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25 de outubro de 2011 • 08h52 • atualizado às 14h24

Cueca, agressões e ironias; relembre 25 polêmicas de Leão

Leão é acompanhado por policial após sofrer agressões na sede do Santos, em 2008 Foto: Gazeta Press
Leão é acompanhado por policial após sofrer agressões na sede do Santos, em 2008
Foto: Gazeta Press
 
Diego Freire

Dono de personalidade forte, o novo técnico do São Paulo, Emerson Leão, tem uma das biografias mais polêmicas do futebol brasileiro. A volta do treinador ao Morumbi dividiu opiniões entre os que comemoraram o retorno do comandante com melhor aproveitamento no clube na última década (68,8% dos pontos, com 27 vitórias, 12 empates e apenas 6 derrotas) e os que passaram a temer pelo ambiente do grupo, lembrando dos atritos com Luizão e Falcão, que marcaram a primeira passagem pela equipe tricolor, em 2005.

Desde que surgiu como promessa no gol do Comercial de Ribeirão Preto, em 1967, até o atual momento na carreira de treinador, aos 62 anos, foram diversos casos conturbados. Com 47 desses anos dedicados ao futebol, Leão declarou que pretende encerrar a trajetória no esporte provavelmente até 2014, com "chave de ouro".

O Terra elaborou uma lista de 25 polêmicas marcantes de Emerson Leão, que jamais passou despercebido por onde passou. Foram muitas brigas com jornalistas, técnicos, jogadores, presidentes de clubes e até policiais. Entre as acusações que já recebeu, constam machismo, birra contra argentinos e despudor por posar apenas de cueca para uma campanha publicitária. Ele fez inimizades com declarações ácidas. Relembre esses e outros casos a seguir:

Goiás (2010)
Treinador do Goiás na época, Leão discutiu e agrediu um repórter na saída do campo após um empate por 2 a 2 entre a equipe esmeraldina e o Vitória, no Barradão. A confusão envolveu também jogadores, como o atacante Rafael Moura, que desferiu um soco no jornalista e foi punido com seis jogos de suspensão em julgamento do STJD. O técnico pegou apenas duas partidas de gancho.

Sport (2009)
Descontente com a contratação do atacante Marcelo Ramos sem o seu conhecimento, Leão disse que, em protesto, entregaria o cargo e o presidente do Sport, Sílvio Guimarães, deveria assumir o comando do time. Antes que pudesse realizar a promessa, foi demitido e chamado de "ingrato travestido de valentão". Depois, o técnico retrucou ao declarar que o dirigente era um "esclerosado, covarde e incompetente".

Atlético-MG (2009)
Comandando o Atlético-MG, Leão se envolveu em uma das muitas de suas polêmicas com mulheres no meio do futebol. No segundo jogo da final do Campeonato Mineiro de 2009, quando o clube alvinegro perdeu o título para o rival Cuzeiro, o técnico foi expulso por agressões verbais contra a bandeirinha Katiuscia Mendonça. A assistente acusou Leão de machista e disse ter "ouvido coisas que nunca imaginava que ouviria em uma partida profissional".

Santos (2008)
Então técnico do Al Sadd, do Catar, Leão visitou a sede do Santos para receber salários atrasados do clube. Na saída, o treinador foi surpreendido por um ex-segurança e integrantes de uma torcida organizada da equipe, que armaram uma emboscada para agredi-lo e chegaram a arremessar uma barra de ferro com concreto na ponta em sua direção. Com poucos ferimentos, Leão declarou ter temido pela vida e chamou os agressores de "vândalos".

Ana Paula de Oliveira (2007)
Quando posou nua para a Playboy, a bandeirinha Ana Paula de Oliveira declarou ter colocado silicone atendendo a um conselho do técnico Emerson Leão. O treinador teria dito, em pleno gramado: "você é uma excelente profissional, tem um corpo bacana, só precisa colocar silicone." Leão não confirma a sugestão.

Corinthians (2007)
Indignado com um erro da auxiliar Aline Lambert, que anotou impedimento de forma equivocada contra o Corinthians, em um jogo diante do Noroeste, Emerson Leão foi filmado pela TV supostamente dizendo: "tá vendo, coloca mulher para apitar e dá nisso". Repudiado por feministas, o técnico negou a declaração e criticou o método de leitura labial.

Corinthians (2006)
Precisando de apenas um empate com gols contra o Lanús, na Argentina, o Corinthians foi derrotado por 4 a 2 e se despediu precocemente da Copa Sul-Americana de 2006. A partida ficou marcada pela discussão entre o técnico e o meia Carlos Alberto, que foi substituído no primeiro tempo e tirou satisfação no banco de reservas. O episódio culminou com a saída do jogador da equipe alvinegra.

Corinthians (2006)
Após sair do Palmeiras, Leão teve breve passagem pelo São Caetano antes de ser contratado pelo rival Corinthians, para substituir Geninho. Gerido pela MSI, o clube alvinegro brigava contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro um ano após ter se sagrado campeão do torneio. Logo ao assumir, Leão criticou Tevez e Mascherano, dois argentinos ídolos da conquista de 2005. O técnico disse "não gostar" de argentinos e tirou a faixa de capitão de Tevez porque não entendia "nada do que ele falava".

Palmeiras (2006)
Já desgastado no comando do Palmeiras, Leão tornou a situação insustentável com os atletas do elenco quando declarou o time era "nota 5". O treinador foi demitido após uma derrota por 6 a 1 para o Figueirense, sob a suspeita, de parte da torcida alviverde, de que jogadores teriam feito "corpo mole" para derrubá-lo.

Palmeiras (2006)
Muito criticado pela imprensa depois da derrota do Palmeiras por 3 a 2 para o Cerro Porteño, em pleno Parque Antarctica, na última rodada da primeira fase da Libertadores de 2006, o treinador fez um desabafo contra o jornalista Milton Neves: "é a pessoa mais indesejada do seu meio, só pensa em dinheiro, é um 'dinheirista'. Quando chutou a bunda do Sílvio Luiz, um senhor de 70 anos, ele se vangloriou. Venha chutar a minha", provocou Leão.

Palmeiras (2006)
Irritado pela má atuação do Palmeiras contra o Guarani, em uma partida no Campeonato Paulista de 2006, Leão foi acusado de agredir um repórter de uma rádio de Campinas no intervalo do jogo. Processado, o técnico teve que pagar R$ 20 mil por danos morais ao jornalista, por decisão da justiça proferida em 2011.

São Paulo (2005)
Após a saída de Leão do São Paulo, em abril de 2005, vieram à tona problemas de relacionamento do técnico com jogadores do elenco. O atacante Luizão chorou ao deixar o Morumbi, em julho, e declarou apenas ter assinado um pré-contrato com o Nagoya Grampus, do Japão, por estar temeroso de que o técnico pudesse continuar no comando do clube até o fim do ano. Situação semelhante foi relatada por Falcão, ídolo do futsal que fazia experiência no futebol campo e se disse desanimado pelo tratamento diferenciado que recebia do treinador. Por outro lado, foi com Leão no São Paulo que o atacante Diego Tardelli teve a sua melhor fase com a camisa tricolor.

São Paulo (2005)
Após o título do Campeonato Paulista de 2005, com campanha irretocável, Leão surpreendeu ao anunciar a saída do São Paulo, que depois viria a se tornar campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes naquele ano. O técnico explicou a sua transferência para o Vissel Kobe, do Japão, alegando que precisava pagar uma dívida de gratidão com um amigo, dirigente da equipe. Além da questão da amizade, o treinador foi atraído por um salário de R$ 600 mil por mês.

Santos (2003)
Leão teve o ápice da trajetória como treinador com o título do Brasileiro de 2002, comandando a geração dos "Meninos da Vila", com revelações como Alex, Renato, Elano, Diego e Robinho no início da carreira. No ano seguinte, porém, o treinador começou a perder o prestígio com o time ao questionar a forma física de Robinho publicamente.

Santos (2002)
Elogiado pela postura séria e "linha-dura" no comando da equipe de garotos do Santos que surpreendeu o Brasil ao se sagrar campeã do Brasileiro de 2002, Leão às vezes dava mau exemplo. Em uma derrota do clube alvinegro por 2 a 1, contra o Paysandu, em Belém, o treinador invadiu ao gramado e se juntou ao time para reclamar de um impedimento no segundo gol dos paraenses. Na confusão, entrou em confronto com policiais e foi atingido com gás de pimenta nos olhos.

Seleção Brasileira (2001)
Leão teve uma meteórica passagem pela Seleção Brasileira, entre 2000 e 2001. Foi muito criticado por convocar nomes controversos, como Washington, Cláudio Caçapa, Mineiro, Magno Alves, Robert, Evanílson, e, especialmente, o volante Leomar, do Sport, a quem se referia como "um jogador nota 7, que não é craque, mas é regular". Foi demitido por telefone, pelo presidente Ricardo Teixeira, após o Brasil ter sido 4º colocado na Copa das Confederações de 2001, com apenas uma vitória (contra Camarões), dois empates (Canadá e Japão), e duas derrotas (França e Austrália).

Atlético-MG (1997)
Leão foi bicampeão da extinta Copa Conmebol em 1997 (com o Atlético-MG) e 1998 (no Santos). A primeira conquista, com a equipe mineira, é até hoje lembrada por uma briga generalizada na partida de ida da final contra o Lanús, vencida pelos brasileiros, por 4 a 1, na Argentina. Na ocasião, Leão teria sido o pivô da confusão, por provocar os adversários, e levou o maior prejuízo do confronto: teve que passar por cirurgia para reconstituir o rosto, fraturado com um soco.

Palmeiras (1989)
Após bons trabalhos no início da carreira, Leão chegou ao Palmeiras em 1989, onde teve problemas de relacionamento com o jovem meia Neto, que, sem ambiente, foi liberado para trocar o clube alviverde pelo rival Corinthians, onde se tornou ídolo. Mais de dez anos depois, em 2010, o técnico voltou a criticar o desafeto e alfinetou até Renata Fan, companheira do ex-jogador em programas esportivos na TV: "a Renata Fan nunca se dirigiu a um treinamento, não sabe o que é futebol. Não estou dizendo que as mulheres não saibam, mas ela não sabe", declarou.

Sport (1987)
Leão começou a carreira de treinador em 1987, conquistando o polêmico Módulo Amarelo da Copa União com o Sport, em título que ainda hoje gera discussão entre torcedores da equipe pernambucana (que se consideram legítimos campeões brasileiros de primeira divisão daquele ano) e do Flamengo (que venceu o torneio considerado de "primeira divisão" na ocasião e se recusou a enfrentar os vencedores do outro módulo).

Corinthians (1983)
A carreira de Leão como jogador também foi marcada por polêmicas. No Corinthians, o goleiro foi considerado, ao lado do cartola Vicente Matheus, um dos "inimigos" da Democracia Corintiana, um movimento de jogadores que defendia votações para a tomada de decisões na equipe. O goleiro se opôs ao sistema e gerou inimizades. Maior ídolo corintiano na época, Sócrates chegou a declarar que Leão era um "grande goleiro", mas que nunca gostara do colega "como pessoa".

Grêmio (1983)
Leão jogava pelo Grêmio quando a equipe gaúcha conquistou o título do Campeonato Brasileiro de 1981, derrotando o São Paulo na final. Apesar de sair vitorioso, o goleiro guardou rancor de um lance em que recebeu um chute na cabeça do atacante são-paulino Serginho Chulapa. Dois anos depois, ao reencontrá-lo, Leão "devolveu" a agressão com uma cotovelada.

Copa de 1982
Com quatro Copas do Mundo no currículo (reserva em 1970 e 1986; e titular em 1974 e 1978), Leão, mesmo considerado o melhor goleiro do Brasil na época, ficou fora da convocação para a Copa de 1982, rejeitado por Telê Santana, que não gostava do seu temperamento e preferiu levar Valdir Peres, Paulo Sérgio e Carlos. Anos depois, em 1989, entrevistado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura, Leão declarou que Telê era um bom técnico, mas não devia mais ter chances na Seleção Brasileira e aparentava ser uma pessoa "muito só".

Palmeiras (1978)
O jogo de ida da final do Brasileiro de 1978, entre Palmeiras e Guarani, estava empatado em 0 a 0 quando Leão se desentendeu com o ponta Bozó e, na confusão, acertou uma cotovelada no então jovem atacante Careca. Expulso, o goleiro demorou cerca de sete minutos para deixar o campo, tentou brigar com o árbitro e até mesmo com um guarda da Polícia Militar. O atacante Escurinho foi para o gol, mas não conseguiu defender a cobrança de Zenon, que abriu caminho para o título do clube de Campinas.

Seleção Brasileira (Copa de 1974)
Após a derrota do Brasil para a Polônia, por 1 a 0, na disputa do terceiro lugar da Copa de 1974, Leão teria agredido o lateral esquerdo Marinho Chagas no vestiário. De acordo com o relato de jogadores daquele time, o goleiro teria pedido para o companheiro jogar mais defensivamente, e não subir muito para o ataque. O jogador, no entanto, descumpriu as recomendações e deu liberdade ao craque polonês Grzegorz Lato, autor do gol da vitória europeia.

Propaganda de cueca (anos 70)
No começo da carreira, nas passagens por Comercial-SP, São José-SP e Palmeiras, Leão ganhou fama de galã e atendeu ao convite para posar apenas de cueca em uma propaganda que foi espalhada por outdoors e revistas em todo o País. O goleiro ganhou status de sex symbol para muitas mulheres, que elogiavam as suas pernas, mas também foi criticado pelo "escândalo" de contrariar costumes da época.

Terra