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Eliminada, Seleção de futebol feminino volta a cobrar apoio

12 jul 2011
18h11
atualizado em 13/7/2011 às 10h06

Depois de mais uma derrota para os Estados Unidos no futebol feminino, a Seleção Brasileira desembarcou na terça-feira no Rio de Janeiro cobrando mais investimentos e uma estrutura melhor para que o país possa se tornar uma potência no esporte.

O Brasil foi eliminado do Mundial da Alemanha nas quartas de final ao perder nos pênaltis, após empatar por 2 a 2 no domingo, quando as norte-americanas marcaram o gol de empate nos acréscimos no segundo tempo da prorrogação. A goleira Andréia, que se despediu do Brasil em Mundiais, fez um duro desabafo.

"Ganhou o melhor e quem tem o melhor. A gente não tem e nunca vai ter o melhor. Venceu uma seleção que investe no futebol feminino, que tem jogadoras que jogam desde os 12 anos, desde o colégio, tem time, clube, salário, e a gente não tem e nunca vai ter", afirmou ela. "Não acho que se fosse campeã mundial ia mudar alguma coisa. Não ia nada."

A atacante Cristiane, um dos destaques da Seleção Brasileira, lembrou que algumas jogadoras, entre elas a meia Formiga, chegou à Copa do Mundo da Alemanha sem clube para jogar na volta ao país. "O Brasil continua o mesmo e não muda. Tivemos três medalhas de prata em duas Olimpíadas e um Mundial e nada mudou. É triste por saber disso", avaliou.

O Brasil é o atual vice-campeão mundial e levou ainda duas medalhas de prata nas duas últimas Olimpíadas, em 2004 e 2008, perdendo a decisão justamente para os EUA. O técnico Kleiton Lima avalia que com uma preparação na base melhor as grandes potências acabam levando vantagem física sobre as jogadoras brasileiras.

"O problema está na base. O que falta é estrutura da modalidade no país...falta um trabalho nas categorias de base. Os Estados Unidos têm meninas de 13, 14, 15 anos sendo preparadas para serem campeãs olímpicas e mundiais. A gente não tem nada", declarou ele.

"A gente começa a convocar jogadoras com 17 anos, que não tiveram trabalho de base em seus clubes. Enquanto isso não mudar, países de primeiro mundo vão estar na nossa frente porque treinam da maneira ideal. Começamos o trabalho tarde e falta a cultura do país abrir as portas para o futebol feminino", acrescentou ele.

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