Joel dá show de gestos e caretas em vitória da África do Sul

06 de junho de 2009 • 15h17 • atualizado às 18h02
Joel Santana reclamou bastante na vitória da África do Sul Foto: Reuters
Joel Santana reclamou bastante na vitória da África do Sul
06 de junho de 2009
Foto: Reuters

Celso Paiva

Allen Chahad

Direto de Johannesburgo




Tarde de sábado em Johannesburgo, oito dias antes da estréia da África do Sul na Copa das Confederações. A seleção dona da casa tem o último amistoso de preparação, desta vez com a Polônia. No Orlando Stadium, dentro de Soweto, encosta às 13h40 (horário local) o ônibus com Bafana Bafana - apelido do time - cravado na lateral. Logo após os seguranças, desembarca Joel Santana. Na mão esquerda, sua inseparável companheira, a prancheta. E puxa a fila para os vestiários.

O treinador brasileiro reaparece pouco antes do início da partida já no campo de jogo. Vai até o banco de reservas e se separa brevemente da companheira durante a execução do hino nacional. Ele fica de pé, mãos para trás. Ela descansa no banco.

Joel é cercado por fotógrafos e cinegrafistas nos momentos que antecedem o apito inicial. Fica quase imóvel. O telão do estádio mostra um close no rosto sério do brasileiro. Bola rolando, primeira ação do treinador é levantar do banco para comemorar. Thembinkosi balança a rede logo aos 6min. Joel abraça membros da comissão técnica. Depois fala sozinho, vibra solitário. E recebe um abraço respeitoso do autor do gol.

Aos 17min do primeiro tempo, levanta pela primeira vez para passar instruções. Coisa rápida. Volta para o banco e continua o interminável bate-papo-análise com o auxiliar Jairo Leal. Coloca os óculos e tem a prancheta em mãos de novo. Anotações e mais anotações.

Falta clara não marcada pela arbitragem a favor da África do Sul, aos 24min. Joel leva a prancheta para participar da reclamação. Dá um pique até a beira do gramado, abre os braços. Protesto silencioso, faz pose para o juiz ver. Dez minutos mais tarde, a queixa é bem menos silenciosa. Aos berros, mostra que seu jogador teve a camisa puxada. Show de imitação.

Enquanto Joel grita, quem passa orientações detalhadas aos jogadores é um membro da comissão técnica. Mas o brasileiro se acalma e resolve conversar sem intermediários com Parker, melhor jogador em campo. O atleta acompanha os gestos do comandante e responde com sinal de positivo.

Fim de primeiro tempo, Joel deixa o campo falando sozinho. Reclamando.

No segundo tempo, o treinador parece mais calmo. Sua principal atuação é ao 22min, quando a Polônia tem falta perigosa para cobrar. O chute adversário é interrompido no meio do caminho por Sibaya, que invade o limite demarcado pela arbitragem para a barreira. O juiz deixa o jogo seguir. Joel caminha calmamente de volta ao banco com um silêncio cúmplice da malandragem de seu jogador.

A tranqüilidade do brasileiro vai embora aos poucos. Aos 23min, coloca as duas mãos no rosto para lamentar um lançamento errado. Três minutos depois, chama Mhlongo para instruções. Grita, mostra números e movimentos com as mãos. O meio-campista faz cara de dúvida e volta para o jogo.

Jogo caminha para o fim, 29min. Hora de uma substituição. Joel pede para Tshabalala tirar o colete. Depois percebe que o reserva também usa uma blusa. O técnico arranca o agasalho na força, bagunça as trancinhas do cabeludo. Quem passa orientações são os outros três membros da comissão técnica.

Aos 35 min, abandona de vez o banco e comanda a equipe nos gestos. Por três vezes é advertido pela quarta árbitra Dedré Mitchel. Sorri, aponta e explica que a área técnica do estádio é muito pequena. É agarrado pelo auxiliar Jairo Leal, que puxa o treinador pela blusa de volta para o gramado demarcado.

Apito final! Torcida aplaude... Joel retribui. Vai até a beira da arquibancada e sorri para os fãs mais próximos. Mostra a prancheta, a inseparável. Bate com a outra mão e aponta o símbolo da seleção sul-africana. Momento de carinho entre Joel, a prancheta e a torcida.

Terra
 
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