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Corrupção no Futebol
Terça, 25 de outubro de 2005, 19h39  Atualizada às 20h02
Árbitro diz que era ameaçado para manipular jogos
 
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O árbitro Paulo José Danelon afirmou que foi ameaçado para manipular resultado de jogos do Campeonato Paulista e da Série B do Campeonato Brasileiro.

Em depoimento à Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, que nesta terça-feira realizou uma reunião de audiência pública sobre a crise no futebol brasileiro, Danelon disse que se sentia pressionado e temia pela segurança da família.

Segundo ele, o advogado Daniel Gimenes e o empresário Nagib Sayad ligavam antes das partidas e informavam em qual time apostariam.

Diante das informações do empresário, o árbitro afirmou que "torcia para que desse tudo certo, mas não manipulava os jogos e pedia a Deus para tudo acabar logo".

Envolvimento

Danelon admitiu seu envolvimento com o esquema de manipulação de resultados e disse que tudo começou após ter contraído divida junto ao advogado Daniel Gimenes.

A dívida inicial totalizava R$ 7.700, mas, após ter obtido resultados diversos dos combinados, aumentou e serviu como aporte para novos achaques por parte de Gibão e Gimenes, ambos de Piracicaba (SP).

Ao contrário da declaração de Nagib Fayad na CPI dos Bingos, Danelon sustentou que a proposta de manipular jogos partiu do empresário, que, na opinião do árbitro, faltou com a verdade na Comissão de Inquérito.

O primeiro contato, em setembro de 2004, veio logo após o juiz de futebol ter aceito ajuda financeira por parte de Gimenes.

Danelon afirmou ainda que, apesar de ter recebido dinheiro do empresário, nunca apitou uma partida com o intuito de favorecer algum time.

"Nunca garanti resultado", disse, salientando também que desconhecia completamente a existência de sites de apostas e que nunca jogou e nem tem vício algum.

Ele negou ainda qualquer relação dos sites de jogos com atletas e que nunca soube de negociações de manipulação de jogos envolvendo equipes ou times de futebol. "Desconheço a estrutura das bolsas de apostas", afirmou.

Quando questionado sobre se teria orientado o jogador Léo, durante partida do Santos, Danelon negou e afirmou que as conversas de bastidores nos intervalos dos jogos são normais e fazem parte da boa convivência. "No caso do Léo, ele veio a mim apenas para questionar sobre um gol anulado", disse Danelon.

Danelon finalizou afirmando que se arrepende das más companhias e que nunca pretendeu colocar a sua carreira de Juiz de Futebol em xeque. "Não saio mais da minha casa de vergonha", concluiu.


 

Redação Terra