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Alemães aprovam Cacau e comemoram primeira goleada

13 jun 2010
22h27
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No primeiro confronto com mais de dois gols na Copa do Mundo da África do Sul, a Alemanha venceu a Austrália por 4 a 0 na tarde deste domingo. O resultado alegrou milhares de germânicos, alguns deles reunidos no Restaurante Lukullus. Com muita cerveja e comidas típicas em São Paulo, nativos e descendentes deixaram a xenofobia de lado para elogiar a atuação do brasileiro Cacau, autor de um dos gols da partida.

Alemanha 4 x 0 Austrália: Veja animação dos gols em 3D

"Hoje em dia, isso é normal. Além do Cacau, também há outros jogadores que não têm a pele branca, como o (Jerome) Boateng, que tem ascendência de Gana, tanto que o irmão dele (Kevin) vai jogar a Copa por Gana. Há muitos jogadores e habitantes na Alemanha que não têm a cor da pele branca. Hoje em dia, para a gente não faz mais tanta diferença", diz o economista Stefan Mahnkopf, 34 anos, acompanhado pela noiva brasileira, de pele morena.

Dominada pelo ditador austríaco Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha ainda luta para eliminar o racismo e a xenofobia. No futebol, o problema é presente, especialmente, entre os torcedores. Atualmente, aproximadamente 2,5 milhões de turcos e descendentes vivem no país. Após a semifinal da Eurocopa-2008, disputada pelas duas nações e vencida pelos germânicos, cidades como Dresden e Hannover registraram demonstrações de xenofobia.

Ao longo dos últimos anos, no entanto, o esporte tem funcionado para integrar estrangeiros e imigrantes na Alemanha. Uma rápida olhada na seleção de Joachim Low é suficiente para comprovar o fenômeno. Nascidos na Polônia, país invadido por Hitler na Segunda Guerra, Lukas Podolski e Miroslav Klose marcaram contra a Austrália. Cacau, natural de Santo André, também estufou as redes. Para completar, Mesut Ozil, de origem turca, foi um dos destaques.

Jogadores estrangeiros na seleção, por sinal, não são novidade. Nascido em Gana, o atacante Gerald Asamoah participou das Copas do Mundo de 2002 e 2006. Primeiro brasileiro a estufar as redes na África do Sul, Cacau segue o caminho aberto pelos compatriotas Kevin Kuranyi e Paulo Rink. Para os alemães radicados no país pentacampeão do mundo, ver um brasileiro marcar um gol com a camisa da seleção é algo especial.

"Eu pensei que o Cacau seria titular do time hoje, mas entrou no final e ainda conseguiu marcar um golzinho. Acho que ele vai ter um papel muito importante para o time alemão. Mesmo com cinco jogadores machucados, a Alemanha mostrou que está muito forte. Achei que o Ballack faria mais falta. O primeiro jogo nunca é fácil, mas deu certo para a Alemanha. A seleção vai ganhar muita confiança e foi melhor do que eu esperava", disse Mahnkopf, em bom português, vestido com a camisa de Podolski.

O engenheiro Andreas Herr, 29 anos, nascido em Stuttgart, também acolheu Cacau. "Ele agora é alemão e a cor da pele não define quem é quem", afirmou, devidamente trajado com a camisa da seleção alemã e munido de uma bandeira do país. "Ele joga bem e, nos outros jogos, vai marcar ainda mais gols", apostou o consultor de negócios Marcus Schreiner, 29 anos, natural de Manheim. Ambos estão morando no Brasil e também falam português.

Ao invés de vestir uma camisa da seleção como a maioria dos presentes, Johannes Bayer, 39 anos, preferiu usar um traje típico da Baviera para torcer. "Cada região da Alemanha tem um detalhe diferenciado. Em algumas ocasiões, quando quero sublinhar a minha origem alemã, gosto de usar esse tipo de roupa. É muito confortável e quente para essa época do ano", justificou o gerente geral de um hotel de uma rede internacional, nascido em Lindemberg.

Há 13 anos no País, ele se casou com uma brasileira e teve filhos por aqui. O pequeno Thomas, 7 anos, acompanhou a goleada com a camisa de Klose, mas foi político quando questionado por sua preferência em um possível confronto entre Brasil e Alemanha, já que estava diante do pai. "Eu vou torcer para os dois", resumiu o garoto. Ele apontou Kaká como seu maior ídolo no futebol, mas lembrou que também gosta de Mário Goméz.

A goleada sobre a Austrália foi ainda mais saborosa depois do empate por 1 a 1 da Inglaterra diante dos Estados Unidos no último sábado, pois questões históricas, como as duas grandes guerras, e futebolísticas, como o gol ilegal britânico na final da Copa de 1966, opõem os dois lados. "Eles sempre têm problemas com seus goleiros e nos pênaltis. Eu realmente torci pela seleção americana e deu certo. Gostei do empate", encerrou Mahnkopf.

Sentados em suas mesas de forma ordeira antes da partida, os alemãs apenas balbuciaram o hino nacional. O primeiro gol de Podolski ainda foi comemorado de maneira contida. No segundo tento, anotado por Klose, um torcedor desenrolou sua bandeira e outro, acionou uma espécie de buzina. No segundo tempo, com os baldes de cerveja devidamente repostos, a intensidade da comemoração aumentou e o ápice veio com o chute certeiro de Cacau. No final, cumprimentos e fotos para comemorar a goleada.

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