Copa América 2007

Sábado, 14 de julho de 2007, 08h00  Atualizada às 10h02

"Não sou Kia para ficar preocupado", diz Tevez


Bernardo Ramos/Terra

Antes da final, Tevez nega disputa pessoal com Robinho
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O ex-corintiano Carlos Tevez virou adversário do Brasil na final da Copa América. O atacante é uma das principais opções do técnico Alfio Basile para a Argentina conquistar um título importante depois de 14 anos - o último foi na edição de 1993 da competição, realizada no Equador.

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Apesar do bom futebol apresentado na Venezuela, o jogador do West Ham, da Inglaterra, não acredita que a Argentina seja favorita na partida do domingo. "O Brasil tem um grande time", afirma ele, antes de enumerar os jogadores favoritos. "Robinho é do Real Madrid, Julio Baptista está no Arsenal... é uma grande equipe".

O argentino também minimizou um duelo especial com Robinho e se defendeu dizendo que não fez "firula" na decisão da última Copa América, em 2004, antes do Brasil empatar e vencer a competição nos pênaltis.

Em entrevista ao Terra Esportes, Tevez não se mostrou preocupado com a situação do MSI, fundo de investimento que o levou para o Corinthians no início de 2005. O Ministério Público recomendou a prisão de Kia Joorabchian, homem-forte da empresa no Brasil, por lavagem de dinheiro. "Não sou o Kia para ficar preocupado", afirmou o jogador antes de sorrir.

Cotado para reforçar o Manchester United, o atacante do West Ham voltou a afirmar que pensa em voltar a jogar novamente com a camisa do Corinthians, clube no qual conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005.

Confira a entrevista de Tevez na íntegra:

Você também acredita que a Argentina é favorita na final de domingo por ter um time melhor do que o do Brasil?
Tevez -
Quem diz isso são os jornalistas. Eu acho que o Brasil tem um grande time. Veja: Robinho joga no Real Madrid, Julio Baptista no Arsenal... vocês têm uma grande equipe. Com a história que o Brasil tem, todos os jogadores que atuam pela Seleção são grandes jogadores.

Você soube que o Ministério Público do Brasil pediu a prisão de Kia Joorabchian, presidente do MSI, e do russo Boris Berezovski?
Tevez -
Sim, li isso.

Você, que foi um símbolo desta parceria, está preocupado?
Tevez -
Claro que não estou preocupado, não sou o Kia (risos). Kia quando me contratou foi para jogar futebol no Corinthians. Foi só para isso. Me surpreende esta situação, mas não comento mais nada porque fui para o Brasil só para jogar.

Você disse em uma entrevista no ano passado que gostaria de voltar a jogar no Corinthians um dia. Você mantém esse objetivo?
Tevez -
Sim, sem dúvida nenhuma.

Mas seria agora?
Tevez -
Não, hoje é muito difícil. Estou há um ano na Europa e quero continuar por lá por mais alguns anos. Mas voltar é um sonho, sonho em voltar ao Corinthians.

Você vai para o Manchester United agora e depois volta ao Brasil, é isso?
Tevez -
Não, não tem nada acertado com o Manchester United.

Você tem 23 anos e disse que encerrará a carreira aos 30. Então seria um bom plano jogar três anos no Manchester United, dois no Corinthians e dois no Boca Juniors antes de parar?
Tevez -
Sim, estamos acertados então (risos). Mas não há dúvida de que encerro a minha carreira no Boca Juniors. E, no Brasil, jogo no Corinthians para ganhar a Copa Libertadores. Sonho em ganhar a Libertadores pelo Corinthians, é o que a torcida quer.

Há muita semelhança entre as torcidas do Corinthians e do Boca Juniors?
Tevez -
São muito fanáticas, é tudo "favela", gente do povo mesmo. Me identifico com isso.

Sua filha (Florência) nasceu quando você estava no Brasil. Isso te faz ter mais afinidade com o povo brasileiro?
Tevez -
Sim, adoramos o Brasil. O povo de lá tratou muito bem a minha filha e a minha mulher (Vanessa) e isso só faz com que eu respeite ainda mais o Brasil. Respeito muito todos que ficaram por lá, amigos e torcedores.

Na final da Copa América de 2004, você fez "firulas" com a bola no final do jogo, quando a Argentina ainda vencia por 2 a 1. Depois, o Brasil empatou e venceu nos pênaltis. Você se arrepende daquela provocação?
Tevez -
Aquilo não foi uma provocação, é bom que fique claro isso. Fiz aquilo porque precisava ganhar tempo, era final de jogo e estávamos ganhando. Seríamos campeões com aquele resultado. Jamais provocaria alguém em campo. Vi que na época disseram que eu queria provocar o adversários porque os brasileiros teriam me provocado. Não aconteceu nada disso, nem do lado deles, nem do meu.

Você tem uma amizade grande com o Messi. Vocês se dão muito bem, não é?
Tevez -
Sim, somos muito amigos mesmo. Lionel (Messi) é um menino muito humilde, uma promessa da Argentina. Ele tem um talento muito grande e, sem dúvida, vai ser o melhor jogador do mundo.

Você espera que tipo de partida contra o Brasil, um jogo mais aberto ou uma partida mais fechada?
Tevez -
Creio que vai ser um jogo muito travado. O Brasil tem uma defesa muito experiente e vai saber como nos marcar.

Em fevereiro de 2005, houve um clássico entre Santos e Corinthians, na Vila Belmiro, que ganhou contornos de um duelo entre Robinho e Tevez. Na ocasião, o Santos ganhou por 3 a 0 com um show de Robinho, que marcou dois gols. Você encara essa decisão de domingo, entre Brasil e Argentina, como uma polarização entre Robinho e Tevez?
Tevez -
Não há nada disso. Robinho é Robinho. Tevez é Tevez. Ele ganhou muitos títulos na carreira dele no Brasil e é um grande jogador. Mas eu também tive uma história muito bonita no futebol brasileiro e ganhei meus títulos. São dois grandes jogadores de futebol. Mas é bom dizer que não há esse duelo entre Robinho e Tevez na decisão da Copa América. É Brasil contra Argentina.


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