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Seleções
Domingo, 9 de julho de 2006, 17h54 
Coincidências com o tri marcam conquista italiana
 
Reuters
Zagueiro Fábio Cannavaro levanta taça após vitória sobre França nos pênaltis
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Ao lado de figuras como Alcides Ghiggia e Zinedine Zidane, Paolo Rossi compõe a galeria de carrascos brasileiros em copas. Com os gols marcados pelo atacante na Espanha, a Itália conquistou seu terceiro título mundial. A campanha da equipe comandada pelo técnico Enzo Bearzot em 1982 guarda uma série de semelhanças com a trajetória do time que derrotou a França, nos pênaltis, na decisão do Mundial da Alemanha, na tarde deste domingo.

Itália vence França nos pênaltis e é tetracampeã
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Antes de ser o artilheiro da Copa da Espanha, Paolo Rossi cumpriu dois anos de suspensão. O atacante participou ativamente da Totonero, uma rede de apostas clandestinas que abalou o futebol italiano na época. No final das investigações, a Justiça determinou a prisão de 48 pessoas, entre elas 36 jogadores. Para completar, Milan e Lazio foram punidos com o rebaixamento à segunda divisão. Beneficiado por uma decisão judicial, Rossi voltou a tempo de amenizar o escândalo com o título mundial.

Em maio deste ano, a descoberta de conversas telefônicas provando a existência de uma complexa e comprometedora rede de relacionamentos no futebol italiano ameaça deixar a Totonero em segundo plano. Como o novo escândalo envolveria figuras como o goleiro Gianluigi Buffon e o técnico Marcelo Lippi, a delegação embarcou para a Alemanha cercada pela desconfiança. Enquanto as investigações prosseguem na Itália, a seleção conquistou um bom trunfo para aplacar a crise, desta vez com o tetracampeonato.

Para o técnico Marcelo Lippi, o escândalo serviu para unir ainda mais os jogadores na Alemanha. "Toda essa confusão que começou dois ou três meses atrás criou um desejo e uma determinação para reagir e mostrar que o futebol italiano é eficaz, real e forte técnica e moralmente. Isso ajudou a criar um grupo unido", declarou o treinador italiano, que teve o filho acusado de participar do esquema.

Os jogadores tentaram evitar o assunto. Depois da vitória épica sobre a Alemanha, no entanto, Alessandro Del Piero não se conteve. "Os rapazes da Juventus foram magníficos. Você pode dizer que essa é a resposta que nós, os 'juventini', temos para dar", afirmou. A Juventus, do empresário Luciano Moggi, teria sido o clube mais favorecido pelo esquema de manipulação de resultados. Ironicamente, o time de Turim contou com oito jogadores na final do Mundial, cinco italianos e três franceses.

O clima de suspeita em torno da delegação não é a única semelhança entre os dois mundiais. Assim como em 1982, a seleção italiana não convenceu durante o estágio de grupos na Alemanha. Os rivais também foram parecidos. Na Espanha, enfrentou um time do leste europeu e uma equipe africana, Polônia e Camarões. Desta vez, o cenário se repetiu, com República Checa e Gana. Em ambas as ocasiões, a Itália começou a mostrar futebol de campeão apenas nas fases decisivas.

Na Espanha, depois de três empates na primeira fase, a seleção bateu a Argentina de Maradona e despachou o Brasil que, assim como em 2006, apostava no talento de uma infinidade de craques. A última coincidência diz respeito ao país sede desta Copa. Nas duas ocasiões, a Itália encontrou a seleção alemã pelo caminho. Enquanto o time de Littbarski e Rummenigge caiu na decisão, a equipe do técnico Jurgen Klinsmann se despediu na semifinal diante dos italianos.
 

Redação Terra