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Conquista do Botafogo consagra "herança bendita" de Cuca

3 mar 2009
17h02
atualizado às 17h23
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A busca por um grande título ainda persegue Cuca. Com 11 anos na carreira, o atual treinador do Flamengo conseguiu, no que foi o auge de sua carreira, conquistar um dos turnos do Campeonato Carioca - as Taças Rio de 2007 e 2008. A Taça Guanabara conquistada pelo Botafogo no último domingo, porém, reforça uma marca do treinador paranaense: mais uma vez, depois de Goiás e São Paulo, ele comprova ter deixado bons legados, ainda que nenhuma taça.

Por São Paulo, Goiás e Botafogo, clubes em que teve passagens mais longas e consistentes, Cuca plantou estratégias de trabalho que deram frutos logo após sua saída.

O legado do treinador, entre outras coisas, passa pela montagem de elenco, trabalho tático e a formação de ambientes harmoniosos. Curiosamente, pilares em que seu comando no Flamengo ainda se mostra deficitário.

"Sou muito grato ao Cuca. Ele resgatou para a torcida botafoguense o que a gente tinha perdido alguns anos antes da vinda do Bebeto (de Freitas, ex-presidente), que era participar de finais com times competitivos, disputando campeonatos com condições de sermos campeões. Faz muito bem para o clube respirar o ar de uma decisão", avalia Maurício Assumpção, atual presidente do Botafogo.

Em General Severiano, Cuca conseguiu montar equipes fortes com baixos orçamentos. Jogadores como Jorge Henrique, Leandro Guerreiro, Renato Silva, André Lima, Joílson e Juninho, por exemplo, foram nomes pinçados pelo treinador e que deram certo com a camisa botafoguense, ainda que tenham sido contratações modestas.

Com essa base, o Botafogo foi duas vezes vice-campeão carioca, chegou à semifinal da Copa do Brasil em 2008 e liderou o Campeonato Brasileiro de 2007 por 13 rodadas. Uma realidade bem diferente para quem se acostumou a brigar contra rebaixamentos e jogou a Série B em 2003.

O fato de alguns dos jogadores não darem certo em seus clubes seguintes, aliás, denota que o conjunto da equipe com Cuca era mais forte que propriamente o valor individual dos jogadores. Joílson, Juninho e André Lima, por exemplo, não se afirmaram pelo São Paulo. Túlio, no Corinthians, já deixou de constar entre as primeiras opções de Mano Menezes e Diguinho ainda não repete o mesmo futebol no Fluminense.

De certa forma, o trabalho foi ampliado por Ney Franco, que teve a missão de montar uma equipe nova e campeã para 2009, mesmo com um orçamento para a folha salarial de cerca de R$ 1,2 milhão, R$ 500 mil a menos que o de 2008.

"Essa é uma forma que o próprio Ney Franco gosta de trabalhar e sabe trabalhar, também por ter tido experiência em divisões de base. E tem feito agora da mesma forma, com esse mesmo estilo. E surgem, por exemplo, Fahel, Léo Silva e Maicosuel", compara Assumpção.

Montar uma equipe forte sem jogadores de tanto nome, diga-se de passagem, foi característica do trabalho de Cuca no São Paulo, realizado ao longo da temporada 2004.

Ao contrário do que se diz, o treinador não indicou a trinca de reforços (Danilo, Fabão e Grafite) que vieram do Goiás, clube que dirigia antes de desembarcar no Morumbi, mas tem sua passagem pela equipe tricolor até hoje lembrada como importante para o título da Libertadores e do Mundial de Clubes no ano seguinte.

"Foram negócios acertados antes da vinda dele e eram jogadores de consenso, assim como o Josué, que veio do Goiás em 2005. Os três zagueiros, por exemplo, ele instituiu. E foi um padrão que adotamos. Ele montou um time com padrão tático, ofensivo e de futebol bonito", avalia Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo.

No clube do Morumbi, Cuca caiu nas quartas-de-final do Campeonato Paulista, mas levou a equipe de Cicinho, Grafite e Luís Fabiano até as semifinais da Copa Libertadores, quando foi eliminado pelo campeão Once Caldas com um gol nos acréscimos.

A pressão sobre o treinador foi muito grande após a eliminação, embora o São Paulo não jogasse o torneio desde 1994, e sua saída foi concretizada antes mesmo do fim da temporada, abrindo caminho para a chegada de Emerson Leão.

"Foi um trabalho muito importante e bem feito, na nossa volta para a Libertadores. Cuca é um treinador honesto e excelente", afirma Marco Aurélio. Entre os 11 titulares que venceram o Liverpool na decisão do Mundial de Clubes, sete trabalharam com Cuca em sua passagem pelo São Paulo em 2004.

Outro clube a ter vivido bons dias após um trabalho de Cuca foi o Goiás. Na Serrinha, o treinador teve um trabalho de tiro curto, mas tirou a equipe da zona de rebaixamento, teve o melhor aproveitamento do segundo turno e ainda terminou o ano com a classificação na Copa Sul-Americana, jogando com três atacantes: Grafite, Dimba e Araújo, além de Danilo na meia.

A passagem pelo Goiás deixou bons fluídos. Nos dois anos seguintes, o clube terminou o Campeonato Brasileiro na sexta e na terceira posição, podendo disputar, em 2006, a Copa Libertadores pela primeira vez em sua história. Mais uma semente plantada por Cuca, que se ainda não tem títulos, pode dizer que deixou boas heranças para seus sucessores.

Além do Botafogo, Cuca deixou bom legado no Goiás e no São Paulo
Além do Botafogo, Cuca deixou bom legado no Goiás e no São Paulo
Foto: / Agência Lance
Especial para Terra

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