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Gana beira semi e minimiza vexame africano na Copa em casa

12 jul 2010
04h01

A África já foi sinônimo de futebol ofensivo, alegre, irreverente, irresponsável, até desorganizado. Esqueça essa definição. Na Copa do Mundo de 2010, Gana esteve muitíssimo perto de fazer a melhor campanha da história desse continente em Mundiais apresentando um estilo de jogo totalmente distinto ao citado: forte na defesa, bem montado taticamente e sem grandes talentos individuais.

Eliminada nas quartas de final pelo Uruguai, Gana teria sido a primeira seleção africana a chegar à semi de uma Copa não fosse o erro justamente de seu principal jogador: Asamoah Gyan. O atacante, responsável por três dos parcos cinco gols marcados por seu time na competição, errou um pênalti no último lance do segundo tempo da prorrogação. Como resultado, a definição após o empate por 1 a 1 foi para a cobrança de pênaltis, e Sebastián "El Loco" Abreu deu uma "cavadinha" para confirmar a classificação uruguaia.

Pelo segundo Mundial seguido, a África decepcionou e apenas os ganenses passaram da primeira fase. Se em 2006 eles não jogaram mal, mas caíram por 3 a 0 diante do Brasil nas oitavas, desta vez venceram os Estados Unidos por 2 a 1 no mata-mata e avançaram uma rodada a mais.

Gana, que só pertenceu à elite do futebol do planeta por duas vezes em sua história, não tem o brilho e o molejo pelos quais os africanos ficaram conhecidos a partir das boas campanhas de Camarões (parou nas quartas na Copa de 1990), Senegal (quartas em 2002) e Nigéria (oitavas em 1994 e 1998).

Porém, tem mais planejamento. Enquanto Costa do Marfim, Nigéria, Camarões e África do Sul, todos participantes do Mundial de 2010, trocaram seus técnicos nos últimos 12 meses, Gana sustentou as pressões e mantém o sérvio Milovan Rajevac desde 2008. Com um time muito consciente taticamente e forte fisicamente, ele superou o grande desfalque do volante Michael Essien e montou um esquema 4-1-4-1 eficiente, somente com Gyan no ataque.

Gana ainda tem, diferentemente dos conterrâneos da África, menos brigas internas, ou pelo menos sabe controlá-las com mais precisão. Quando o meio-campista Sulley Muntari desrespeitou a autoridade de seu treinador, foi cortado do grupo vice-campeão da Copa Africana de Nações, em janeiro passado. Na África do Sul, o jogador da Inter de Milão e outro nome experiente, Stephen Appiah, ficaram no banco de reservas.

Sem escalar por nomes de peso, os ganenses contam também com outra vantagem: o futuro lhes pertence. Com média de idade de 24,1 anos, o plantel do país era o mais jovem de toda a Copa e foi recheado com quatro novatos que se sagraram campeões do Mundial Sub-20 em 2009, na final contra o Brasil.

Um deles era o atacante Dominic Adiyiah, contratado em janeiro pelo Milan, que certamente terá novas oportunidades para apagar a última impressão deixada em solo africano: foi ele quem errou o quarto pênalti batido por sua equipe contra o Uruguai, permitindo que Abreu selasse a vitória por 4 a 2.

Em uma análise fria, a África fracassou na primeira Copa da história em seu território. Em 20 partidas disputadas, foram dez derrotas, seis empates e apenas quatro vitórias. Se o desempenho não foi ainda pior, isso aconteceu graças a Gana, Costa do Marfim e África do Sul.

Embora tenham entrado para a história como o primeiro país-sede a ser eliminado na primeira fase da competição, os sul-africanos não têm muito a lamentar. Lotaram os estádios, estamparam a alegria na cara das pessoas, fizeram uma competição bem organizada e ainda saíram aplaudidos pela torcida, conquistando a vitória mais expressiva da seleção nacional - sobre a França, campeã do mundo em 1998 e nona colocada do ranking da Fifa, por 2 a 1.

Nesse contexto, a vaga nas oitavas de final só não veio por causa do saldo de gols: de dois negativo, contra um positivo do México, que também encerrou sua participação no Grupo A com quatro pontos. Bom para um time que ocupa apenas o 83º lugar na lista da Fifa e que não havia perdido oito das últimas nove partidas realizadas sob o comando de Joel Santana. A situação só mudaria com a contratação de Carlos Alberto Parreira, que reestreou com os "Bafana Bafana" em novembro.

Empolgando a imprensa e os fãs locais, a África do Sul iniciou o torneio com uma série invicta de 11 jogos, em todos dirigida por Parreira. Essa sequência chegou a 12 e só foi interrompida pelo Uruguai, que na segunda rodada aplicou um impiedoso 3 a 0 que ao final pesaria muito para a não classificação dos mandantes.

Mesmo assim, nem nesse jogo os africanos foram totalmente dominados, pois perdiam pela vantagem mínima e equilibravam as ações até o 34º minuto do segundo tempo, quando o goleiro Itumeleng Khune foi expulso após cometer pênalti em Luis Suárez.

Pela segunda Copa seguida, Gana, de Pantsil, foi única seleção africana a superar primeira fase
Pela segunda Copa seguida, Gana, de Pantsil, foi única seleção africana a superar primeira fase
Foto: AFP
Fonte: Terra

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