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Estilo "paizão" de Maradona naufraga em roteiro previsto

12 jul 2010
02h32
atualizado às 04h39
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Fábio de Mello Castanho
Direto de Johannesburgo

As falhas que eliminaram a Argentina da Copa do Mundo da África do Sul, nas quartas contra a Alemanha, já eram visíveis na estreia contra a Nigéria. Porém, de certa forma foram abafadas pelas vitórias consecutivas na primeira fase, pela produção do ataque e por uma falha da arbitragem nas oitavas de final contra o México.

O técnico Maradona apostou em um perfil protetor, paizão dos jogadores, mas faltou impulso de mexer profundamente no time na hora que foi preciso. Durante toda a campanha, minimizou as falhas defensivas, fez elogios exagerados ao seu ataque e tratou Messi como um bibelô. Conseguiu a união do grupo, mas não encontrou o time ideal e saiu questionado por suas opções táticas.

Contra as frágeis defesas Nigéria e Coreia do Sul, tudo parecia uma maravilha. A ousadia de Maradona ao escalar três atacantes era recompensada, Messi brilhava, mas os sinais de fraqueza defensiva já apareciam. Nigerianos não aproveitaram um corredor gigantesco nas costas de Jonas Gutierrez e os sul-coreanos marcaram gol em uma falha bisonha de Demichelis.

Contra a Grécia, mais problemas. Messi foi parado por uma forte marcação grega, mas o treinador preferiu culpar as faltas seguidas no seu craque (na verdade quatro em todo o jogo) para justificar a dificuldade. O time foi formado em maioria por reservas e conseguiu a vitória nos minutos finais do jogo.

Contra o México, fez alterações no meio-campo, mas manteve os três atacantes. Resultado: a Argentina era dominada até Tevez marcar um gol em impedimento. O erro da arbitragem abalou os mexicanos, a Argentina marcou outro logo em seguida e a partida ficou praticamente decidida.

Na entrevista pós-jogo, Maradona mostrou sinais de irritação. Deu patadas e tudo levava a crer que mudaria o time para enfrentar a Alemanha. As duas equipes haviam se enfrentado em amistoso no começo do ano e os argentinos, com um meio de campo mais marcador e apenas Messi e Higuaín no ataque, dominou os rivais.

A necessidade de mudança tática para o jogo era gritante, mas Maradona resolveu manter a aposta no talento de seus atacantes. Foi engolido por uma Alemanha dominante no meio e teve de ouvir uma explicação tática de Joachim Löw. "A Argentina é um time dividido. Cinco só conseguem defender e outros cinco só atacar".

Deixou a Copa dizendo que resgatou o verdadeiro futebol argentino. Não deu certeza se continuará no comando da seleção, mas em um balanço realista sabe que teve méritos em unir um grupo, mas falhou ao estabelecer um padrão de jogo seguro. Como alento, deixou um caminho trilhado, com jogadores ainda jovens, para seu sucessor (ou ele mesmo) trabalhar até a Copa de 2014.

Maradona consola Messi após a Argentina dar adeus ao sonho do tri mundial
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Foto: Reuters
Terra

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