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 Brasil e 24 anos de fila assombram argentinos no ano da Copa
26 de fevereiro de 2010 13h42 atualizado às 14h17

Histórico negativo aumenta pressão sobre Maradona no Mundial da África do Sul. Foto: AP

Histórico negativo aumenta pressão sobre Maradona no Mundial da África do Sul
Foto: AP

Fábio de Mello Castanho
Direto de Londres

Vinte e quatro anos sem ganhar uma Copa do Mundo e o sucesso do rival Brasil neste período formam um pesadelo na cabeça dos argentinos. Segundo pesquisa realizada pela empresa TNS/Gallup a pedido da Nike, os torcedores do país vizinho tem como um de seus grandes desejos superar a Seleção Brasileira, mas ao mesmo tempo veem o adversário como maior ameaça a mais quatro anos de jejum.

Aplicada em 800 pessoas no começo deste ano, a pesquisa teve como finalidade ajudar a empresa a formular a campanha que será exibida no país em promoção à Copa do Mundo. Mas consegue também traçar um raio-x do relacionamento da população com a seleção e um perfil do torcedor argentino.

Conhecida pela culto ao passado, simbolizado pelos funerais polêmicos e suntuosos de ídolos e heróis, a sociedade argentina mostra ao menos no futebol uma tentativa de rompimento com o que já aconteceu. Sete de cada dez entrevistados afirmaram na pesquisa que o país necessita ganhar outro Mundial porque o de 1986 está muito antigo.

O maior ídolo esportivo da história da Argentina atingiu seu auge naquela Copa, mas mesmo assim os argentinos já começaram a encarar a conquista "de Maradona" com distância. Apenas 12% das pessoas ouvidas acreditam que não haverá uma seleção melhor que aquela.

Contraditoriamente ao que mostra a pesquisa, a imagem do time atual está muito ligada à seleção de 1986, por conta da presença de Maradona como técnico e de Billardo, treinador daquele ano, como coordenador. "Isso mostra que por mais que tente se desapegar do passado o argentino ainda recorre a ele", explicou a apresentadora da pesquisa, Felicita Castrillón.

Esta conturbada relação com o passado ajuda o argentino a não ser entusiasta com a atual seleção. Apenas 35% dos entrevistados apostaram no país como vencedor da Copa, número muito próximo aos 24% que colocam o Brasil como favorito. Ou seja: para um a cada quatro argentinos o maior rival ganhará o Mundial.

O temor em relação aos brasileiros é justificado em grande parte pelo retrospecto recente no confronto entre as duas seleções. O Brasil derrotou a Argentina na decisão da Copa das Confederações de 2005 e nas finais da Copa América de 2004 e 2007. No último confronto, vitória brasileira em Rosario pelas Eliminatórias.

Os fracassos recentes contra os rivais explicam em grande parte a resposta dada pelos argentinos em relação ao significado de um título da Copa do Mundo. A pesquisa mostra que 79% citaram "ganhar do Brasil" e outros 78% "diminuir o a diferença de Copas para o Brasil" como significados de uma eventual conquista.

Na garra

Para acabar com as sombras da Copa de 1986 e do Brasil, os argentinos apostam tudo na valentia. O principal pedido de 38% dos entrevistados foi para que os jogadores demonstrem garra em campo. Outros 14% querem um time que honre a camisa da seleção.

Não à toa, Tevez é o jogador que desperta mais orgulho nos jovens. Conhecido por sua entrega em campo, o atacante é o preferido de 25% dos entrevistados entre 17 e 25 anos. Lionel Messi, melhor jogador do mundo de 2009 e de técnica refinada, ficou com 22%.

O repórter Fábio de Mello Castanho viajou a Londres a convite da Nike.

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