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Futebol

Elefantes brancos? Veja o que aconteceu nos estádios da Copa

Friedemann Vogel / Getty Images
12 jun 2015
07h45
atualizado às 08h02
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A Copa do Mundo passou pelo Brasil e deixou algumas marcas permanentes – e não estamos falando do 7 a 1. Talvez a principal mudança que o torneio tenha implantado no nosso futebol tenha sido a construção ou reforma de 12 estádios de primeiro nível espalhados pelo País. Mas o que essas novas arenas viveram ao longo do último ano? No primeiro aniversário da Copa de 2014, relembramos o que aconteceu e qual a situação atual de cada um dos palcos dos jogos do maior evento futebolístico do mundo.

  • Você ainda vê problemas de estrutura em algum estádio que sediou a Copa ou em seu entorno? Mande fotos para nós pelo Whatsapp: 11 97493-4521

 

Arena Corinthians (SP)

Custo: R$ 1,08 bilhão
Capacidade: 48 mil

Corinthians tem encontrado dificuldades para pagar o seu estádio
Corinthians tem encontrado dificuldades para pagar o seu estádio
Foto: Nacho Doce / Reuters

Desde o fim da Copa do Mundo, o estádio seguiu sua vida como casa do Corinthians com algumas mudanças – a principal delas, a retirada dos assentos provisórios que haviam sido instalados para o Mundial, reduzindo a capacidade de 68mil para 48 mil pessoas. A Arena foi casa de uma longa invencibilidade da equipe alvinegra neste ano, mas também palco de duas eliminações traumáticas: para o Palmeiras, no Paulista, e para o Guaraní-PAR, na Libertadores.

O clube também tem encontrado sérias dificuldades para arcar com o pagamento do estádio, que é parcialmente responsável pela crise financeira que atualmente atinge o Corinthians. Os valores reais do custo de construção são alvo de constante debate - a versão oficial alvinegra é de que o estádio custou menos de R$ 1 bilhão, mas o Ministério do Esporte considera que a obra ultrapassou essa marca.

Arena da Amazônia (AM)

Custo: R$ 660,5 milhões
Capacidade: 44 mil

Arena da Amazônia sofre com a falta de times de expressão na região
Arena da Amazônia sofre com a falta de times de expressão na região
Foto: Bruno Zanardo / Getty Images

Se algum estádio da Copa pode receber o nada honroso título de "elefante branco", além do Mané Garrincha em Brasília, é a Arena da Amazônia. O estádio em Manaus recebeu apenas um jogo oficial até agora em 2015 – várias partidas do Campeonato Amazonense estavam agendadas para o local, mas o alto custo operacional, com o qual o clube mandante tem que arcar, afastou os times do estado, que preferem atuar em lugares mais baratos.

Se no futebol o local não se manteve frequentemente ativo, pelo menos compensou com eventos musicais: bandas como Malta, Jota Quest e NX Zero já se apresentaram, e outros artistas como Pitty e Ivete Sangalo também devem tocar na Arena.

Arena da Baixada (PR)

Custo: R$ 391,5 milhões
Capacidade: 42 mil

Atlético-PR inovou com um polêmico teto retrátil na Arena da Baixada
Atlético-PR inovou com um polêmico teto retrátil na Arena da Baixada
Foto: Guilherme Moreira / PGTM Comunicação - Especial para o Terra

A casa do Atlético-PR vem sofrendo com problemas principalmente no gramado, que é alvo de reclamações de quase todo time que joga no local. Para tentar solucionar parte da questão, foi inaugurado em abril um teto totalmente retrátil, algo até então inédito em estádios de futebol da América Latina. Mas esse teto também causou muita polêmica, com adiamentos de data e mudanças de orçamento.

Já em relação a eventos, a Arena perdeu alguns importantes no ano passado, como UFC, Shooto e um show do Foo Fighters. O local se mantém em funcionamento constante no futebol, graças às partidas do Atlético, mas já admitiu que o retorno financeiro com a reforma para a Copa não foi o esperado.

Arena das Dunas (RN)

Custo: R$ 400 milhões
Capacidade: 31 mil

Arena das Dunas tem recebido jogos do América-RN
Arena das Dunas tem recebido jogos do América-RN
Foto: Rodrigo Trindade / Terra

Apesar do temor de que a Arena das Dunas pudesse ser abandonada após a Copa, o local na verdade vem conseguindo se manter em atividade e ser sustentável – fechou 2014 com um lucro de R$ 20 milhões, segundo relatório da administradora do estádio. Para isso, recebeu muitos shows e feiras, além de partidas do Campeonato Potiguar, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série B.

O América-RN é o principal usuário do estádio, e deve continuar mandando suas partidas pela Série C de 2015 na Arena das Dunas. Já o ABC preferiu continuar jogando no Frasqueirão.

Arena Pantanal (MT)

Custo: R$ 583 milhões
Capacidade: 42 mil

Final da Copa Verde foi um dos pontos altos da Arena Pantanal, que luta para não ser "elefante branco"
Final da Copa Verde foi um dos pontos altos da Arena Pantanal, que luta para não ser "elefante branco"
Foto: Chico Ferreira / Futura Press

O estádio de Cuiabá para a Copa do Mundo passou por altos e baixos no decorrer do último ano. Com problemas estruturais que passavam por risco de desabamento, falta de limpeza e iluminação precária, o local chegou a ser interditado. Uma égua da PM até morreu eletrocutada no gramado em torno do estádio por conta de um acidente. A construtora Mendes Júnior travou uma batalha com o governo do estado pedindo a liberação de recursos para fazer as obras de reforma necessárias, e a Arena reabriu com capacidade limitada no fim de janeiro.

Apesar de uma média bem baixa de público, já foram mais de 30 jogos neste ano, graças à iniciativa de fazer rodadas duplas do Campeonato Mato-Grossense no local. Destaque também para a final da Copa Verde, em que o Cuiabá conquistou o título em cima do Remo.

Arena Pernambuco (PE)

Custo: R$ 532,6 milhões
Capacidade: 42 mil

Arena Pernambuco abriga jogos predominantemente do Náutico
Arena Pernambuco abriga jogos predominantemente do Náutico
Foto: Miguel Tovar/STF / Getty Images

Jogos não faltaram para o estádio localizado em São Lourenço da Mata após a Copa: o Náutico abandonou os Aflitos para mandar suas partidas na Arena Pernambuco, enquanto o Santa Cruz disputou algumas rodadas da Série B do ano passado no local por conta de uma reforma no Arruda. O Sport também fez partidas no local.

Ainda assim, a presença do trio de clubes do Recife não tem sido suficiente par a evitar que o estádio tenha prejuízo – a localização ainda é de difícil acesso via transporte público. Eventos e shows também não têm conseguido conter o rombo, pois o estádio não recebeu um número significativo, apesar de ser projetado também para ocasiões deste porte.

Beira-Rio (RS)

Custo: R$ 330 milhões
Capacidade: 50 mil

Casa do Inter, Beira-Rio já foi palco de um "Gre-Nal da paz"
Casa do Inter, Beira-Rio já foi palco de um "Gre-Nal da paz"
Foto: Edu Andrade/Fato Press / Gazeta Press

Talvez um dos estádios menos "polêmicos" da Copa de 2014, o Beira-Rio sofreu algumas alterações estruturais, mas praticamente manteve a rotina de antes da reforma: segue a casa do Internacional, que após a Copa já comemorou um título gaúcho no local em cima do arquirrival Grêmio.

Se a falta de jogos não é um problema, os esperados eventos de grande porte não têm acontecido no estádio. O UFC em Porto Alegre e um show do Foo Fighters (que aconteceu no estacionamento da Fiergs) foram algumas das oportunidades perdidas pela arena colorada.

Castelão (CE)

Custo: R$ 518,6 milhões
Capacidade: 63 mil

Castelão tem concorrência do Presidente Vargas, mas recebe clássicos e jogos decisivos
Castelão tem concorrência do Presidente Vargas, mas recebe clássicos e jogos decisivos
Foto: Site do Bahia / Divulgação

Primeiro estádio a ficar pronto para a Copa do Mundo, o novo Castelão apresentou poucos problemas de cronograma e orçamento se for comparado às outras arenas. Porém, tem enfrentado uma concorrência em Fortaleza que está "roubando" muitos jogos: o Estádio Presidente Vargas é mais acanhado, mas cobra menos de aluguel e é mais vantajoso para os clubes, especialmente em partidas sem grande apelo para a torcida.

O Castelão, inclusive, se envolveu em empasse judicial com Ceará e Ferroviário, que romperam o contrato de exclusividade que tinham com o estádio após uma troca na administração na arena. Resultado: com capacidade para mais de 60 mil, o local costuma receber só clássicos e jogos decisivos de Ceará e Fortaleza. O último encontro entre os rivais, aliás, deu prejuízo - na final do Cearense, houve invasão de campo, quebra-quebra de cadeiras e rombo calculado em R$ 500 mil.

Fonte Nova (BA)

Custo: R$ 684,4 milhões
Capacidade: 51 mil

Arena Fonte Nova segue recebendo partidas do Bahia
Arena Fonte Nova segue recebendo partidas do Bahia
Foto: Divulgação

A Arena Fonte Nova se firmou como a casa do Bahia desde sua reinauguração, e por isso não precisa se preocupar com falta de jogos no local. Ainda assim, tomou um susto no fim de março, quando o clube tricolor anunciou que não renovaria o contrato de parceria e passaria a mandar suas partidas no Estádio de Pitaçu; poucos dias depois, porém, os termos foram renegociados e o vínculo, renovado.

Com naming rights ligados ao Grupo Petrópolis, que colocou o a marca Itaipava no nome do estádio, a arena também lucra com eventos como casamentos, exposições e shows – alguns dos artistas que passaram pelo local são Ivete Sangalo, Roberto Carlos e Elton John.

Mané Garrincha (DF)

Custo: R$ 1,403 bilhão
Capacidade: 72 mil

Estádio Mané Garrincha não tem investimento justificado
Estádio Mané Garrincha não tem investimento justificado
Foto: Getty Images

O estádio mais caro da Copa do Mundo definitivamente vai viver com a fama de "elefante branco". Um local com capacidade para 72 mil torcedores em uma cidade sem tradição no futebol e que não possui clubes sequer na Série C do Brasileiro. Nos poucos jogos de times locais, a média de público, como se podia esperar, é pífia. Hoje, a arena é costumeiramente utilizada como sede de secretarias do governo ou estacionamento de ônibus da frota da capital federal.

Os poucos shows e as esporádicas partidas de times grandes da Série A durante o ano são os únicos atrativos do Mané Garrincha, que ainda precisa arcar com altos custos mensais de manutenção – o que fez com que, no Campeonato Brasiliense deste ano, só as finais acontecessem no estádio da Copa.

Maracanã (RJ)

Custo: R$ 1,05 bilhão
Capacidade: 78 mil

Drenagem do Maracanã foi posta à prova em um temporal durante Flamengo x Vasco
Drenagem do Maracanã foi posta à prova em um temporal durante Flamengo x Vasco
Foto: Rudy Trindade / FramePhoto

Casa de Flamengo e Fluminense – e também do Botafogo durante os quase dois anos em que o Engenhão ficou interditado –, o Maracanã é um dos estádios que mais recebe jogos no Brasil. Porém, o tradicional palco principal do futebol carioca não ficou livre de polêmicas: em fevereiro, por exemplo, o clássico entre Flu e Vasco foi repassado para o Engenhão porque o presidente cruzmaltino Eurico Miranda exigiu que sua torcida ficasse em sua "posição histórica" ao lado direito da tribuna – o mesmo local a que a torcida tricolor tem direito pelo contrato assinado com o consórcio que administra o estádio.

Além disso, os baixos preços de ingressos praticados pela Ferj no Carioca foram atacados pela dupla Fla-Flu e pelo consórcio, que defendem valores mais elevados. Um jogo entre Flamengo e Vasco, em março, também ficou parado por 45 minutos depois que a drenagem do gramado não deu conta da chuva. Enquanto isso, dentro de campo, o único título pós-Copa foi do Vasco, campeão estadual de 2015.

Mineirão (MG)

Custo: R$ 695 milhões
Capacidade: 62 mil

Mineirão tem dificuldades para se manter sem ajuda de Cruzeiro e Atlético-MG
Mineirão tem dificuldades para se manter sem ajuda de Cruzeiro e Atlético-MG
Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG / Divulgação

O Mineirão manteve sua relação distinta com os dois principais clubes de Belo Horizonte desde a Copa: enquanto o Cruzeiro tem contrato com a concessionária Minas Arena para mandar seus jogos no local, o Atlético-MG prefere jogar no Independência e fazer partidas esporádicas na arena da Copa.

Desde a final da Libertadores de 2013, quando o Atlético jogou no Mineirão sem pagar pelos custos operacionais, o Cruzeiro adota o mesmo procedimento, e o governo de Minas já teve que arcar com o prejuízo da concessionária. O contrato entre governo estadual e Minas Arena, inclusive, é alvo de uma tentativa de CPI que se arrasta há dois anos na Assembleia mineira.

Fonte: Terra
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