Atualizada às 12h14
Bernardo Ramos
Direto de Lima
O dia 21 de junho de 1978 entrou para a história do futebol como uma data polêmica. Foi neste dia que a Argentina, time da casa, derrotou o Peru por 6 a 0 e se classificou para a decisão da Copa do Mundo daquele ano, que conquistaria com uma vitória por 3 a 1 sobre a Holanda. O detalhe é que os visitantes tinham uma das melhores equipes do planeta à época, tornando o resultado bastante suspeito.
Brasil e Argentina chegaram à última rodada do quadrangular semifinal com chances de chegar à final. A Seleção de Claudio Coutinho enfrentaria a Polônia, em Mendoza, no mesmo horário da partida dos anfitriões.
Como a partida entre argentinos e peruanos foi disputada horas depois, os donos da casa entraram no campo do estádio Gigante Arroyito, na cidade de Rosário, sabendo que precisariam derrotar o rival por, no mínimo, quatro gols de diferença para passarem à decisão.
Vinte e nove anos depois da polêmica derrota, o zagueiro do Peru Héctor Chumpitaz, considerado um dos melhores da posição no futebol sul-americano em todos os tempos, fala com exclusividade ao Terra.
Em entrevista por telefone, ele nega veementemente qualquer indício de armação de resultado. "Naquela época, jogávamos a cada três dias no Campeonato Peruano. Chegamos esgotados à Copa. Para piorar, já estávamos eliminados quando enfrentamos a Argentina. O resultado foi anormal, mas o jogo foi normal", diz o jogador.
A Argentina, que vivia um momento político difícil no segundo ano do governo militar de Jorge Videla, comemoraria o primeiro título mundial em casa. E o Brasil, que amargou o terceiro lugar após uma vitória sobre a Itália por 2 a 1, deixava Buenos Aires com honrarias de "campeão moral", como diria o técnico Cláudio Coutinho.
Confira a íntegra da entrevista de Héctor Chumpitaz:
Terra - Em quem você aposta no confronto deste domingo entre Brasil e Peru?
Chumpitaz - Todos sabemos que o Brasil é favorito, pois tem jogadores muito melhores do que os do nosso time. No entanto, após o apito inicial, todos são iguais em campo. Há mais possibilidade de o Brasil ganhar. Mas há jogadores no Peru que podem desequilibrar, pois estão no exterior e têm experiência para disputar uma partida decisiva como esta. Vocês, em termos individuais, estão muito bem, apesar de ainda não terem uma equipe que jogue um futebol sólido. Mas podem ganhar sim.
Terra - Você gosta do trabalho de Dunga como técnico?
Chumpitaz - Não posso dizer porque não o conheço. Foi um bom jogador. Nunca o enfrentei, pois ele começou a bilhar depois que encerrei a carreira (Chumpitaz abandonou o futebol em 1984). Mas não sei muito sobre o trabalho dele como técnico, quais equipes dirigiu... mas o Brasil tem excelentes jogadores e, no fim, isso é o que vale no futebol. Não adianta ser um grande técnico e ter jogadores não tão bons.
Terra - Você parou de jogar há mais de vinte anos. Continua ligado ao futebol de alguma forma?
Chumpitaz - Dirijo atualmente uma escola de futebol para "menores". É um projeto ligado à Associação de Futebol Profissional do Peru, que nada tem a ver com a Federação.
Terra - E qual é o nome da equipe?
Chumpitaz - É Virgen de Chiapi. São cerca de 200 crianças em cinco categorias diferentes. Temos apoio também do clube Universitário, na verdade um convênio com o time, que pode pegar os nossos jogadores depois.
Terra - É impossível falar do futebol peruano sem tocar no assunto de 1978. Vocês tinham jogadores excelentes, como você, Gallardo, Cubillas, Muñante... e acabaram perdendo por 6 a 0 para a Argentina (resultado que tirou o Brasil da final). Você considera essa derrota normal?
Chumpitaz - O jogo foi normal. Acontece que naquela época jogávamos a cada três dias no Campeonato Peruano. Chegamos esgotados à Copa. Isso ninguém fala, ninguém nunca falou. Para piorar, já estávamos eliminados quando enfrentamos a Argentina. O resultado foi anormal, mas o jogo foi normal. A nossa equipe tinha força, mas nos cansamos muito rápido. Mas a Argentina estava com muita vontade e acabou dominando o jogo. Não tínhamos intenção de perder o jogo. O resultado foi uma vergonha, mas aconteceu.
Terra - No Brasil se diz até hoje que os jogadores do Peru teriam recebido dinheiro...
Chumpitaz - Não houve nada disso! Vivo normalmente hoje com o meu trabalho. Se tivesse recebido o dinheiro que falam que eu recebi, não estaria trabalhando hoje. As pessoas desconfiariam, pois os jogadores iriam começar a comprar muitas coisas. Quando estamos em uma Copa, representamos a camisa de um país. Seria uma traição à pátria. O placar foi anormal. Me sinto bem, pois posso caminhar na rua normalmente, sabendo que fiz o melhor sempre em que joguei com a camisa do Peru.
Redação Terra
Ex-zagueiro peruano Héctor Chumpitaz negou armação no quadrangular da Copa de 1978
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