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Seleções
Quinta, 18 de maio de 2006, 07h31  Atualizada às 08h22
Cidade "fantasma" vive últimas horas de tédio
 
Antonio Prada
Direto de Weggis (Suíça)
 
Marcelo Monteiro/Terra
Flagrante do centro de Weggis ao meio-dia
Flagrante do centro de Weggis ao meio-dia
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Resort histórico de renomadas personalidades como Mark Twain, Emile Zola, Alexandre Dumas, Sergej Rachnanninof e Rainha Vitória, a pequeníssima Weggis respira no ritmo suíço. Acorda lentamente, iluminada pelo brilho esfuziante dos Alpes ao fundo. Dorme cedo, com a brisa do lago Lucerne, que abraça todo o seu contorno.

Confira fotos de Weggis

Não tem trânsito. Encontrar mais do que cinco pessoas circulando na rua ao mesmo tempo é um evento. E tudo tem hora certa, como os bons relógios do país. Ainda. A quatro dias da chegada da Seleção Brasileira, que escolheu a cidade de 4.001 habitantes (sim, assim tão preciso) como sede de sua preparação para a Copa, os habitantes e comerciantes de Weggis acreditam que a cidade vai sofrer apenas uma pequena mudança de rotina, mas com um pouco de dedicação e a tradicional eficiência dará conta de atender a demanda, como já faz nas suas usuais temporadas de verão, que são famosas desde 1892, quando já existiam 11 hotéis no local.

A realidade desta primeira temporada de futebol, no entanto, deverá ser cruel com a cidade que de tão plácida parece cenográfica e fica a 55 km de Zurique. Não chegaram nem 10 dos 700 jornalistas do mundo inteiro credenciados para cobrir o dia-a-dia do Brasil e rostos assustados já aparecem nas janelas, nas ruas, nos restaurantes e nos hotéis.

Há conexões wi-fi de internet sim, mas que caem com três computadores conectados ao mesmo tempo. Um jornalista espanhol tentou utilizar um "pen drive" nos computadores de um hotel para tirar uma cópia de um documento, mas as máquinas não aceitavam. Os poucos restaurantes não prepararam nenhum esquema especial para receber a tradicional e barulhenta trupe que acompanha a seleção mundo afora. Vão estender apenas o horário de atendimento, das 21h30 para as 23h.

Os dois únicos bares da cidade informaram que não vão mudar de horário. Felizmente, um deles, o Art Bar, fecha diariamente às 2h30. Mas não adianta pedir comida depois das 22h. Um sorriso brasileiro talvez faça a garçonete filha de libaneses descongelar um pizza sem gosto e colocá-la em um micro ondas para enganar o estômago. A única e modesta discoteca da cidade não crê em superlotação.

O esquema de segurança ainda não foi divulgado. Por enquanto, o tradicional posto policial, chamados pelos moradores de escritório, continua sua rotina, comandado por três inspetores. Violência e crime são expressões praticamente banidas dos dicionários dos moradores. A última grande ocorrência policial foi o arrombamento de um hotel, durante uma dessas noites normais. Não há porteiros nem recepcionistas na maioria dos hotéis da cidade. Aliás, as chaves dos quartos são penduradas em um quadro geral fora da recepção, quando os hóspedes saem para passear ou trabalhar.

Vazia na maior parte do dia e da noite, a cidade tem uma imagem marcante em tempos de ansiedade com a chegada dos brasileiros. De dentro das janelas, mãos arrastam cortinas para mostrar o rosto em busca de novidades. Bandeiras brasileiras são penduradas nos apartamentos como sinal de "sejam bem-vindos". Weggis, fundada em 998, que já foi Quatigiso, Gautegiso, Wetgis e Waggis, tem um amor platônico por esses desconhecidos "brasileiros". Amor que pode não vingar ao se defrontar com os reais personagens dessa história que Mark Twain não assinaria.
 

Redação Terra