Futebol

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12 de maio de 2010 • 17h38

Viúva de Leônidas: "se ele não fosse jogador, seria bailarino"

Atrevido e talentoso, o atacante Leônidas da Silva impressionou o mundo com sua jogadas na Copa de 1938
Foto: AFP
Alex Mirkhan
Direto de São Paulo

Elasticidade e impulsão, características marcantes de Leônidas da Silva em sua carreira de artilheiro nas décadas de 30 e 40, ainda estão na memória de quem acompanhou a trajetória de um dos primeiros craques do futebol brasileiro e mundial. Tanto que Albertina Santos, viúva do atacante, ainda considera assombrosa a capacidade que ele tinha de improvisar jogadas, como a sua famosa invenção, divulgada ao mundo na Copa de 1938 e eternizada com o nome de bicicleta.

Tamanho talento de um jogador desconhecido até então, de uma Seleção Brasileira igualmente incógnita, deixou o público presente ao Mundial na França boquiaberto. Na vitória de estreia do Brasil por 6 a 5 sobre a Polônia, Leônidas, suspenso em horizontal ao chão e de costas para o gol adversário, executou a famosa série de movimentos de pernas que o tornaram famoso. Impressionado, o jornalista francês Raymond Thourmagen apelidou o habilidoso atacante, que seria o artilheiro do Mundial com oito gols, de "Homem Borracha" e "Diamante Negro".

"Quando me perguntam qual seria a profissão de Leônidas se não fosse jogador de futebol eu não tenho dúvidas em responder: ele seria bailarino", diz sorrindo a simpática viúva do jogador, que justifica: "ninguém jogava a perna tão alto quanto ele. Era impressionante".

Albertina conheceu "Léo" já aposentado dos gramados, quando ambos eram colegas de trabalho, e o acompanhou até o fim da sua vida. Ela insiste em destacar o talento grandioso de Leônidas para os seus pouco mais de 1,65 m de altura. "Ele era baixinho que nem o Romário, mas ninguém conseguia pará-lo", exalta.

Leônidas também se destacava dos demais por sua garra e combatividade, marcas registradas de um atacante que fez 37 gols em 37 jogos pela Seleção Brasileira. Ele também balançou as redes diversas vezes por Vasco, Botafogo, Peñarol (URU) e, principalmente, por Flamengo e São Paulo. Em 2004, aos 90 anos, o ex-atacante morreu vítima de Mal de Alzheimer, e deixou como legado sua enorme contribuição ao futebol do começo do século passado.

Gol descalço

Fato notório da Copa do Mundo de 38 foi o inédito e único gol marcado com o pé descalço. No fim da prorrogação contra a Polônia, Leônidas da Silva fez o último dos seus três gols na partida sem a chuteira no pé direito. O tento não foi anulado porque o árbitro sueco do fatídico jogo não percebeu que o craque brasileiro havia perdido a chuteira momentos antes da finalização certeira.

"A chuteira dele saiu do pé por causa da lama, você imagine como eram os campos naquele tempo. E ele calçava 36, tinha o pé pequeno, então a chuteira escapou mesmo", diz a viúva do ex-jogador, que lamenta o fato de o Brasil não ter sido campeão naquele ano.

A Seleção teve o desfalque de Leônidas, contundido, e perdeu para a Itália na semifinal por 2 a 1. Porém, a equipe ainda alcançou o histórico terceiro lugar e retornou ao País festejada pela torcida, saudosa em especial com o maior destaque daquela Copa: o inesquecível Leônidas.

Especial para Terra