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Atlético-PR expulsa ex-presidente do quadro associativo

Além de Marcos Malucelli, o ex-diretor de futebol, Alfredo Ibiapina, também teve o mesmo destino

23 mar 2015
18h57
atualizado às 19h17
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O ex-presidente, Marcos Malucelli, e o ex-diretor de futebol, Alfredo Ibiapina, foram expulsos do quadro associativo do Atlético-PR pelo imbróglio envolvendo a contratação de Morro García. A decisão final aconteceu na semana passada.

Marcos Malucelli foi presidente do clube entre 2009 e 2011
Marcos Malucelli foi presidente do clube entre 2009 e 2011
Foto: Atlético-PR / Divulgação

Mandatário atleticano entre 2009 e 2011, Malucelli recebeu a ajuda de Ibiapina para contratar o atacante uruguaio por US$ 4,4 milhões, em junho de 2011, sendo o maior valor pago de um time paranaense no mercado futebolístico. Em 2012, na presidência, Mario Celso Petraglia prometeu resolver a questão e “afastar pessoas que não tem competência pra gerir o clube”.

E, ao que parece, conseguiu o pacote completo. Há dois anos e meio, o dirigente conseguiu chegar a um acordo com o Nacional, do Uruguai, que aceitou a rescisão do contrato e recebê-lo de volta, além de devolver US$ 2 milhões que já tinham sido pagos por 50% dos direitos econômicos do atleta.

Em outubro de 2014, o clube informou que começou a receber esse valor: US$ 600 mil, com mais US$ 400 mil sendo pagos em janeiro deste ano. Na contabilidade rubro-negra, os gastos com Morro García seriam de US$ 9,6 milhões “quando desfez o péssimo negócio realizado na administração anterior, pois todos sabem que o referido jogador não tinha no mercado o valor que foi comprometido, nem condições físicas e técnicas para jogar no nosso Furacão”.

“Essa decisão foi injusta. Eu sou associado há mais de 50 anos e nunca tive um processo contra mim. Trata-se de perseguição política”, protesta à Gazeta do Povo Malucelli, que recorreu da decisão.

Assim, ambos foram denunciados à Câmara de Ética e Disciplina, encarregada de apurar as infrações disciplinares e aplicar as penalidades. O artigo 78 do estatuto afirma cabe ao conselho administrativo “autorizar os diretores a contrair obrigações em nome do Clube Atlético Paranaense de valor superior a R$ 1 milhão” e a negociação não passou pelo superintendente, Renato Requião Munhoz da Rocha, e pela diretora financeira, Maria Aparecida Gonçalves.

<p>Alfredo Ibiapina ao lado de Morro Garcia, na apresentação do jogador em 2011</p>
Alfredo Ibiapina ao lado de Morro Garcia, na apresentação do jogador em 2011
Foto: Atlético-PR / Divulgação

Ibiapina, acusado de não ter poderes para representar o Atlético-PR na contratação do jogador uruguaio, se defendeu em novembro do ano passado e acredita que segue no quadro associativo. “Ainda não recebi nada. Não fui oficialmente avisado. Compareci, fiz a defesa do caso e, até agora, nenhuma sentença foi passada”, esquiva.

A Câmara, órgão permanente, tem Dionisio Banaszewski como presidente. Psicoterapeuta especializado em dependências químicas há mais de 25 anos, Banaszewski ganhou espaço na diretoria por ajudar na recuperação do goleiro Rodolfo, envolvido com cocaína, e na tentativa de colocar Adriano "Imperador" longe de bebidas em 2014, quando ficou até o final da Copa Libertadores - marcando apenas um gol .

Em relação ao caso, o psicólogo admitiu que a exclusão aconteceu. “É um fato, passou por um processo longo de um ano e pouco, entre idas e vindas. Um trâmite fechado, que agora depende do clube para aplicar”, explicou.

O parágrafo 3 do artigo 28, seção I do Procedimento Disciplinar no estatuto do Atlético-PR, explica que uma cópia da decisão será encaminhada ao acusado, em mãos ou via postal, com aviso de recebimento, para o endereço informado pelo sócio na Secretaria do Clube. Nesta última hipótese, o acusado será considerado intimado na data de entrega da correspondência no endereço.

Em qualquer hipótese de exclusão, o excluído somente poderá ser admitido novamente se houver aprovação expressa do Conselho Administrativo. Em caso positivo, o tempo de vida associativa será contado, para todos os fins estatutários, a partir da data de readmissão do associado, descartando-se o prazo relativo ao título anterior.

Malucelli, aliás, recorreu da decisão e vai até as últimas instâncias. “Quem manda no conselho? Isso me parece mais um jogo de cartas marcadas. Mesmo assim, é melhor eu me expor e falar tudo o que eu acho, porque fica gravado e registrado. É melhor isso do que eu me omitir, mesmo que eu seja hostilizado. Não vai ser fácil”, finalizou o ex-presidente do Atlético.

Fonte: PGTM Comunicação - Especial para o Terra PGTM Comunicação - Especial para o Terra
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