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As feições não negam a origem, mas a torcida japonesa no Brasil está dividida e na hora em que a bola rolar na quinta-feira, entre Brasil e Japão, alguns nisseis vão gritar pela seleção de seus pais e do técnico Zico. Outros, no entanto, torcerão pela equipe de Carlos Alberto Parreira.
Apesar de toda a dificuldade que o Japão terá pela frente para continuar no Mundial, muitos ainda têm esperanças, mas assumem a decepção com os japoneses. "Estou torcendo para o Japão, o Brasil já está classificado. Mas o Japão ainda é ruim, não tem finalização, embora tenha melhorado", disse Marcos Iochida, 18 anos, bisneto de japoneses, estudante de uma escola localizada perto do tradicional bairro da Liberdade, centro da comunidade japonesa em São Paulo.
O jovem Marcelo Eiji, 18 anos, filho de japoneses, também se mantém fiel à terra natal de seus pais. "Torço para o Japão, mas achei que o (meia Hidetoshi) Nakata ia mandar brasa, porque ele é a estrela do time", disse.
No entanto, uma pesquisa feita pela revista nipobrasileira Made in Japan mostra que a comunidade anda dividida quando o assunto é Copa do Mundo. Segundo o levantamento feito com internautas, 35,8% vão torcer pelo Brasil e 35,3% pelo Japão. Outros 24,6% torcerão pelas duas seleções.
A editora da revista Andreia Ferreira afirmou que os laços entre os dois países são muito fortes. A classificação do Japão à Copa se deveu em grande parte ao fato de vários técnicos e jogadores brasileiros terem ajudado a desenvolver o esporte no país, segundo ela.
Efetivamente, o técnico do Japão é Zico, um dos grandes craques brasileiros, e um dos melhores jogadores da equipe é Alex Santos, que se naturalizou japonês para defender as cores daquele país.
Mas, para alguns nisseis e sanseis (filhos e netos de japoneses), ter nascido no Brasil é mais forte do que a tradição japonesa da família. "A minha avó torce para o Japão. Mas eu vou torcer para o Brasil, porque nasci aqui. Se fosse o Japão contra qualquer outro time, aí eu torceria para eles", disse a sansei Fernanda Okamoto, 13 anos.
O Brasil tem a maior colônia japonesa fora do Japão. Atualmente, mais de 60 mil cidadãos japoneses moram no país, segundo o Consulado Geral do Japão.
Discurso amigável
Mesmo tendo nascido no Japão, comerciantes do bairro da Liberdade apostam no Brasil. "Moro aqui há 30 anos, vou torcer para o Brasil. Brasil é bom e forte. O Zico está treinando bem, mas o Japão não é bom", disse Katsui Yamagushi, 70 anos, gerente de uma loja de revistas e livros japoneses.
As cores brasileiras dividem espaço com a típica decoração japonesa das ruas do bairro, localizado na região central da capital paulista. Bandeirinhas do Brasil convivem lado a lado com as famosas lanternas vermelhas características do bairro.
O discurso de Teruko Oishi, 60 anos, japonesa que mora há 40 anos no Brasil, segue a mesma linha amigável. "Vou torcer para os dois times. Tem que ser jogo limpo, sem briga e sem pontapé", disse Teruko.
Há ainda quem use argumentos como a habilidade esportiva para justificar sua preferência. A vendedora ambulante Yoko Yabase, 64 anos, acredita que japoneses são melhores no beisebol do que no futebol.
"Torço para o Brasil, sou brasileira. No futebol tem de ser brasileiro mesmo. Eu tinha oito irmãos, morreram cinco, os três que ficaram também torcem para o Brasil", disse Yoko, que vende batatas-doces típicas assadas na pedra, na região da Praça da Liberdade.
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