas
Foto: Eduardo Amorim / Brisa Comunicação e Arte - Especial para o Terra

No mesmo dia, a Secopa informou que um bicicletário com quase 500 vagas foi comprado e uma ciclovia no trecho final do percurso estava pronta, mas acabou admitindo que só haverá vagas apropriadas para bicicletas na Arena Pernambuco após a Copa das Confederações. Todavia, o pior estava por vir. A ordem da Polícia Militar, da Guarda Municipal de São Lourenço da Mata e da CTTU no Ponto de Verificação de Veículos 3, pouco mais de uma hora antes do jogo Espanha x Uruguai, era não deixar nem mesmo os ciclistas com ingressos passarem. "Aqui é território da Fifa, se eu quisesse não poderia lhe deixar passar", disse um agente desavisado.

Daniel Valença, querendo chegar logo ao estádio, explicou que o grupo só decidiu fazer o percurso de 15 quilômetros porque tinha recebido de diferentes autoridades a informação de que seria liberado o tráfego de ciclistas pela Radial da Copa, via que liga a comunidade de Cosme e Damião ao estádio. O Terra, que acompanhava os ciclistas, tentou mostrar reportagem publicada e argumentar que o Governo do Estado garantiu a liberação de passagem para ciclistas com ingressos. Nada feito.

Ali, no limite entre o Recife e São Lourenço da Mata, poucas operadoras de celular tem bom sinal. Depois de várias tentativas, procurando quase todas as autoridades responsáveis pela organização da Copa em Pernambuco, finalmente o secretário executivo da Secopa, Gilberto Pimentel, atendeu e se comprometeu a resolver a situação. O diretor de trânsito da CTTU já tinha saído do local, mas voltou de carro e finalmente os portões da Arena Pernambuco foram abertos para as primeiras bicicletas.

O repórter, Ligia e Daniel passaram por estar portando ingressos. José Jayme, Jacaré e Andrea Luna voltaram, pois estavam apenas querendo ver o estádio pela primeira vez e não iriam para o jogo. Um resultado não tão empolgante, como uma partida em que o time favorito marca logo dois gols no primeiro tempo e administra o resultado.

A ciclovia não está pronta, mas o trajeto dentro do terreno da futura Cidade da Copa (projeto imobiliário que deve levar pelo menos 25 anos para ser construído) na certa é a parte mais segura de todo o percurso. O bicicletário ficou para depois da Copa das Confederações. Mas os três torcedores improvisaram em grades que são colocadas para organizar as gigantescas filas que se formam, de pessoas que vão pegar um ônibus circular, para depois tomar o metrô até o Recife e de lá seguirem de táxi, ônibus, bicicleta (o Grande Recife instalou bicicletário próximo à Estação Cajueiro Seco, em Jaboatão. Até agora, o único na Região Metropolitana do Recife) ou caminhando para suas casas.

Mas na saída da Arena Pernambuco, indo pegar as bicicletas para voltar a pedalar o grupo cruzou com um morador de Cosme e Damião: “sei nem como eles me deixaram passar de bicicleta depois do jogo”, disse Milton Jorge. Depois aparecem mais quatro ciclistas, que estavam combinando de participar do grupo, mas se atrasaram por conta da chuva e dão a boa notícia: “fomos recebidos com um ‘bem-vindos ciclistas’!”.

Desafio cumprido, os ciclistas que organizaram esse passeio esperam que o tráfego de bicicletas na Radial da Copa seja normalizado nas duas outras partidas da Copa das Confederações e que a estrutura cicloviária esteja concluída antes do Mundial 2014, mas alertam que os percursos existentes têm pouca iluminação, muitos buracos e deve ser feito com equipamentos de proteção, além de muita animação.

Passeio para quem tem experiência pedalando
Na primeira partida da Copa das Confederações no Recife, dois grupos de ciclistas fizeram percursos diferentes para chegar do Recife ao estádio construído na cidade de São Lourenço da Mata. Os ciclistas que saíram do bairro de Parnamirim foram em direção à Dois Irmãos, cruzaram a avenida Caxangá e seguiram trajeto por ruas pouco movimentadas dos bairros da UR7, Cosme e Damião, até chegar na Arena Pernambuco. Foram 15 quilômetros entre a praça do Parnamirim e o estádio, mas o grupo gastou mais de duas horas para fazer o percurso, incluindo paradas e o tempo necessário para ultrapassar a barreira policial.

Na volta, os dois grupos se uniram e fizeram um trajeto mais simples, porém perigoso por ser muito escuro, passando pela BR-408, BR-232 e pegando a Abdias de Carvalho para chegar nas suas residências. No retorno, ciclistas utilizaram rota mais longa, porém gastaram apenas uma hora e 20 até o Parnamirim. Mas a gerente da Secretaria Extraordinária da Copa, Maria Eduarda Campos, desaconselha o tráfego de bicicletas por essas rodovias em dias de jogos com grande movimento.

O domingo no Recife amanheceu com céu de brigadeiro. Mas às 14h45 começou uma chuva torrencial na Zona Norte, daquelas que irrita até o uruguaio Diego Lugano. Ativista do movimento Copa Favela, Andrea Luna e o artista plástico Jacaré se abrigaram em um posto de gasolina. "Vai rolar ainda? Tô aqui na galeria e está o maior pé d'água", avisava o empresário José Jayme. Integrantes da Ameciclo, Daniel Valença e a namorada Ligia Lima estavam trocando de bicicleta porque um dos pneus dela furou.

Após o conserto a chuva diminuiu, mas o grupo estava reduzido a apenas seis pessoas. Às 15h40, saíram utilizando a ciclofaixa da estrada do Encanamento, em direção a Dois Irmãos. Primeira parada foi em um posto de gasolina ao lado da avenida Caxangá. Após cruzar a avenida, pegaram a rua Gastão Vidigal, via conhecida por dar acesso à Oficina do artista plástico Francisco Brennand.

Dobrando à direita na Diogo de Vasconcelos começou um trecho que pouca gente conhece e os responsáveis pela Arena Pernambuco evitam divulgar, pois é um acesso que diminui o percurso em até sete quilômetros (de 22 para 15km), mas que o Governo do Estado não conseguiu duplicar (as ruas tem apenas uma faixa em cada sentido, passam por dentro de pequenas comunidades, ladeiras enormes especialmente na Vale do Sirigi, mas com um clima rural em plena capital).

“Se eu soubesse que a ladeira era tão íngreme teria tentado convencer o pessoal a ir por outro caminho”, disse Lígia após uma das subidas que teve de ser feita caminhando. Alguns quilômetros depois, chega-se à Estação de Metrô de Cosme e Damião, de onde se gasta menos de 10 minutos para acessar a Arena Pernambuco. Importante lembrar que o trajeto só deve ser feito em grupo ou por ciclistas muito experientes.

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Fonte: Terra
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