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Seleções
Quarta, 21 de junho de 2006, 16h34  Atualizada às 00h36
Zico se diz visado e critica a Fifa
 
Allen Chahad
Antonio Prada
Sérgio Loredo
Wanderley Nogueira
Direto de Dortmund
 
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O técnico do Japão, Zico, disparou contra a Fifa e a organização da Copa do Mundo nesta quarta-feira. O brasileiro se mostrou indignado em relação a algumas decisões da entidade e afirmou que ela dá tratamento diferenciado às equipes de maior tradição.

Zico critica Fifa e regras da Copa 2006
Zico diz que Brasil não precisa respeitá-lo

"Há seleções, como o Japão, que não têm força para ter as decisões a seu favor", disse o treinador. Ele ficou bastante insatisfeito com a escalação de Frank De Bleeckere para apitar o confronto de seu time contra a Croácia, no último domingo.

"Gostaria de entender os critérios que a Fifa usa. Se o Japão é uma seleção da Ásia, e a Croácia, da Europa, como podem escalar um juiz belga? Acho que deveria ser de outro continente, mas sou uma gota d'água no oceano. E vou continuar sendo", disse Zico.

O treinador, que reclamou bastante de um pênalti não marcado para seus comandados diante da Croácia, admitiu que suas declarações podem ser mal vistas pelos organizadores do Mundial. Mesmo assim, garantiu que não vai mudar a atitude.

"Fico visado, é claro, mas não vou ficar quieto diante daquilo que acho errado. Meu compromisso é com a verdade", acrescentou o técnico, um dos poucos críticos do critério de definição dos cabeças-de-chave: "Por que times como Brasil, Alemanha, Itália e Argentina não podem se enfrentar na primeira fase?"

"Acho que as equipes menores, se estão garantindo classificação dentro de campo, têm que ter o mesmo tratamento das demais. Até o Brasil, que é o atual campeão, teve que disputar as Eliminatórias, então ninguém tem privilégio", acrescentou.

A irritação de Zico era tão grande que ele voltou a falar sobre a arbitragem quando questionado sobre o nível técnico do Mundial: "A única coisa que eu vi de diferente foi um juiz parar o jogo para beber água".

Antes do início da Copa, a Fifa enviou um documento a todos os treinadores pedindo "fair play". Eles tinham de assiná-lo e assumir uma série de compromissos, que ia desde não fumar no banco de reservas até evitar críticas contundentes à organização. "Eles querem se resguardar de algum problema futuro, mas não concordo."

Por fim, Zico reafirmou que, independente do resultado no Mundial, não continua à frente do Japão. Ele espera conseguir um emprego na Europa, uma vez que não vê possibilidade de estabilidade no comando de qualquer time do Brasil.

"Quero saber se acho um espaço na Europa. No Brasil, não, acho que é um direito meu tentar dar um salto. Tenho confiança na minha qualidade e quero ter a perspectiva de começar um trabalho e poder terminá-lo", concluiu.
 

Redação Terra