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 Ex-volante do Corinthians pretende ajudar a reconstruir Paraitinga
12 de janeiro de 2010 15h19 atualizado às 16h17

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Em algumas ruas de Paraitinga, destruição provocada pela chuva foi total Foto: Reinaldo Marques/Terra

São Luiz do Paraitinga, cidade natal de Moradei, foi destruída pela enchente na primeira semana do ano
Foto: Reinaldo Marques/Terra

O volante Moradei continua sensibilizado com a tragédia que atingiu a sua cidade natal, São Luiz do Paraitinga, localizada a 170 km de São Paulo. Atualmente no São Caetano (emprestado pelo Corinthians), o jogador presenciou a inundação que destruiu o município nos primeiros dias de 2010.

"Estou concentrado com o São Caetano agora, mas falo diariamente com o meu pai para me informar sobre a situação de Paraitinga. Já avisei para ele que pretendo ajudar a reconstruir a cidade, de todas as formas. Um pedaço da minha vida foi embora com as chuvas", lamentou, em entrevista por telefone.

Embora recorde com tristeza da enchente, Moradei acredita que o episódio poderá servir para desenvolver São Luiz do Paraitinga. "A cidade já era muito pequena. Agora, então, virou pó. Mas há males que vêm para o bem. Se Deus quiser, esse recomeço fará com que o lugar se modernize bastante. A população irá colher os frutos de uma reconstrução bem feita", afirmou.

Moradei estava no sítio do seu pai, afastado do centro de Paraitinga, no dia 1º de janeiro. "Na roça, que fica em um local mais alto, a água não chegou a subir tanto. Mesmo assim, perdemos roupas, camas e outros móveis. Só salvamos alguns aparelhos domésticos. Bateu um desespero na hora, pois não conseguíamos nos comunicar com muita gente", contou.

No dia seguinte, Moradei improvisou uma piscina de fibra como barco para encarar a enchente e tentar localizar seus amigos e parentes. "Saímos remando eu, meu pai e meu tio", recordou. "Por onde passávamos, víamos destruição. Mas não dava para entrar nem sair de Paraitinga porque os acessos estavam obstruídos. Fomos resgatados por um helicóptero", complementou.

Quando finalmente reviu seus conhecidos, todos a salvo, Moradei sentiu vontade de chorar. O pai do seu sogro perdeu três automóveis, que estavam estacionados na garagem de casa. Seu tio, dono de um restaurante, encontrou um freezer a 600 metros do estabelecimento - ficou sem todo o estoque de alimentos. A principal igreja da cidade, onde o jogador se crismou e fez catecismo, ruiu.

"Tudo isso foi muito triste. Sou ligado às minhas raízes e espero que Paraitinga tenha dias melhores depois dessa tragédia. Antes, a cidade só era conhecida por causa do seu Carnaval. Agora, infelizmente, ficou notória por uma inundação", lamentou mais uma vez, ainda esperançoso.

Moradei também tenta se reanimar profissionalmente. O volante foi preterido pelo técnico Mano Menezes e perdeu a oportunidade de participar do ano do centenário do Corinthians. "Isso faz parte. Sou um funcionário do clube e tenho que acatar as decisões. Mas fui muito bem recebido no São Caetano. A expectativa para a próxima temporada é a melhor possível. Quem sabe eu não tenho um bom ano, voltando a jogar bem, e alço voos mais altos na carreira?", disse um dos mais famosos filhos de São Luiz do Paraitinga.

Gazeta Esportiva