Allen Chahad
Celso Paiva
Direto de Pretória
O Comitê Organizador da Copa das Confederações ignorou as críticas sobre segurança em entrevista nesta segunda-feira. Os cartolas e o ministro da Segurança, Nathi Mthethwa, que receberam jornalistas de todo o mundo em Johhanesburgo para um balanço sobre o evento, foram massacrados com perguntas sobre o tema, mas repetiram mecanicamente que há segurança na África do Sul.
O ministro da Polícia disse inclusive desconhecer a informação divulgada ontem pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de que houve furto no hotel da delegação brasileira em Pretória. O fisioterapeuta Odir de Souza reportou a falta de dinheiro e de um agasalho.
"Não tivemos nenhum problema grave de segurança. Temos que analisar caso por caso. Se isso aconteceu mesmo, tem que relatar para a polícia. Eles vão investigar o caso. Nós garantimos que as equipes estão seguras. Temos que entender que esse é um incidente particular. A polícia sul-africana está protegendo a todos. Estamos fazendo nosso melhor. Estamos dando 100% para impedir problemas graves", disse.
Mthethwa disse apenas que o caso de furto do hotel da seleção do Egito foi "um acontecimento infeliz" e prometeu investigação. A delegação dos atuais campeões africanos deu queixa do furto de cerca de R$ 4,5 mil.
O CEO do Comitê Organizador do torneio e também da Copa do Mundo de 2010, Danny Jordaan, adotou a tática de dizer que sempre há casos de furtos em todos os países onde foram realizados Mundiais. "Questões como essa acontecem em todos os lugares do mundo. Na Alemanha, eu já vi problemas desse tipo em 2006. Todas as grandes competições esportivas do mundo tiveram problemas como os incidentes registrados aqui", disse.
"Participo de Copas do Mundo desde 1994 e me diga um time que não passou por um problema como o que aconteceu com os egípcios. Se os brasileiros foram mesmo furtados, como foi citado antes, peço que avisem a polícia. Precisamos saber desses incidentes para registrar todos os casos", completou. A assessoria de imprensa da CBF disse que a polícia local foi avisada, mas não foi houve queixa formal.
No encontro, depois de uma apresentação na qual destacaram os pontos positivos do torneio, os organizadores abriram o evento para perguntas. Depois das três primeiras questões sobre segurança, o porta-voz Rich Mkhondo se assustou e disse que só haveria mais uma. Mas foi inútil, a mídia insistiu no tema. Os organizadores adotaram postura defensiva e finalizaram o encontro antecipadamente para evitar constrangimento maior.
Diante de várias queixas dos jornalistas sobre casos de falta de segurança, inclusive dentro das áreas reservadas pela Fifa nos estádios, os organizadores disseram insistentemente que são todos casos isolados. Mthethwa disse que não há problemas graves.
"Quando eu digo problemas graves, falo com relação a proteção dos times dentro do estádio e no trajeto para o local. Infelizmente não podemos vigiar todos durante 24 horas. Às vezes, algumas pessoas convidam amigos para o hotel e nem sempre é seguro. Não podemos subir no quarto e acompanhar todos até lá. Todos também tem que ficar atentos com a sua própria segurança. Não há nenhum caso de incidentes, a não ser esse com o Egito. Os times estão muito felizes com a segurança na África do Sul até o momento", declarou.
Terra