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Grupo do Cruzeiro tem amizade rara, diz Ramires

28 fev 2009 - 09h02
(atualizado às 09h09)
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O jeito introvertido de Ramires talvez indicasse alguma fraqueza, mas o principal jogador do Cruzeiro na atualidade é muito mais determinado que exatamente tímido. Prestes a completar dois anos de Toca na Raposa no meio do ano, ele passou de desconhecido para revelação e, com o desempenho no último Campeonato Brasileiro, em referência com a camisa celeste.

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Em 2009, o volante - cuja principal característica é se deslocar à área para finalizar - já fez cinco gols em seis jogos. Em 2008, com outros 13, só foi superado pelos atacantes Guilherme e Marcelo Moreno. Essa vocação ofensiva já é reconhecida por Adílson Batista, que o coloca quase ao lado de Wagner como um segundo meia.

Eleito entre os 11 melhores do último Prêmio Craque do Brasileirão, promovido pela CBF, Ramires ainda não foi plenamente reconhecido por Dunga, que só o levou à Olimpíada de Pequim após o corte de Robinho.

A Seleção principal, por ora, ainda é um objetivo para o cruzeirense, que ainda viu uma simples declaração ser transformada em uma polêmica que poderia pôr suas chances em risco.

Ramires pediu que Dunga olhasse mais para os jogadores que atuam no País, ainda que a lista para o amistoso contra a Itália, em razão do início de temporada nos clubes brasileiros, só tivesse os atletas que atuam no exterior.

O episódio aparentemente foi resolvido em um esclarecimento do jogador, cujo maior argumento é seu grande futebol e do time do Cruzeiro.

Amadurecidos, os cruzeirenses têm colhido ótimos resultados no início da temporada. Para Ramires, a amizade do elenco é um das explicações para grandes resultados como, por exemplo, a invencibilidade em dez clássicos seguidos contra o Atlético.

Veja a entrevista na íntegra:

Terra - O Guilherme, seu ex-companheiro de clube, foi jogar na Ucrânia. Você, que recusou uma proposta da Rússia no ano passado, tentou dar algum conselho para ele?
Ramires - Quando decidi ninguém veio falar nada comigo. Acho que cabe ao jogador decidir. Não fui para a Rússia, pois tinha acabado de voltar da Olimpíada - que é um sonho de todo jogador - e vivia um momento muito bom. Precisava me firmar mais no futebol brasileiro e deu certo. O Guilherme decidiu à vontade.

Terra - Hoje você já pensaria melhor?
Ramires - Agora já é diferente. Temos que sentar, analisar o que vai ser, e todo jogador quer dar uma vida boa para a família. Isso pega muito na hora de decidir. Tem que procurar analisar e já tenho 23 anos. Dizem que sou novo, mas parece que foi ontem que eu tinha 17 anos e saí de casa. É rápido demais. Não é ser mercenário, mas a carreira às vezes corre perigo e pode haver uma contusão. Espero continuar bem e seja o que Deus quiser.

Terra - A que se deve a superioridade cruzeirense nos clássicos com o Atlético?
Ramires - Ao empenho, à determinação e à concentração. Ninguém quer perder clássico, claro, e nós também não. Mas é a concentração mesmo. Clássico é como final. E o grupo do Cruzeiro tem uma amizade que é difícil de ver no futebol. Desde o presidente ao porteiro.

Terra - Você tem sido mais meia que volante e o esquema deixou de ser 4-3-1-2 para 4-2-2-2. Seu posicionamento tático mudou mesmo em relação ao ano passado?
Ramires - Sim, ele me deslocou um pouco mais para a direita, devido à perna esquerda do Wagner. E me colocou para chegar mais à frente. Mudou o lado e é sempre um desafio. Depois de tanto tempo, jogava só de um lado.

Terra - Melhor que corram atrás de você do que você correr atrás, não é?
Ramires - Mas eu também marco, né? (risos). Quando é uma equipe com dois meias e dois volantes, me adianto um pouco mais da marcação para bater lá na frente, nos volantes adversários.

Terra - Falando agora sobre Seleção: você se sentiu mal interpretado quando comentou a convocação do jogo contra a Itália e isso gerou uma certa polêmica na imprensa?
Ramires - A gente fala uma coisa e as pessoas entendem outra. Um tempo atrás, se eu desse uma declaração não teria essa repercussão. Agora gera uma polêmica que fica fora de controle.

Terra - Mas o que realmente aconteceu?
Ramires - O repórter fez uma pergunta e eu caí na dele. Mas em momento algum falei no nome do Dunga. O rapaz errou e colocou como se eu estivesse mandando recado para ele. Como estou começando na carreira, evito polêmica.

Terra - Você está aprendendo a lidar melhor com isso?
Ramires - Sim, não foi a primeira vez que isso acontece. No ano passado, concedi uma entrevista depois do jogo com o Palmeiras, no ano passado, e aí foram lá em São Paulo mostrar ao Vanderlei (Luxemburgo) buscando uma polêmica. Ele deixou para lá, mas se ele fala alguma coisa, ficaria chato. Quem me conhece, sabe que não sou de arrumar confusão com treinador.

Terra - Você entrou em contato com o Dunga para esclarecer a situação?
Ramires - Conversei com meus assessores de imprensa e eles enviaram um texto para a CBF. Às vezes, isso pode dar uma confusão imensa e estragar a carreira de um jogador.

Terra - E na Olimpíada, você acha que merecia ter tido mais oportunidades?
Ramires - Como fui convocado por causa da lesão do Robinho, pensava que ia chegar e nem jogaria. Logo no primeiro jogo, recebi a oportunidade de entrar, e depois também. Não tenho o que reclamar. Todos que estavam lá eram bons, mas infelizmente não deu e a gente queria muito. Vejo que foi bom para minha carreira. Foi excelente.

Terra - Você é tímido. Acha que isso é um problema?
Ramires - Sou tímido, mas falo o que é preciso falar. Não vejo como um problema. O importante é tomar cuidado para não me prejudicar e não prejudicar os outros também.

Terra - Diz-se que a torcida do Atlético é mais vibrante que a do Cruzeiro. O que você acha disso?
Ramires - Não concordo. A torcida do Cruzeiro comparece. Sempre que precisamos, compareceram em bom número. Nunca deixou a desejar. Esteve com o time em todo o tempo, não tem o que reclamar.

Terra - Quem te levou do Joinville para o Cruzeiro? O que mudou em você desde então?
Ramires - Um pouco mais de experiência. E lá no Joinville, tive a oportunidade de conhecer o (Wilson) Gottardo (ex-zagueiro do clube), que apesar de meu procurador, é meu amigo e conversa comigo. Como foi jogador, sabe das coisas que é preciso fazer para não errar. E como ele era conhecido do pessoal, vim para o Cruzeiro.

Cruzeiro tem amizade rara no futebol, diz Ramires:
Fonte: Terra
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