Eliminatórias Mundial 2010

Eliminatórias Mundial 2010

Quarta, 17 de outubro de 2007, 08h04 Atualizada às 10h08

Dunga conta frase de Zagallo que embala a Seleção

Quatro vezes campeão do mundo - 1958 e 1962 como jogador, 1970 como técnico e 1994 como coordenador -, Mario Jorge Lobo Zagallo ainda exerce influência sobre a Seleção Brasileira. Em entrevista exclusiva ao Terra, o técnico Dunga afirma que uma frase utilizada pelo então coordenador-técnico na Copa do Mundo de 1994 é o legado deixado pela Seleção do tetracampeonato ao time de 2007.

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"Ele nos dizia: 'cada um aparecendo, todo mundo aparecendo no momento exato'", lembra o atual treinador ao citar a influência que o pensamento de Zagallo ainda exerce na equipe. Dunga levantou a taça de campeão do mundo nos Estados Unidos, após 24 anos de jejum do Brasil em mundiais.

O técnico morou no Rio de Janeiro em 1987, quando atuava pelo Vasco da Gama, que conquistou o título carioca daquele ano. De acordo com ele, é um prazer voltar à cidade. "As pessoas transmitem uma atmosfera muito boa para quem vive aqui", afirma.

Pela primeira vez, Dunga vai dirigir a Seleção em solo brasileiro. A Seleção enfrenta o Equador no Maracanã, às 22h (de Brasília). O confronto é válido pela segunda rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010.

Confira a íntegra de entrevista:

Terra - Dunga, pouca gente se lembra que há exatos 20 anos você jogava no Rio de Janeiro, no Vasco da Gama. Eu queria que você lembrasse aquela final do Campeonato Carioca de 1987, quando o Vasco tinha um timaço com Tita, Roberto Dinamite... E derrotou o Flamengo por 1 a 0 em um Maracanã lotado.
Dunga - Romário, Roberto Dinamite... O Vasco vinha de alguns anos em que não conseguia vencer o campeonato, tirava o segundo lugar... Aquele foi o ano em que o Vasco da Gama montou uma equipe muito competitiva. Acácio (goleiro), muitos destes jogadores jogaram na Seleção Brasileira, o Mazinho, o Paulo Roberto... Então foi um período curto em que eu joguei no Vasco da Gama, mas muito feliz e onde a gente conseguiu vencer e depois, por um bom tempo, o Vasco continuou vencendo.

Terra - São boas recordações do Rio de Janeiro, Dunga?
Dunga - Sem dúvida, é um ambiente muito particular. As pessoas são muito tranqüilas, muito alegres, transmitem uma atmosfera muito boa para quem vive aqui, de amizade e camaradagem. Não tem tempo ruim, como se diz no Rio de Janeiro, todas as pessoas estão sempre alegres e divertidas. Então isso faz com que todo mundo se sinta muito bem aqui.

Terra - Dois anos depois da saída do Vasco, você já estava no futebol europeu e houve dois jogos marcantes para você no Maracanã. Aquela final da Copa América de 1989, contra o Uruguai, e o jogo das Eliminatórias, em 1989, contra o Chile - vitória por 1 a 0. O jogo foi interrompido por causa de um devaneio de uma torcedora que jogou um foguete no gramado. Ali começava a sua trajetória na Seleção, com um título da Copa América depois de 40 anos, não é?
Dunga - Sem dúvida, depois de 40 anos o Brasil foi campeão novamente, quando o Lazaroni introduziu os alas, o que surpreendeu a todos. Era uma equipe que veio a ser a base da Seleção de 1994, com o Brasil conseguindo vencer uma Copa América, uma competição muito difícil e complicada. A gente iniciou essa competição com vários problemas (empates com Peru e Colômbia), que aos poucos foram solucionados e a equipe acabou com a vitória. E depois, contra o Chile, quando o Brasil tinha uma supremacia em campo, o jogo foi interrompido por aquele acidente. Mas, mais uma vez, o Brasil venceu e confirmou a sua participação em uma Copa do Mundo naquele jogo.

Terra - Você falou de 1994. Para a gente encerrar, Dunga, qual é o legado daquela Seleção que você quer nesse time, que já conquistou a Copa América e vem mostrando uma seqüência boa nesse um ano e dois meses sob o seu comando. Qual é o legado que aquele time de 1994 pode trazer para a Seleção de 2007?
Dunga - Acho que o comprometimento com o trabalho, a transparência, a busca do objetivo com competência, eficiência e usando sempre a qualidade do nosso jogador, com cada um tendo o momento certo de aparecer. O Zagallo sempre falava algumas coisas para nós que eram importantes, como "cada um aparecendo, todo mundo aparecendo no momento exato". Então se o grupo estiver coeso vai ter espaço para todos no momento oportuno e todos vão ter o seu lugar.

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