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O número era pequeno, mas o barulho, grande. A sala do consulado de Gana que abrigou pouco mais de 15 ganeses em São Paulo ficou pequena para a torcida fervorosa do time africano no jogo contra o Brasil nesta terça-feira.
Assim como os brasileiros, os ganeses falavam com sua seleção como se estivessem no campo dando conselhos aos jogadores. Eles gritavam, cantavam e aplaudiam os chutes a gol e as boas jogadas. Mas também ficavam nervosos, xingavam o juiz e reclamavam que o time adversário, o Brasil, estava sendo favorecido.
Um dos gritos de guerra era: "Go Gana, go Gana, go, go, go!", o familiar "vai, vai", mas em inglês, língua oficial do país, que também conta com mais de 50 dialetos.
Os convidados eram ganeses, mas quem apareceu em peso foi a imprensa brasileira, com cerca de 40 repórteres, fotógrafos e cinegrafistas interessados em registrar a partida que acabou eliminando Gana do Mundial da Alemanha.
Na decoração da casa do cônsul honorário de Gana, Herbert Victor Levy Filho, o Brasil também prevaleceu. Na sala, havia uma mesa decorada com bandeiras do Brasil e pequenas bolas de futebol, ao lado de algumas bandeirinhas de Gana, sem muito destaque.
O empresário ganese Musah Ahmed, que está no Brasil há duas semanas a passeio, é muçulmano e disse orar cinco vezes ao dia, mas nesta terça fez um pedido especial. "Pedi a Deus para que Gana marque 3 a 2 contra o Brasil. Pedi a Deus para dar sorte a Gana", afirmou.
Poucos minutos depois do início do segundo tempo, Ahmed dirigiu-se ao jardim nos fundos da casa do cônsul, onde, usando uma camisa vermelha como tapete, iniciou sua oração com os braços cruzados e olhando para o céu.
Albert Kennedy, 31 anos, vendedor de roupas importadas, mora no país há sete anos e, após ver seu time perder por 3 a 0, garantiu que iria torcer para o Brasil daqui para frente. "Eu estou contente mesmo assim, é a primeira vez que Gana entra na Copa, todo mundo saiu da África, só nós ficamos. Gana jogou bem", disse.
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