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Copa 2006
Quinta, 13 de julho de 2006, 15h40 
Mesmo parcial, pedido de desculpas de Zidane agrada à França
 
Jon Boyle
 
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Ministros, treinadores, jogadores, ex-atletas, intelectuais e fãs franceses do ídolo Zinedine Zidane receberam bem o pedido de desculpas parcial feito pelo jogador por ter dado uma cabeçada no italiano Marco Materazzi na final da Copa da Alemanha.

Zidane disse a seu país, em entrevistas divulgadas pela TV na quarta-feira, que lamentava o fato de sua atitude ter sido vista por milhões de crianças em todo o mundo, mas disse não ter como se arrepender de defender sua família dos insultos do italiano.

"Acho que Zinedine Zidane disse o que todos nós esperávamos. Quer dizer, ele pediu desculpas, especialmente a crianças e professores", disse o ministro dos Esportes, Jean-François Lamour.

Zidane, que jogava sua partida de despedida na seleção francesa, foi expulso de campo no segundo tempo da prorrogação da final de domingo por dar uma cabeçada no peito do italiano Materazzi. O capitão da França disse que tomou a atitude porque o italiano ofendeu sua mãe e sua irmã.

Com a expulsão, Zidane acabou ficando fora da cobrança de pênaltis, vencida pela Itália por 5 a 3.

O principal jornal esportivo da França, o L''Equipe, que havia criticado duramente a agressão de Zidane contra Materazzi em sua edição de segunda-feira, adotou um tom mais conciliador na quinta-feira, ressaltando as declarações engajadas de Zidane sobre a necessidade de combater o racismo no esporte.

"Durante sua longa carreira, em que ouviu coisas assim centenas de vezes, ele nunca tinha tocado nesse assunto", escreveu o jornal em editorial.

"Essas entrevistas de Zinedine Zidane foram uma forma solene de dizer adeus, depois de ele ter perdido a oportunidade em Berlim."

Materazzi admitiu ter ofendido Zidane, mas negou ter se referido à mãe do capitão da França ou ter feito comentários racistas. Ambos terão suas atitudes analisadas pelo comitê disciplinar da Fifa.

Michel Hidalgo, ex-técnico da seleção francesa, estava entre as personalidades que se recusaram a condenar Zidane logo de cara. "Dá para sentir que ele ficou abalado, porque ele teria tido um grande adeus se esse incidente não tivesse acontecido."

"Ele ficou ofendido e perdeu a cabeça. Ele disse que foi uma atitude repreensível. Também temos de dizer a ele que somos capazes de perdoá-lo."

Os torcedores também receberam bem o pedido de desculpas. "O que mais me marcou foi que Zidane é um homem honrado", disse ao Le Parisien Herve Lambinet, de 54 anos.

O escritor israelense Etgar Keret afirmou, no jornal Liberation, que a atitude de Zidane foi a de alguém que vai ao encontro de seu destino. "Com sua explosão de raiva, esse jogador preferiu encerrar sua carreira magnífica não como uma lenda, mas como um indivíduo, caloroso, sensível e que não é maior que a vida."

Zidane contou ainda com o apoio do piloto espanhol Fernando Alonso, atual campeão da Fórmula 1. "De um lado há decepção, porque é meu jogador favorito, e não se pode fazer isso em campo", disse Alonso na quinta-feira, no circuito de Magny-Cours, na França. "Mas mesmo assim o apóio. É a reação normal para um profissional", acrescentou.

Já o piloto italiano Jarno Trulli disse que não tem como concordar com o que Zidane fez. "Posso entender sua reação, mas infelizmente não posso perdoá-lo", disse Trulli.

(Reportagem adicional de Alan Baldwin em Magny-Cours)
 

Reuters

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