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Da Inglaterra à Alemanha: o investimento estrangeiro no futebol europeu

12 nov 2013
20h11
atualizado às 20h30
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Da Inglaterra, há muito tempo foco dos investidores estrangeiros, à Alemanha, país que sempre protegeu seus clubes, as políticas financeiras dos cinco grandes campeonatos europeus diferem.

Na Alemanha, a lei impede os grupos ou pessoas privadas de possuírem mais de 49% das ações de um clube, obrigando uma associação sem fins lucrativos a manter o resto. Apenas Leverkusen e Wolfsburg, equipes criadas a partir das empresas farmacêutica Bayer e da montadora Volkswagen durante a primeira metade do século XX, são exceção. "Esta medida garante nossa independência e nos protege de loucuras financeiras", explicou Karl-Heinz Rummenigge, presidente do conselho administrativo do Bayern de Munique. Isto não impede, porém, o Bayern e outros clubes da Bundesliga, considerado o campeonato financeiramente mais saudável da Europa, de contar com o patrocínio de empresas estrangeiras, como a Turkish Airlines e o Borussia Dortmund, primeiro clube do país com ações na bolsa, a gigante russa Gazprom e o Shalke 04, ou ainda a sul-coreana LG Electronics e o Leverkusen.

Já a liberal Inglaterra foi o primeiro país no qual os clubes puderam colocar suas ações na bolsa de valores, e se tornou a porta de entrada europeia para investidores estrangeiros. Roman Abramovich, oligarca russo que na época tinha 37 anos, tomou o controle do Chelsea em 2003 ao pagar uma dívida de 120 milhões de euros do clube. Sua busca pelos melhores jogadores acabou desestabilizando a janela de transferência, mas o exemplo foi seguido: Aston Villa, Arsenal e em seguida Manchester City, comprado em 2008 pelo Emir Zayed Al Nahyan de Abu Dhabi, também se tornaram bens estrangeiros. Manchester United e Liverpool acabaram nas mãos de magnatas americanos. Hoje, 11 das 20 equipes que disputam a Premier League são propriedades de investidores estrangeiros.

Arsenal: Stan Kroenke (EUA/2008) - Alisher Usmanov (UZB)/Farhad Moshiri (IRN)

Manchester City: Mansour bin Zayed Al Nahyan (EAU/2008)

Manchester United: Malcolm Glazer (EUA/2009)

Southampton: herdeiros de Markus Liebherr (SUI/2009)

A Espanha tem um modelo que se aproxima mais do alemão. A maioria dos clubes são propriedades de sócios, espécie de torcedores/investidores. É o caso dos dois gigantes do país, o Real Madrid e o Barcelona, clubes nos quais os investidores têm apenas o direito de patrocinar, nunca de comprar. Com isso, o Barça exibe a marca Qatar Sports Investements (QSI) na camisa, enquanto a Emirates faz o mesmo no Real. O Málaga é o único clube da Liga Espanhola sob controle estrangeiro, após a compra em 2010 do Xeque Abdullah Al-Thani, do Catar. O clube, porém, precisou passar por um período de austeridade para se adaptar às regras do Fair Play (Jogo Limpo) financeiro, reduzindo o orçamento de 150 milhões de euros em 2011-12 para 40 milhões nesta temporada, o que não impediu a Uefa de suspender a equipe de todas as competições europeias.

Na Itália, o endividamento dos clubes, os velhos estádios e a violência nas arquibancadas sempre mantiveram os investidores longe. Em 2011, porém, dois americanos de origem italiana, Thomas DiBenedetto e James Pallotta, adquiriram 67,1% da Roma numa joint-venture (60-40) com o banco Unicredit, por 70 milhões de euros. Em outubro passado, o magnata indonésio Erick Thohir adquiriu 70% da Inter de Milão por 250 milhões de euros, sendo que 200 milhões foram usados para pagar as dívidas do clube.

Roma: Thomas DiBenedetto/James Pallotta (EUA/2011)

Na França, a tomada de controle de clubes esportivos foi facilitada pela criação do status de sociedade anônima esportiva, nos anos 1980. Mas foi preciso esperar o fim dos anos 2000 para que os estrangeiros finalmente se aventurassem no país. Após um período sob controle do fundo de investimento americano Colony Capital, o Paris Saint-Germain se tornou propriedade da Qatar Sport Investement. Inicialmente, o investimento foi humilde (entre 30 e 40 milhões de euros), mas a QSI em seguida fez da compra de grandes jogadores algo corriqueiro, assegurando o título de campeão francês e visando a Liga dos Campeões. No mesmo ano, o homem de negócios russo Dmitri Rybolovlev tomou as rédeas do Mônaco, que na época estava na segunda divisão. Ele precisou de dois anos para trazer a equipe de volta à Ligue 1, antes de gastar 167 milhões de euros em jogadores para esta temporada.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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