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Segunda, 10 de julho de 2006, 18h30  Atualizada às 18h29
Campeã, Itália fica marcada por escândalo
 
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Treze dos 23 jogadores da Itália, tetracampeã do mundo, poderão descer para clubes da segunda divisão por causa do amplo escândalo dos jogos manipulados, que está ofuscando a imagem do ''calcio''.

O primeiro veredicto da justiça esportiva sobre o processo disciplinar que ameaça quatro tradicionais equipes do futebol italiano poderá ser conhecido na quarta-feira em Roma, rebaixando o Juventus, Milan, Lazio e Fiorentina para a Série B (segunda divisão) e até mesmo para a terceira divisão.

No domingo, a vitória nos pênaltis sobre a França (5-3, depois de um empate por 1-1 em 120 minutos), não relegou ao esquecimento o escândalo no qual estes quatro grandes clubes são suspeitos de terem obtido favores das arbitragens em várias partidas da temporada 2004/2005.

"Esta vitória deve representar os fundamentos do novo futebol italiano", disse o comissário extraordinário da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Guido Rossi, que assumiu o cargo após a demissão de Franco Carraro, em maio passado, envolvido neste escândalo, já que tem vínculos com vários dirigentes das equipes italianas.

"Dois grandes jogos vão se misturar, o da final de Berlim e o que deve devolver brios ao próprio futebol italiano", tinha dito no domingo, a Ministro dos Esportes Giovanna Melandri, que acrescentou: "o futebol italiano não necessita nem de anistia nem de vingança, mas de verdade e justiça, porque nos encontramos diante do maior escândalo da história do esporte italiano".

Mesmo que nenhum jogador tenha sido denunciado pela justiça esportiva, 25 pessoas, entre as quais árbitros, assistentes (bandeirinhas), dirigentes de clubes e da Federação, estão ameaçados de suspensão pelas investigações.

De Luciano Moggi, ex diretor-geral do Juventus a Adriano Galliani, vice-presidente do Milan, passando pelo Diego Della Valle, presidente honorário da Fiorentina, os grandes nomes do ''calcio'' estão implicados neste obscuro caso, desacreditados por escutas telefônicas, nas quais se discutia a escolha de árbitros, e inúmeros golpes e troca de favores.

De repente, com a imposição de severas sanções ainda nesta semana como reclama o promotor da justiça esportiva, mais da metade dos 23 heróis italianos deverão rapidamente eleger entre buscar outro clube ou o purgatório de uma ou várias temporadas longe da elite do ''calcio''.

"Pode parecer raro ver jogadores disputar uma Copa do Mundo e correr o risco de rebaixamento. Mas são todos jogadores de alto nível e no caso de uma sanção, encontrarão novas equipes", disse o volante do Milan e da ''Squadra Azzurra'', Rino Gattuso.

Como ele, o capitão e pilar da defesa Fabio Cannavaro, o lateral Gianluca Zambrotta ou o goleiro Gianluigi Buffon (Juventus) poderiam ser, com os atacantes Luca Toni (Fiorentina) e Alberto Gilardino (Milan) os primeiros atores de outra aventura que não terá nada que ver com o Mundial: a de um mercado de contratações perturbado pelas dificuldades de seus clubes.


 

AFP

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