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Venda de Neymar leva alívio, mas Seleção promete controlar assédio

Durante a preparação e disputa dos Jogos Olímpicos de 2012, Thiago Silva, Oscar e Lucas trocaram de clube enquanto serviam Seleção. Felipão orientará grupo a deixar mercado durante Copa das Confederações

28 mai 2013
10h13
atualizado às 10h13
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Se pudesse optar por um período para disputar grandes competições, o intervalo entre as temporadas europeias certamente não seria a escolha de quem trabalha na Seleção Brasileira. No auge de especulações, assédio e agitação do mercado do continente que mais importa jogadores do País, geralmente os atletas estão a serviço do time nacional e levam para a concentração propostas, expectativa e boatos que podem atrapalhar o foco pretendido pela comissão técnica nos próximos 25 dias.

<p>Neymar definiu sua ida ao Barcelona, mas muitos outros jogadores da Seleção Brasileira irão conviver com especulações</p>
Neymar definiu sua ida ao Barcelona, mas muitos outros jogadores da Seleção Brasileira irão conviver com especulações
Foto: EFE
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Pensando nisso, o técnico Luiz Felipe Scolari orientará os 23 convocados para a Copa das Confederações a manterem o foco apenas na preparação que se inicia nesta quarta-feira. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, tentará evitar situações como as que causaram inúmeras saias-justas na preparação olímpica do último ano, quando Mano Menezes ainda era o treinador.

Nada menos do que três jogadores fecharam negócio quando estavam concentrados com a Seleção. Ainda no Rio de Janeiro, no mesmo Hotel Sheraton Rio que abrigará o time de Felipão a partir desta terça, Thiago Silva realizou exames com um médico enviado pelo PSG e assinou contrato com o time francês. Já na Inglaterra, Oscar foi levado diretamente do aeroporto para uma clínica indicada pelo Chelsea e Lucas selou o acordo com PSG. As duas transferências geraram desconforto e polêmica (veja quadro abaixo).

Diante deste histórico, a venda de Neymar levou alívio para a comissão técnica e CBF. Existia o temor que a indefinição do futuro do atacante se estendesse e comprometesse não só o seu futebol, mas a tranquilidade desejada em uma concentração. Mesmo com a venda selada, Felipão acertou com o departamento de comunicação da entidade que o atacante não concederá entrevistas até o amistoso de domingo contra a Inglaterra, no Maracanã. A promessa é de proteção total ao novo reforço do Barcelona.

Assédio em Londres

Além da decepção na final olímpica, a passagem da Seleção pela Inglaterra em 2012 teve como marca saias-justas ocasionadas pelo assédio de clubes a jogadores. Logo no desembarque do time de Mano Menezes, o Chelsea recepcionou Oscar, colocou o jogador em sua van e o levou para fazer exames médicos. O procedimento vazou, mas a CBF, que na época tinha como diretor de Seleções Andrés Sanchez, tentou segurar ao máximo a história com medo da repercussão. A entidade se incomoda quando é acusada de abrir as portas para empresários.

Já na reta final da Olimpíada, a Seleção apertou o controle no assédio aos jogadores. Mesmo assim, o empresário Wagner Ribeiro viajou para Manchester e tentou liberação para entrar no hotel em que o time se concentrava para a semifinal e apresentar a Lucas a proposta do PSG. Teve o pedido negado e só falou com o cliente pelo telefone. A diretoria do São Paulo reclamou que Sanchez usou pesos diferentes para situações semelhantes. Enquanto deixou o Chelsea ter acesso a Oscar, teria dificultado a venda de Lucas. O então diretor da CBF se defendeu dizendo que em uma reta final de torneio não abriria concessões.

No grupo convocado por Felipão para a Copa das Confederações, destacam-se três jogadores que são alvos do mercado europeu e conviverão com especulações enquanto defendem a Seleção Brasileira. Leandro Damião tem saída praticamente certa do Internacional, assim como o corintiano Paulinho deve arrumar as malas para jogar na Inter de Milão. Destaque do Atlético-MG, Bernard descobrirá um novo interessado em seu futebol cada vez que abrir um jornal europeu.

Os jogadores totalmente despreocupados com as movimentações do mercado aumentaram em relação ao último ano. Somam-se aos recém-transferidos Neymar, Lucas, Thiago Silva e Oscar os estáveis Diego Cavalieri, Jefferson, Daniel Alves, David Luiz, Dante e Hernanes. Já Fred e Jean dificilmente deixarão o Fluminense. Entre os demais, especulações neste período não serão surpresas.

Sempre conectados

Por mais esforços possíveis para blindar os jogadores, um isolamento total às especulações do mercado é tarefa inglória no mundo de hoje. Trancafiados em seus quartos, os atletas passam grande parte do tempo de concentração falando em celulares, conectados na internet e se comunicando em redes sociais. Especificamente na preparação para a Copa das Confederações, a comissão técnica terá outro obstáculo. Apenas em três dias em Goiânia a Seleção terá exclusividade em hotel. Nos demais, haverá controles de segurança, mas não há como limitar totalmente o acesso ao lobby.

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Fonte: Terra
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