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Na Portuguesa, Mário Sérgio ensaia volta por cima

26 fev 2009 - 11h13
(atualizado às 11h36)
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O cotidiano da Portuguesa não é tão tranqüilo quanto pode parecer. A exigência de dirigentes e torcida muitas vezes vai além do normal, mas nada disso assusta Mário Sérgio. Para quem já sacou um revólver para afugentar a cobrança de torcedores, o ambiente do Canindé permite convivência razoável. A equipe de Mário, reorganizada depois da queda para a Série B e da surpreendente saída de Estevam Soares, está, pelo menos até hoje à noite, no G4.

» Portuguesa retoma quarto lugar

A partir da chegada do novo treinador, a Portuguesa escalou a tabela de classificação e hoje é a principal ameaça aos quatro maiores clubes do Estado no Campeonato Paulista. A depender dos resultados de São Paulo e Santos nos jogos desta quinta-feira, respectivamente contra Oeste e Bragantino, o clube rubro-verde pode terminar a rodada na zona de classificação às semifinais. Para Mário Sérgio, tudo passa pela confiança que o grupo e a diretoria demonstram pelo seu trabalho.

Com essa relação, a Portuguesa tem oito jogos de invencibilidade, e Mário Sérgio ensaia a volta por cima. Do treinador que dirigiu Corinthians, São Paulo e São Caetano (em seus bons tempos), passou a dirigir equipes que brigavam contra o rebaixamento e viviam em crise. E em todas elas, não colaborou para uma melhora - bem diferente do que ocorre agora no Canindé.

O último bom momento de Mário Sérgio, antes da Portuguesa, foi na campanha do vice da Copa do Brasil pelo Figueirense, em 2007.

Veja a entrevista na íntegra:

Terra - Por que você tem dado certo na Portuguesa?
Mário Sérgio - Aqui me deixam totalmente à vontade e tenho autonomia. Não há interferência no meu trabalho, no vestiário, nada. Com o próprio presidente, tenho um relacionamento excelente. Profissional, sem paparico. E cumprem o que me prometem: isso é base para se dar bem comigo.

Terra - A torcida não é tão grande, mas pressiona bastante. Como lidar com eles?
Mário Sérgio - Você precisa administrar. Eles estão traumatizados pelo ano passado e não adianta querer que batam palma toda hora. Não têm essa característica. O time caiu e querem mais é criticar, dar pau mesmo. Não querem apoiar, querem que o time volte. E eu sou técnico, não me abalo com isso. Já joguei com o Maracanã cheio - e na minha época era 150 mil toda semana. O que é meia dúzia de caras me xingando?

Terra - Seu início na Portuguesa tem sido muito bom. Como vem sendo feito esse trabalho?
Mário Sérgio - Cheguei aqui e encontrei uma situação negativa, pois o time caiu para a segunda divisão. E é o mesmo elenco do ano passado. Então havia uma resistência da torcida, jogadores inseguros e aos poucos, graças a eles mesmos, recuperaram a auto-estima, trabalharam muito e começamos a reverter o quadro. Isso é um sintoma, não é definitivo.

Terra - E agora até onde dá para ir?
Mário Sérgio - Nossa briga direta é com o Santos, que no papel é um excelente time. Os outros três (Palmeiras, Corinthians e São Paulo) já dispararam. Agora é entrar entre os quatro.

Terra - E para a Série B, qual projeção você faz?
Mário Sérgio - Temos que reforçar em termos de quantidade, porque nosso elenco é reduzido. Demos sorte até agora por não termos tido lesão ou suspensão por cartão. Se acontecer isso, estamos mortos. Não tem peça de reposição.

Terra - Seus últimos trabalhos não deram certo. O que houve?
Mário Sérgio - Meu último trabalho feito desde o início foi no Figueirense, em 2007. Ainda assumi um pouco depois do começo do ano, mas pude refazer a pré-temporada. Abrimos mão do campeonato estadual, nos preparamos fisicamente e fomos indo. Entramos na Copa do Brasil e acabamos na final.

Aí, o Botafogo nem conta. Estava um terror e o elenco tinha largado tudo, estava revoltado com o Montenegro (Carlos Augusto Montenegro, diretor) e eu não ia ficar, pois não cumpriram o que me prometeram.

Depois, no Atlético-PR, peguei a equipe com seis titulares machucados, sem chance nenhuma e já caindo. O Figueirense foi na mesma, brigando no rebaixamento. Foram todos trabalhos feitos por outros e aí só tinha que botar no campo e rezar. Nessas condições, você não recupera, não treina...

Terra - E você não podia ter selecionado melhor esses trabalhos?
Mário Sérgio - Infelizmente, não sou um cara rico. Na minha época, não se ficava rico jogando futebol. Depois, trabalhei 15 anos na imprensa, que também não dá dinheiro. Quando aparecia uma chance, saía pelo dinheiro. Depois desse trabalho de 2007 no Figueirense, tive oportunidades que me deram uma condição ótima de exigir e aceitarem. Mas esse trabalho de agora é o que estou pegando no início.

Terra - Você enfrentou o Palmeiras no último sábado. O que achou do time?
Mário Sérgio - Esse time me impressionou muito. Pela velocidade e pela organização do Vanderlei (Luxemburgo).

Terra - O que pode fazer na Libertadores?
Mário Sérgio - É o mais forte ao lado do São Paulo, que às vezes está mal, mas vai lá e cresce. O Cruzeiro é o mais técnico de todos e o Grêmio é o que vejo um pouco mais atrás.

Terra - Em sua opinião, por quais motivos essa competição é diferente?
Mário Sérgio - Longe de ser saudosista, sou um analista frio. Mas desde um pouco antes da minha época, quando começaram a disputar a Libertadores, mudou muito. Era uma guerra. E você não tinha alternativas para chegar lá, era só sendo campeão. O grau de dificuldade diminuiu muito por causa disso, não dá para comparar. Tanto é verdade que só joguei duas vezes na minha carreira. Se fossemos contar os Brasileiros em que terminei em terceiro, quarto...

Terra - Qual a memória mais marcante que você tem da disputa do torneio?
Mário Sérgio - Foi com o Internacional, em 1980. Fizemos uma campanha espetacular e chegamos até a final. Após empatar a primeira, fomos fora de casa (em Montevidéu, contra o Nacional). Chovia muito e era de noite e, além disso, fizeram várias partidas preliminares para o gramado ficar bem pesado. Aí igualou o jogo e foi uma grande pancadaria.

Terra - Esse time foi um dos mais copeiros do Inter...
Mário Sérgio - É verdade. De técnico mesmo, só tinha eu e o Falcão. Falavam que ele era técnico, mas também marcava feito um animal, como o próprio Mauro Galvão.

Fonte: Terra
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