- Fábio de Mello Castanho
- Direto de Pretória
Os motivos são diferentes. Uma seleção está preocupada em esconder detalhes da preparação para a Copa do Mundo, na qual entra como uma das favoritas. A outra até gosta de receber imprensa, mas representa um país odiado por sua interferência política no mundo e se resguarda de possíveis atentados ou incidentes. Guardadas as diferenças, Argentina e Estados Unidos rivalizam pelo posto de seleção com o esquema de segurança mais exagerado na África do Sul.
Instalados em Pretória desde sábado, os argentinos só mostraram a cara no aeroporto. Desde então, apenas Maradona e Mascherano deram entrevistas e nenhum treino foi aberto para a imprensa. Uma lona verde no portão indica que ninguém devidamente autorizado deve se aproximar do campo do Centro de Alta Performance da Universidade de Pretória.
Para garantir o total isolamento, policiais fazem a ronda nas tranquilas cercanias da concentração. Montados a cavalo, guardando posição nas portas de entrada ou em vans, os oficiais se revezam na explicação de que ninguém pode entrar nos locais de treino. Nesta terça-feira, até uma guarita foi transferida para a entrada principal para maior conforto dos guardas de plantão.
Na única vez em que a imprensa foi autorizada a entrar no local, para uma simples coletiva, exageros. Seguranças faziam uma inspeção completa, com esvaziamento de mala e muitas perguntas. "Você não acha que é necessário?", questionou o responsável pela segurança da seleção argentina, Pablo Fernández.
Também instalado em Pretória, no distrito de Irene, a seleção americana permite a entrada da imprensa nos treinos e os jogadores concedem entrevistas. Mas tudo em um rigoroso plano de segurança, com esquadrão antibombas, cachorros farejadores e inspetores vindos dos Estados Unidos.
No hotel em que os americanos estão instalados, ninguém se aproxima. As entrevistas são em um clube de campo, em uma barraca de lona improvisada. Durante o treino, seguranças não desgrudam os olhos de quem acompanha a atividade.
A preparação pré-entrevista começa meia hora antes de os jogadores chegarem. Policiais retiram da barraca todos os profissionais que já estão no local. Quatro cachorros farejadores entram em ação com seus guias. Mais tarde, policiais especializados em explosivos também fazem o seu trabalho.
Após a inspeção criteriosa, só entra quem mostrar tudo o que carrega na bolsa e tiver credenciamento. Caso contrário, não poderá acompanhar as coletivas. Número de efetivo e detalhes da operação policial são mantidos como segredos de Estado.
Até o lateral Jonathan Spector disse que a segurança é um pouco exagerada. "Eu estou confortável com a presença deles. A segurança está fazendo um bom trabalho, mas não sei até que ponto isso é necessário", disse.
- Terra

Foto: Reuters 






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