
Atualizada às 17h56 Rose Mary de Souza
Direto de Campinas
Em uma semana, Jean tornou-se conhecido no País inteiro, mas de uma maneira ruim. Após ser acusado de receber uma quantia em dinheiro para facilitar a vitória do Santos, na última rodada do Campeonato Paulista, o zagueiro da Ponte Preta recebeu ameaças de morte de torcedores da Portuguesa - que perdeu a vaga na semifinal depois de o zagueiro cometer um pênalti contra o time da Baixada Santista - e agora promete ir "até o fim" contra os que o acusaram de suborno.
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A acusação veio á tona na última quinta-feira, um depois de o presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, registrar um Boletim de Ocorrência sobre o caso, tomando como base o depoimento de duas supostas testemunhas do tal caso de suborno. "Nasci em uma cidade pequena e com uma família que me educou muito bem. Sempre fui ensinado a nunca pegar o que é meu e nunca mexer nas coisas de ninguém", disse Jean, em entrevista coletiva nesta segunda, em Campinas.
"Fiquei indignado com o que aconteceu e deixo claro que as atitudes já foram tomadas. Quem fez essas acusações terá de pagar e a verdade já está vindo à tona", afirmou Jean, que disse ter recebido ameaças de morte de torcedores da Portuguesa. "No meu blog pessoal tem ameaças de morte e isso vai ser considerado como prova também. Minha mulher foi ofendida nas ruas e eu não posso sair de casa por causa dessa acusação".
Confira os principais pontos da entrevista:
Demora ao se pronunciar oficialmente sobre o caso
"Eu tinha um jogo importante pela Ponte Preta (na quinta-feira, em Florianópolis, pela Copa do Brasil) e a gente entendeu que tinha que honrar esse compromisso. Não estava com medo, nunca tive e meu sigilo telefônico, bancário, assim como o do Marcelo (Pinheiro, procurador do zagueiro) está aberto para quem quiser ver".
Pênalti cometido no final do jogo contra o Santos
"É um lance que eu não sabia se ele (árbitro) daria para a Ponte Preta em um jogo contra o Santos. Eu estava no lance e posso falar melhor do que ninguém, melhor até que a imagem. Nenhum jogador pula com os braços abaixados. Quando escutei o apito do árbitro achei que foi falta para a Ponte Preta. Na minha opinião não foi pênalti e acho que se fosse para a Ponte Preta ele não daria. A bola bateu no meu braço por causa da carga que eu recebi nas costas".
Prejuízos por conta da acusação de suborno
"A única pessoa que não tem nada a ver, que não contou história e que está sendo prejudicada sou eu. Não tem cabimento você levar para frente uma história que você escuta em um bar, em uma loja. Acho que vou ficar marcado, sempre vão lembrar dessa história".
Punição aos que o acusaram de suborno
"Se ninguém pagar eu posso te dizer que não dá pra acreditar na Justiça brasileira. Sei da minha inocência, as pessoas que trabalham ou trabalharam comigo sabem e está tudo muito claro. Deixei à disposição meu sigilo bancário e telefônico, o Marcelo também, e espero que as pessoas sejam punidas, quem está errado tem que pagar".
Possível indenização que possa receber no caso
"Eu nesse momento não penso em dinheiro. Se você perguntar se eu quero R$ 2 milhões de indenização, por exemplo, eu não quero. Eu ganho muito bem na Ponte Preta e dinheiro não é tudo. Quero apenas provar minha dignidade para todo o Brasil. Algumas pessoas me julgaram sem saber o que aconteceu de verdade e eu quero que todos conheçam o verdadeiro Jean".
Portuguesa e o presidente Manuel da Lupa
"Nunca tive contato com ele (Da Lupa), nunca nos falamos, nunca falei com dirigentes da Portuguesa e não sei o porquê dessa atitude (de acusá-lo de suborno). Ele não tem provas e nem terá, porque não tem como provar o que ele falou. O processo vai ser realizado, basta definir contra quem. Posso garantir que nosso objetivo principal é processar e não me defender, já que não tenho nada a temer".
"Não tenho nada para falar para ele (Da Lupa), quem tem que falar algo é ele, que me acusou. Espero que a família dele nunca passe o que eu passei nessa semana. Se eu encontrá-lo um dia eu não vou falar com ele, não vou dar nem bom dia e nem boa noite".
"Respeito a Portuguesa, sua torcida e sua grandeza, mas não tem como a gente fazer algo do tipo (uma possível transferência para o time do Canindé) por tudo o que está acontecendo".
Redação Terra
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