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Com 4 clubes e acordo com Del Nero, "Abramovich de Osasco" dá cartas em SP

Enquanto o "novo" Grêmio Osasco Audax causa boa impressão na elite do futebol paulista, velho Grêmio Osasco fica de lado e logo deve sair de cena

29 jan 2014
10h44
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Audax encara o Santos no Pacaembu: empate 1 a 1 e jogo duro na estreia pela primeira divisão de São Paulo
Audax encara o Santos no Pacaembu: empate 1 a 1 e jogo duro na estreia pela primeira divisão de São Paulo
Foto: Ricardo Saibun / Divulgação

Em 11 de novembro do último ano, o Nicolau Alayon recebeu um jogo peculiar: Audax e Grêmio Osasco decidiam lugar na final da Copa FPF. A peculiaridade é que os dois times já tinham, naquele momento, um mesmo dono. Que também possui mais dois clubes (Audax Rio e Osasco Futebol Clube) e certa megalomania por futebol.

É a história de Mário da Silveira Teixeira, o seu Mário, mas que também pode atender por Roman Abramovich de Osasco, assim batizado pela Revista Placar.

Por R$ 30 milhões, seu Mário comprou o Audax Rio e o Audax São Paulo das mãos do Grupo Pão de Açúcar, em setembro, e abriu uma questão importante especialmente no futebol paulista: como proceder em confrontos como o das semifinais da Copa FPF? Como evitar facilidades? O mesmo duelo entre Audax SP e Grêmio Osasco, curiosamente, esteve perto de também ocorrer no mata-mata da última Copa São Paulo. 

Após compra do Audax, Grêmio Osasco e Osasco FC são deixados de lado

Seu Mário (mais alto), entre as camisas do Grêmio Osasco e do Osasco FC: agora são quatro clubes
Seu Mário (mais alto), entre as camisas do Grêmio Osasco e do Osasco FC: agora são quatro clubes
Foto: Divulgação

A Federação Paulista, segundo apurado pelo Terra, também se preocupou com a possibilidade de resultados combinados. Um acordo de cavalheiros com o presidente Marco Polo Del Nero, porém, definiu que a prioridade em 2014 seria do Audax (na Série A-1), agora chamado de Grêmio Osasco Audax. 

Nos últimos meses, um processo de transição ocorre para diminuir a força dos dois clubes mais antigos pouco a pouco. O Osasco FC não deve nem disputar a próxima edição do Campeonato Paulista e, no máximo, vai manter duas categorias nas divisões de base. Já com o Grêmio Osasco, a tendência é que o clube saia de cena pouco a pouco. 

Efetivado nos profissionais depois de uma boa campanha no último Campeonato Paulista Sub-20, o treinador Zé Augusto (ex-Corinthians) já foi avisado de que não haverá investimentos e só vai trabalhar com garotos na Série A-2. É o jeito de evitar a promoção à elite. 

Seu Mário, o Abramovich de Osasco
Divulgação

Segundo as pessoas próximas, Mário da Silveira Teixeira (segundo em pé da esquerda à direita) não gosta de ser chamado de investidor. Mas já gastou muito dinheiro no futebol. 

Torcedor apaixonado da Ponte Preta, já apoiou seu clube do coração em algumas situações, mas se aproximou de Osasco em 2011. Seu Mário tinha um projeto social que se fundiu ao Grêmio. Na sequência, também comprou o Osasco FC para evitar concorrentes internos. E resolveu colocar o clube na primeira divisão.

Membro do Conselho Administrativo do Banco Bradesco, montou infraestrutura de qualidade e divisões de base graças à Lei de Incentivo ao Esporte. Os recursos vieram do imposto de renda dos altos funcionários do banco. Também graças a seu círculo de bons relacionamentos, Mário levou grandes patrocinadores para o Grêmio Osasco, como a Seara. 

Seu xodó é Vampeta, agora o presidente do Grêmio Osasco Audax. 

Foto: João Castelhano / Agência Isto É

O Grêmio Osasco perdeu seu principal dirigente, Vampeta, agora à frente do Grêmio Audax Osasco. Mas não é só... 

Também deixou de ser prioridade no uso de suas instalações: para treinar e jogar em casa, só quando não coincidir com a agenda do  Audax. Nas demais situações, o velho Grêmio vai precisar percorrer 20 quilômetros e utilizar a sede do Nacional, clube paulistano que firmou parceria. 

As movimentações seguintes à negociação de R$ 30 milhões, em setembro, evidenciam que o interesse não é de manter várias equipes. Boa parte dos funcionários dos tempos do Grupo Pão de Açúcar se demitiu ou foi demitida. Alvo do setor imobiliário, o moderno e valioso Centro de Treinamento que era utilizado pelo Audax será cedido temporariamente à Fifa até a Copa do Mundo e depois deve ser vendido. 

Quanto aos jogadores, uma espécie de desmanche foi feito pelos antigos proprietários do Audax. Os nomes mais promissores das divisões de base foram vendidos para Atlético-MG (Vítor Hugo e João Pedro), Santos (Jorge Eduardo), América-MG (Caio Dantas), Palmeiras (Yuri), Flamengo (Romário) e Coritiba (Rafael Veiga), entre outros. Quem permaneceu, tem os direitos repartidos: em caso de vendas no primeiro ano, os novos proprietários ficam com metade do valor. 

Federação Paulista diz que coibe a venda de vagas em suas competições

Os fatos seguintes à negociação evidenciam que o principal produto comprado pelo Grêmio Osasco, na prática, foi a vaga na primeira divisão paulista. "Era uma questão de tempo chegar à elite. Mas o seu Mário viu uma oportunidade de adiantar esse processo", cita um dos funcionários presentes no Grêmio desde a fundação, em 2007.

Procurada pelo Terra, a Federação Paulista informou por e-mail: "existe proibição legal para que equipes pertencentes ao mesmo ente disputem a mesma competição". Disse também que não reconhecia nas semifinais da Copa FPF qualquer infração ao regulamento, pois Audax e Grêmio Osasco ainda não tinham legalmente o mesmo proprietário. Em setembro, porém, as partes já confirmavam a transação. 

Por fim, a Federação Paulista também afirmou que trabalha para coibir a venda de vagas em suas competições. Disse a entidade: "uma equipe só pode manter sua posição na série em que se encontra desde que mantenha a mesma inscrição no CNPJ". 

O Terra tentou contato com Vampeta, mas não teve retorno nas ligações. 

Assista aos gols do empate entre Audax e Santos

Fonte: Terra
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