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As cores já indicavam que o clima seria de harmonia. Integrantes da comunidade japonesa em São Paulo, reunidos nesta quinta-feira para torcer pela última chance de uma vaga na Copa da Alemanha, abraçaram o vermelho, o branco e, claro, o verde e o amarelo. Derrotados, acabaram vibrando com a vitória de 4 a 1 do Brasil.
No ginásio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, no tradicional bairro da Liberdade na capital paulista, cerca de 500 descendentes de japoneses e imigrantes nascidos no Japão se animaram com o primeiro gol da equipe do treinador Zico.
A comemoração foi intensa quando Keiji Tamada abriu o placar aos 34 minutos do primeiro tempo da partida, e a timidez inicial por enfrentar os pentacampeões foi logo quebrada. "Hoje eu queria que o Japão ganhasse e fosse para a final, mas como não deu, agora eu quero que o Brasil ganhe a Copa. Gosto muito deles (jogadores brasileiros), são bons", disse em um português enrolado a jovem japonesa Maiumi Kawata, de 22 anos, que está no Brasil há apenas três meses.
O país tem a maior colônia japonesa fora do Japão. Atualmente, mais de 60 mil cidadãos japoneses moram no país, segundo o Consulado Geral do Japão. Alguns torcedores, antes do início da partida, se perguntavam se o Brasil teria benevolência com a equipe japonesa que, além de precisar vencer, dependia da vitória ou empate da Croácia contra a Austrália.
"Eu queria que o Japão se classificasse. Será que eles vão deixar o Japão fazer 3 a 0?", disse minutos antes da partida o comerciante japonês aposentado Hideaki Goto, 68, que vive no Brasil há 48 anos.
Apesar da derrota, o gol japonês deixou os torcedores contentes, já que eles reconheciam a supremacia brasileira desde o começo. "No início eu estava torcendo para o Japão, mas no meu coração sempre tem lugar para o Brasil. Eu achei que eles jogaram bem e fizeram até um gol, mas os brasileiros são muito bons", disse Tamiro Ogawa, 44, jornalista nascida no Japão que vive no Brasil há dez anos.
A indumentária de Tamiro era coerente com seu discurso. A japonesa vestia camisa da seleção brasileira, mas também tinha um adesivo da bandeira do Japão no rosto, retirado discretamente no segundo tempo.
Na mesma linha, o meia do Santos Rodrigo Tabata, neto de japoneses, "mudou" de lado antes do fim da partida. "No primeiro tempo, eu torci para o Japão, mas agora eu vou torcer para o Brasil", disse no intervalo Tabata, que também acompanhou o jogo na Liberdade. Para o meia, a partida estava bem movimentada. "Eu torço para que o Brasil chegue à final, mas tem que melhorar", disse Tabata, que sonha um dia em defender a seleção brasileira.
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